Titus Andronicus – An Obelisk



O grupo de New Jersey com nome shakespeariano retornou ao estúdio em pouco mais de um ano após o lançamento de seu último trabalho. A mesma formação do inconsistente A Productive Cough (2018) deu vida agora a An Obelisk, com produção de Bob Mould, ex-Hüsker Dü. O resultado é o álbum mais curto da banda até o momento, com pouco mais de 38 minutos de pedrada. Só que uma pedrada polida.

Isso porque Obelisk é também facilmente um dos discos mais diretos do Titus. Não que fosse problema em si, dada a versatilidade do conjunto, que já foi do cru Local Business (2012) à ópera-rock de 92 minutos em The Most Lamentable Tragedy (2015). A diferença é que tudo aqui está suficientemente mais enxuto que todos os trabalhos anteriores. Orientado numa direção do Punk e do Power Pop, este é o único álbum da banda em que nenhuma faixa ultrapassa a marca dos seis minutos. 

Isso é positivo? Depende. Quase não há excessos; porém, dá para argumentar que boa parte do caráter criativo do grupo estava nas faixas mais longas e suas várias seções. Elas sumiram. Os arranjos da banda já incluíram sequências de piano e metais, em um caminho próximo ao folk e ao heartland rock. Agora, foram totalmente reduzidos a um formato mais tradicional vocal-guitarra-baixo-bateria. Tudo isso dá uma concisão única, mas não originalidade: o disco acaba sendo um contínuo “eu já ouvi isso antes, e não foi com o Titus”. 

Apesar disso, a execução é competente e as faixas empolgam do início ao fim. Particularmente, as linhas de guitarras estão bem mixadas e construídas, com o destaque para o final de “Hey Ma” e a pegada blueseira de “My Body And Me”. Refrões palavra-de-ordem marcantes também aparecem em faixas como “(I Blame) Society” “Troubleman Unlimited” e “Tumult Around The World” — um excelente encerramento, diga-se. O líder Patrick Stickles vocifera sobre os habituais aspectos psicológicos e políticos já abordados pelo grupo, em letras que variam da tosqueira punk até questionamentos mais elaborados, como em “Within The Gravitron”. 

An Obelisk não é incrível, nem um poço de criatividade, sequer uma volta à forma dos trabalhos que colocaram a banda nos holofotes há mais ou menos dez anos. É, melhor dizendo, um exercício bem direcionado de coesão sonora. Dentro de estilos consolidados há pelo menos três décadas, o Titus tentou dosar os limites criativos e a competência dos músicos. Parece ter funcionado.

OUÇA: “Hey Ma”, “Within The Gravitron”, “Tumult Around The World”

Estudante de jornalismo, quase duas décadas de vida, músico diletante, manezinho da Ilha. Normalmente com melhores ideias e ideais do que execuções, mas pode ter certeza de que estou trabalhando nisso...

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