The Ting Tings – The Black Light


Dez anos. Esse é, de maneira rústica, o intervalo de tempo entre o primeiro álbum e esse quarto, o The Black Light, na carreira dos britânicos do Ting Tings. “Shut Up And Let Me Go” e “That’s Not My Name” aparte, é possível traçar um panorama interessante dentro desse grande espaço de tempo: de onde a dupla partiu e até aonde a dupla está agora. E, além disso, de que o maior instrumento da carreira do duo acaba sendo o tempo e como ele molda os interesses deles.

Nesse quarto disco a dupla abusa muito mais de elementos industriais que permearam um pouco os álbuns anteriores – se observarmos o single solto “Hands” antecessor ao segundo álbum conseguimos enxergar bem essa construção – e consegue deixar esse ritmo eletrônico mais cru e emergencial de uma maneira interessante para ser trabalhado dentro de uma banda tipificada dentro do grande gênero indie. Jules e Katie ainda abusam de elementos da grande ressurgência da cena techno, criando uma amalgama eletrônica com elementos de guitarra dentro de seu novo estilo – um indie pop electro industrial bem bolado.

The Black Light demorou quatro anos para aparecer desde Super Critical, mesmo intervalo de tempo entre o primeiro e o segundo álbuns, e essa pausa se pareceu muito necessária para eles. Esse quarto álbum parece servir como momento de autocrítica, de aceitar que sua identidade e criatividade do primeiro álbum foram essenciais para aquele instante, mas não estão mais alinhadas com os interesses da banda atualmente – o tempo, o grande instrumento.

Dentro desse panorama, The Black Light parece ser o primeiro álbum verdadeiramente do The Ting Tings desde o primeiro disco, aonde eles mostram de maneira muito mais fluida e fácil quais são os interesses deles atualmente. Essa falta de identidade fez a dupla sofrer muito e parecer uma reconstrução bizarra do sucesso do seu primeiro disco nos álbuns anteriores. Esse quarto álbum vem como uma construção de um novo modelo para a banda e, esperamos, que apareça como uma vontade de aprimoramentos e maior consciência nas composições dos próximos álbuns.

No fim das contas, o Ting Tings parece ter se reinventado dentro do seu mesmo jogo mais uma vez. Eu particularmente acho que a discografia da dupla tem seus momentos de luz e que possuí músicas geniais dentro das singularidades de seus álbuns – “Day To Day” e “Wrong Club”, por exemplo – mas The Black Light é, talvez, o álbum mais interessante desde o seu primeiro e grande sucesso. Apesar dos pesares, é bonito ver que a dupla continua na ativa e continua entregando música bem pensada para nos alimentar, mesmo que ainda vivam, em 2018, sob a sombra do seu sucesso de primeira viagem lá em 2008.

OUÇA: “A & E” e “Blacklight”

cinco minutos de beleza

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