Tegan and Sara – Hey, I’m Just Like You



Hey, I’m Just Like You é o nono álbum de estúdio da dupla canadense Tegan and Sara, lançado juntamente com High School, seu livro de memórias. O que torna Hey, I’m Just Like You diferente de tudo o que a banda já fez até agora é o fato de que as músicas aqui são gravações de coisas que as moças escreveram em sua adolescência, que resgataram enquanto faziam a pesquisa para compilar e escrever seu livro. Segundo as próprias, tratam-se de músicas que elas nunca teríam conseguido escrever hoje como adultas, com uma produção que elas nunca teríam conseguido fazer antes quando eram adolescentes.

Just Like You é uma jornada à adolescência das duas, de uma forma bastante cândida e honesta. Simples. O álbum traz de volta em muitos momentos as guitarras e violões do começo de sua carreira que haviam sido deixadas levemente de lado em seus últimos dois álbuns cuja produção foi synthpop. Aqui, elas misturam esses elementos, por vezes quase punks (nem que seja apenas em espírito), à sua atual produção pop monumental que conhecemos em Heartthrob e foi aperfeiçoada com Love You To Death.

Just Like You é um álbum como nenhum outro na discografia das meninas. É até estranho pensar que nunca ouvimos essas músicas antes, que elas não escolheram gravá-las nem para seus primeiros álbuns. Existem muitos momentos aqui, talvez “All I Have To Give The World Is Me” mais do que qualquer outro, que caberiam perfeitamente em seu This Business Of Art, se tivesse sido gravada com a produção folk do restante do álbum. Coisas e constatações como essa tornam Just Like You um álbum bastante interessante de se ouvir várias vezes e analisar esses detalhes.

Suas letras, mesmo tendo sido escritas há praticamente duas décadas, são perfeitamente balanceadas entre a quase arrogância que adolescentes têm de saberem tudo sobre absolutamente tudo e uma vulnerabilidade que só aparece com a maturidade que o tempo traz. É um álbum bastante complexo e contraditório, nem sempre as letras casam com a produção. E essa idiossincrasia da dupla é seu ponto alto, com toda a certeza.

We don’t have fun when we’re together anymore, all we get when we’re together is bored‘ é um exemplo primordial disso. Um verso extremamente simplista que foge por completo das grandiosas metáforas exploradas pela dupla em The Con e Sainthood, mas que funciona tão bem – por que não deixa de ser um sentimento verdadeiro a todos. Não interessa se você é adolescente ou está com seus 30+, é algo que qualquer pessoa pode se relacionar.

Esse é o grande trunfo e a sacada de genialidade de Just Like You: trazer sentimentos e questões ainda presentes na vida adulta sobre tudo – a vida, relacionamentos, amores novos ou em decadência – de uma forma absurdamente simples e direta. De uma forma como só uma adolescente poderia. E te obrigar a admitir que você ainda se sente da mesma forma hoje.

OUÇA: “I’ll Be Back Someday”, “Hey, I’m Just Like You”, “Don’t Believe The Things They Tell You (They Lie)”, “I Know I’m Not The Only One” e “You Go Away And I Don’t Mind”

and when the body finally starts to let go, let it all go at once not piece by piece, but like a whole bucket of stars dumped into the universe

Leave a comment

Please be polite. We appreciate that. Your email address will not be published and required fields are marked