The Carters – EVERYTHING IS LOVE


Beyoncé e Jay-Z lançaram um álbum juntos. São tantos plot twists vindos desses dois que eu os considero o M. Night Shyamalan do mundo da música. Um show melhor que o outro, álbuns fascinantes e projetos audiovisuais que nem sei por onde começar a descrever – o que foi o clipe no Louvre?! Após Lemonade e 4:44, o lançamento de EVERYTHING IS LOVE consagra o casal como o mais poderoso do mundo da música.

Só temos a chance de entender o que se passa na cabeça e no coração dos Carters quando eles lançam trabalhos de estúdio ou outros projetos. Algo na linha de “Você quer saber mais sobre nós? Assine o Tidal e vá aos nossos shows”. Nesse disco, somos voyeurs por 38 minutos de um furacão familiar de drama, amor, dinheiro e luxo. É um misto de A Ursupadora, Casos de Família e Domingo Legal. Só que muito chique.

O título não mente. A vida a dois é explorada nos seus altos e baixos, desde quando e como eles se conheceram até renovar os votos após a traição que quase acabou com seu casamento. Pode parecer simples e uma ideia batida, mas isso é feito com Beyoncé entrando de cabeça no hip hop, com homenagens a artistas como Dr. Dre e diss para Kanye West e até 6ix9ine. Não faço ideia de como funciona o processo criativo de Beyoncé e Jay-Z, mas as escolhas de compositores foram muito assertivas. Recentemente, vi uma polêmica sobre se a Beyoncé realmente compõe. Isso é completamente irrelevante. Deus perdoe essas pessoas ruins.

Me despindo um pouco do frenesi em torno dos Carters, confesso que me decepcionei um pouco com algumas músicas. Com tantos lançamentos incríveis do hip hop recentemente – como o KIDS SEE GHOSTS – as faixas “FRIENDS” e “HEARD ABOUT US” tem flow genérico e poderiam ter sido  cantadas por qualquer outro rapper. Isso não quer dizer que são ruins, mas ficaram aquém de músicas como “BLACK EFFECT” e “LOVEHAPPY”, que encerram a narrativa do disco como a pincelada final de uma obra de arte.

Uma das melhores características de EVERYTHING IS LOVE são as pontes feitas com discos anteriores de Bey e Jay-Z. A vulnerabilidade de Beyoncé em “Sandcastles” (do disco Lemonade) e sua força em “Drunk In Love” (do disco Beyoncé) se conectam com “SUMMER”, primeira música desse disco. Isso se repete diversas vezes, o que enriquece a experiência, nos faz ouvir com mais atenção e abre espaço para diversas interpretações do que os artistas estão querendo dizer.

Eles fizeram de novo. Mais um discão, mais um trabalho muito bem produzido e mais ansiedade ao pensarmos no que eles vão fazem em seguida. Gostaria de ver Jay-Z saindo da zona de conforto tanto quanto a Beyoncé saiu, mas um passo de cada vez. Quem sabe no próximo anúncio surpresa? Agora, vestindo novamente o frenesi envolta dos Carters, devo dizer: AAAAA QUE ÁLBUM MARAVILHOSO LACROU TUDO MELHOR CASAL AMO MUITO JÁ VI “APESH*T” 50 VEZES PRECISO IR NA ON THE RUN II SENÃO EU VOU MORRER MEU DEUS MEU DEUS MEU DEEEEEEUS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

OUÇA: “LOVEHAPPY”, “BLACK EFFECT”, “SUMMER”, “NICE”.

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