Gary Clark Jr. – This Land



Gary Clark Jr. surgiu a cerca de 8 anos com o EP The Bright Lights e, desde então, lançou 3 discos e coleciona participações em grandes festivais de blues como o Crossroads, tocando ao lado de grandes lendas da guitarra como Eric Clapton, BB King, Buddy Guy e nomes contemporâneos da guitarra como John Mayer e Doyle Bramhall II. Em seu terceiro disco, ele procura ser despretensioso, mas extremamente ambicioso ao trazer uma gama grande de estilos musicais, de maneira experimental.

O álbum se inicia com “This Land”, um manifesto contra o racismo institucionalizado nos Estados Unidos que faz afro americanos não sentirem-se bem-vindos na própria terra. Contrário a isso, ele diz no refrão que é filho da américa e que aquela terra é dele.  A partir da terceira faixa, Gary passa a viajar por diversos estilos musicais diferentes, passando por soul em “When I’m Gone”, R&B, hip hop, pop em “The Guitar Man” e até mesmo reggae na faixa “Feeling Like A Million”. Vale destacar também “Pearl Cadillac”, excelente balada onde o artista mostra a habilidade que tem em combinar harmonicamente sua voz com a guitarra. O disco mostra a versatilidade de um artista que sempre foi visto como um guitarrista de blues, trazendo o foco para a produção e menos para os solos de guitarra. Entretanto, a guitarra blues característica do artista está presente e faixas como a instrumental “Highway 71”, onde ele experimenta solos em cima de uma base, “The Governor” e “Dirty Dishes Blues” que trazem um blues mais clássico.

This Land traz Gary Clark Jr. sem medo de arriscar novos arranjos e experimentar outros estilos. Mostra um artista mais maduro e confiante e acerta em muitos momentos com músicas que seriam excelentes singles, mas funcionam bem em conjunto. Sendo moderno, mas nunca esquecendo suas raízes, This Land é – sem dúvida – um dos melhores discos de blues do ano até o momento.

OUÇA: “My Eyes On You (Locked & Loaded)”, “This Land”, “Pearl Cadillac” e “Dirty Dishes Blues”

Sundara Karma — Ulfilas’ Alphabet



O Sundara Karma é uma banda que costumava aparecer nas playlists automáticas que o Spotify cria quando algum disco que eu estava ouvindo acabava. Muito escutei “Indigo Puff” e outras canções deles sem querer. E, embora isso tenha acontecido um bom número de vezes, eu nunca fui muito atrás de conhecer a banda. Então quando essa resenha caiu no meu colo, eu vi como uma boa oportunidade de conhecer uma “banda nova” e explorar mais a fundo a sua sonoridade e seu disco.

Ulfilas’ Alphabet é o segundo disco do Sundara Karma e foi lançado no dia 1º de março, dando sequência ao seu debut album Youth Is Only Ever Fun in Retrospect, que saiu em 2017.

No geral, o álbum é upbeat, com boas guitarras e uma sonoridade extremamente familiar, que para mim traz uma sensação de “rock inglês”, whatever that means. E eu não posso deixar de exaltar a voz do Oscar Pollock, com sua força no grave, que completa o combo da “nostalgia sonora” que eu senti ao ouvir o álbum.

Apesar de ser carregado de memórias e referências, que remetem às mais variadas décadas, o álbum é muito “novo”. Tem um frescor de novidade, ainda que busque em “recursos clássicos” a solução para fazer um hit.

A primeira música, “A Song For My Future Self” já estabelece o tom do disco e é uma das minhas canções favoritas do álbum. Tem boas camadas sonoras, uma pegada meio setentista, distorções e um excelente instrumental — que você vai ouvir através de todo o álbum.

A combinação de “Symbols Of Joy & Eternity” e “Higher States” é, para mim, preciosa. São duas músicas com cara de hit que trazem uma sensação de que eu já as conheço a vida toda — sem soar como se fossem uma cópia barata ou rip-off de outros artistas, mas que apresentam características musicais que soam confortáveis aos ouvidos.

A cada nova música vamos descobrindo uma nova faceta do quarteto, como na canção “The Changeover”, mais lenta que o resto do álbum e onde podemos apreciar toda a potência dos vocais — que, por momentos, lembra até o vozeirão de David Bowie. Preciso destacar, também, “Illusions” e “Duller Days”, canções meio dark e que tem um quê de Franz Ferdinand, trazendo uma vibe muito gostosa ao disco.

Depois de toda a viagem de Ulfilas’ Alphabet, “Home (There Was Never Any Reason To Feel So Alone)” acalma os ânimos e encerra o álbum brilhantemente, com seus beats e elementos eletrônicos.

Eu não consigo ouvir o álbum sem pensar, “bah, essa é uma banda inglesa”. Além do sotaque, a banda carrega a identidade britânica nas nuances de suas canções e, também, no visual. Da terra do renomado Reading Festival, a banda está na ativa desde 2011 e, se continuar nesse caminho terá uma carreira bem próspera pela frente.

Assim como a capa do disco propõe, Ulfila’s Alphabet é um disco bom de mexer o esqueleto. Se você gosta de conhecer bandas novas e curte um bom indie rock, o Sundara Karma é uma ótima pedida!

