Tom Odell – Jubilee Road


Jubilee Road, novo disco do britânico Tom Odell, é mais uma boa adição à nova onda do britpop. Aprimorando sua tendência ao tipo de baladas pop sentimentais que levou seu mentor Elton John à fama, o cantor marca seu espaço como uma voz distinta entre seus contemporâneos.

Porém, se lhe falta a ousadia e a presença de Elton John que tornaram baladas como “Tiny Dancer” em fenômenos românticos de escala global, Odell tenta compensar com composições honestas e, por isso, emotivas. O disco soa incrivelmente intimista e as composições se dedicam a temas da vida cotidiana, o que faz com que o trabalho de Odell pareça familiar de uma maneira positiva. Ao optar por essa abordagem simples e despida, é possível apreciar o maior trunfo do cantor: sua poderosa potência vocal.

As faixas são, em sua maioria, alegres e agradáveis de ouvir, mesmo que não seja uma alegria contagiante (como o conterrâneo George Ezra faz em “Shotgun”). Mesmo nos minutos mais tristes, Odell parece não conseguir abraçar totalmente a melancolia que algumas das canções exigem. Pode ser frustrante ver  que emoções mais intensas são evitadas a todo custo. O momento em que Tom chega mais perto da explosão sentimental que se espera de seu tipo de canção voz-e-piano é na excelente “If You Wanna Love Somebody”.

Além disso, as dez faixas são longas demais. Todas têm um pouco mais ou um pouco menos do que quatro minutos – com exceção da faixa de abertura, que aperta o relógio com injustificáveis 5 minutos. Como são composições simples que se sustentam basicamente pela voz de Odell, essa duração faz com que ouvir o disco seja cansativo.

Jubilee Road é um bom disco. Se compromete ao revival do sentimentalismo britânico e não há uma canção que possa ser classificada como entediante, chata ou ruim: há uma consistência admirável. Odell precisa, no entanto, se entregar de forma mais aberta a esse sentimento que aparenta ser a força-motriz de suas composições.

OUÇA: “If You Wanna Love Somebody”, “You’re Gonna Break My Heart” e “Queen Of Diamonds”

Como já diria Belchior, apenas um rapaz latino-americano. Ocupando demais tentando transformar o mundo num filme de Wes Anderson, mas trabalho como jornalista nas horas vagas.

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