The Weeknd – Beauty Behind The Madness

wee

_______________________________________

Assisti ao polêmico Fifty Shades Of Grey por esses dias e uma das certezas que tenho é de que Abel Tesfaye, que responde pelo nome artístico The Weeknd, é responsável pela canção da trilha que mais se destaca no filme. A ambientação, a temática e a forma como é cantada “Earned It” são pontos de imensa precisão que te levam a procurar pelo criador dessa música assim que o filme acaba e ouvi-la uma única vez não é suficiente. O impacto e o vício foram as primeiras impressões sentidas ao conhecer o trabalho de Abel, mas infelizmente as mesmas não duraram até o fim das catorze faixas de seu recém-lançado disco Beauty Behind The Madness. Com participações de grandes nomes da música, hits e letras ousadas o disco reitera duas coisas que já estamos cansados de saber: 1) o eu-lírico é sempre bom-de-cama-inalcançável e coitada de quem o abandonou 2) faixas com coral de crianças são bregas pra caramba.

Mesmo que na capa Abel lance um olhar quase de piedade, nas canções temos um sujeito seguro de si e desinibido para tratar de sua rotina em relacionamentos e uso de drogas. ‘I love that mainstream radio will think that this is a love song!’. Engraçado encontrar esse comentário em um de seus vídeos, afinal essa temática não torna The Weeknd subversivo, mas até o aproxima do chamado mainstream. A participação em canções com Ariana Grande além de, no próprio disco, Ed Sheeran e Lana Del Rey, o afina com a produção pop atual e, consequentemente, com fatias maiores da população. Muitas das faixas do Beauty Behind The Madness possuem a potência de hit e se ele participasse de programas como o The Voice, com certeza ganharia a competição pelos refrões marcantes e recursos vocais exagerados. Onde está a loucura em ser radiofônico?

Longe de ser um manifesto em favor do underground e de letras que agradem a família tradicional brasileira, pontuarei um trunfo do álbum. Assim como em Fifty Shades Of Grey, somos lembrados de que os relacionamentos se constroem e se mantém por situações que vão além de romantismos. Os desejos humanos nem sempre encontram seu lugar em um buquê de rosas vermelhas. A sensualidade transmitida é encontrada no decorrer do disco todo, que também é impecável em sua produção. Os beats são realmente dançantes, o instrumental e o acabamento das faixas é primoroso, sem dúvida muitas delas entrarão no set de milhares de DJs. Fora do glamour das pistas e das apresentações ao vivo de Abel, mas na intimidade do fone de ouvido usado pelos lugares cotidianos não orna tanta arrogância, superioridade e ‘who’s gonna touch you like me?’.

O ruim é que pouco, ou nada, se acrescenta através do discurso reproduzido por aquele a quem sempre foi incentivado o exercício dessa sexualidade e de sua representação como troféu.  Se quisermos um álbum carregado de sensualidade, apelativo em seu projeto estético e que desvia de padrões é no EP M3LL155X da FKA Twigs que encontramos tais predicados e não aqui com The Weeknd. Talvez esse não seja o momento de se abster diante de Fifty Shades Of Grey ou do Beauty Behind the Madness, mas justamente contestar a perpetuação das velhas normas e papeis atribuídos aos homens e às mulheres.

OUÇA: “Often”, “Earned It” e “The Hills”

1 Comments

  1. Raja-da

    Que? Essa resenha está totalmente confusa, a impressão que passa é de que vc quis se apoiar em argumentos rasos só para falar que o the weeknd sendo the weeknd é desnecessário

Leave a comment

Please be polite. We appreciate that. Your email address will not be published and required fields are marked