The Japanese House – Good At Falling



Em 90% das vezes que eu menciono o nome The Japanese House mais da metade das pessoas acham que eu falei errado o nome da banda Japanese Breakfast, aquela banda que na verdade é um projeto solo da cantora e compositora americana-coreana Michelle Zauner. Já a outra metade pensa na Japan House em São Paulo. Mas não é nenhuma dessas duas coisas.

The Japanese House é o pseudônimo e, também, projeto solo de Amber Bain, cantora e compositora de Buckinghamshire, Inglaterra. Com quatro EPs na bagagem, que foram lançados pela Dirty Hit (gravadora idealizada e comandada pelo pessoal do The 1975), agora Bain resolveu sair do anonimato com seu primeiro álbum Good At Falling e mostrar que o The Japanese House não é, como muitos pensavam, um projeto paralelo do Matty Healy e George Daniel do The 1975.

As primeiras músicas lançadas sob o pseudônimo saíram em 2015 quando Bain tinha apenas 19 anos. Elas eram carregadas de auto tune, que protegiam o anonimato e brincavam com classificação de gênero, e efeitos de guitarra que soavam sim bem parecidos com algo que teria um dedinho de Healy e Daniel.

Já em Good At Falling, o auto tune ainda está presente mas são as letras e a delicadeza das palavras que entregam a vulnerabilidade que o álbum carrega. É um disco que mostra a evolução de Bain como pessoa e artista. Good at Falling é um ciclo de acontecimentos muito pessoais, como a morte de alguém próximo que você ama e o processo de luto, sobre pensar que achou salvação em um novo relacionamento e ir percebendo aos poucos que o relacionamento está se desmanchando. Bain fala muito sobre perceber que tudo passa e que, eventualmente, tudo fica bem.

Várias vezes durante o álbum são lançadas perguntas que reverberam diariamente na cabeça de quase todos os jovens Millennials. O niilismo presente em faixas como “Maybe You’re the Reason” e “Follow My Girl” com frases como “is there a point to this?”, “should I be searching for some kind of meaning?” e “nothing feels good it’s not right” refletem a realidade de uma desesperança que sonda a vida de jovens em países como os Estados Unidos, Brasil e outros.

A produção do álbum merece um destaque a parte. Produzidas por George Daniel (The 1975), BJ Burton (Bon Iver, James Blake), e pela própria Bain, as faixas com camadas de sons que parecem infinitas convidam quem escuta a cada vez que escutar uma música perceber um som novo. Os sons trazem ainda mais profundidade para um álbum tão pessoal, tão cru, mas ao mesmo tempo tão confortante. Good At Falling parece que foi encapado em um cobertor macio, pronto para se deitar em cima e enquanto escuta os vocais suaves de Bain.

São treze faixas e, de todos os quatro EPs, apenas uma música fez o corte para o álbum. A faixa “Saw You In A Dream” aparece em Good At Falling como uma versão acústica e mais pura. Sem a máscara do auto tune, Bain gravou essa versão em dois takes ao vivo e, como ela mesma disse em entrevistas, “quase dá para ouvir suas lágrimas”.

A nova versão se chama “i saw you in a dream” e fala sobre sonhar com alguém que já partiu desse mundo e a única forma de ver a pessoa de novo é sonhando. Na faixa, Bain canta “it isn’t the same but it is enough” (não é o mesmo, mas é suficiente – em tradução livre) e amarra, aparecendo como faixa final, todo o sentimento que o álbum carrega e passa. Perder um amor, seja romântico ou não, nunca é fácil, e nenhuma experiência vai ser igual a outra, mas nos resta seguir em frente e tentar aproveitar o melhor da próxima situação.

Good At Falling é muito importante, principalmente para a comunidade LGBTQ+ que quer encontrar conforto e representatividade em artistas jovens. É um disco que força uma autorreflexão sobre nossos sentimentos e relacionamentos, e a posição que eles ocupam em nossas vidas, na faixa “Worms” Bain nos mostra exatamente isso cantando “Invest yourself in something worth investing in. You keep repressing it”. Good At Falling é o melhor debut que o The Japanese House poderia ter.

OUÇA: “Worms”, “Follow My Girl” e ” Maybe You’re The Reason”

eu só não vou falar bem de arcade fire

Leave a comment

Please be polite. We appreciate that. Your email address will not be published and required fields are marked