OUÇA: “A Song For My Future Self”, “Symbols Of Joy & Eternity”, “Duller Days” e “Higher States”

FIDLAR — Almost Free


Depois de quase 4 anos, o FIDLAR voltou de um jeito inesperado. Inesperado pelo menos pra mim. Como alguém que não ouviu nenhum dos singles lançados antes do álbum sair, eu fui pega de surpresa ao dar o primeiro play em Almost Free.

Este é um álbum diferente, como é de se esperar de qualquer banda que acumula 10 anos de estrada. Enquanto fã, confesso que demorei algumas ouvidas para me acostumar ao novo “ritmo”. Não que não tenha gostado, foi mais um sentimento de “o que está acontecendo aqui?”. Entretanto, não se engane pensando que trata-se de algo disruptivo, totalmente experimental, fora da casinha. Eles continuam os mesmos “garotos punk rock” dos dois álbuns anteriores, mas agora eles estão experimentando outras ondas. Neste álbum, utilizam os discursos que já conhecemos de outros carnavais em diferentes formatos, que vão além das “pedreiras” que estamos acostumados — ainda, é claro, que elas estejam presentes, como é o caso de “Get Off My Rock”, que abre o disco.

De álcool e drogas, críticas ao comportamento do estadunidense médio, términos de namoro, com influências de The Clash a Red Hot Chili Peppers, Almost Free é um baita álbum. Pra quem se acostumou ouvindo ao homônimo FIDLAR, de 2013, pode ser que estranhe, em um primeiro momento, quando ouvir toda a miscelânea que temos aqui. Dentre todas as camadas que existem no álbum, dá pra sentir que este foi um trabalho em que os caras chegaram no estúdio e realmente tocaram o que estavam com vontade. Tem sonoridades bem diferentes entre si e, também, seus altos e baixos, mas é um disco autêntico.

Destaque para a instrumental faixa-título, “Almost Free”, que aconteceu quase “por acidente”, já que a banda tentou escrever uma letra pra ela. Mas acabou que nenhuma das letras combinou o suficiente e, por falta de tempo, ela acabou entrando nua e crua mesmo. E, pra mim, esse é um dos melhores acertos do álbum. A música é um respiro em meio a toda loucura “fidlaresca” e ainda demonstra o talento em potencial que o quarteto tem.

OUÇA: “By Myself”, “Can’t You See” e “Almost Free”.

Muse – Simulation Theory


No início da década, houve uma febre que tomou conta da indústria do entretenimento: as sagas de distopia para o público infanto-juvenil. Essa moda teve um impacto óbvio no mercado do cinema, mas acho que não falamos o suficiente de como isso também influenciou a indústria musical. Ora, é graças à trilha-sonora de filmes como Jogos Vorazes e seus wannabes, recheados de canções com refrões fortes, batidas pesadas e mensagens de resistência e resiliência que o público foi presenteado com o grupo Imagine Dragons (que desde seu debut vem tentando recriar o fenômeno de “Radioactive”).

A composição por encomenda de singles com letras perfeitas para uma legenda de foto no Instagram vendeu a milhares de adolescentes nos últimos anos a ideia de que sua rebelião (ou seja lá o que esses livros-filmes ensinam) é algo tão genuíno quanto uma canção de três minutos de electro-rock, e levou consigo para o túmulo a carreira de alguns artistas até então respeitáveis. Pelo que se viu nos últimos trabalhados, e ilustrado perfeitamente em Simulation Theory, o Muse talvez seja a principal vítima dessa febre.

Em suas onze faixas, o novo disco da banda inglesa soa como uma série de canções idênticas feitas para esse subgênero cinematográfico – que, por sua vez, já não dá lucro para os grandes estúdios. Mas como toda imagem do Muse nessa década já se baseia na sonoridade pastiche e plastificada de uma pseudo-rebelião falida, o grupo pareceu achar sensato abraçar de vez essa estética manufaturada para parecer subversiva.

Simulation Theory é um disco que frustra por se contentar com o raso. Com títulos risíveis como “Algorithm”, “Propaganda”, “The Void” e “The Dark Side” (para citar as mais célebres), a sensação é de que os compositores escolheram nomes que mais soam como literatura sci-fi para conferir uma sofisticação e inteligência ao trabalho que a composição é incapaz de alcançar. As letras são genéricas, repetindo temas e motivos batidos do gênero distópico que só soam contemporâneos porque o grupo bate suas óbvias metáforas na cabeça dos ouvintes como se fosse um martelo.

O tema principal do álbum é uma narrativa de bem vs mal, com direito a vilões cartunescos e críticas sociais dignas da mente de um adolescente. O pior de tudo é que a própria banda parece acreditar que estão produzindo algo com muito conteúdo, ao invés de apenas reformular o que tem feito desde The Resistance, há nove anos. Cientes de que canções como “Uprising”, “Undisclosed Desires” e “Resistance” possuem um grande apelo até hoje, o Muse parece estar concentrado demais tentando reviver esses momentos ao invés de injetar vida e criatividade a seus novos trabalhos.

Há muito pouco em Simulation Theory que soe genuíno, ao invés de um produto manufaturado pelo próprio sistema contra o qual a banda jura se rebelar. Não é a toa que até mesmo no visual da capa do disco eles parecem adotar de vez a estética de videogame. O oitavo disco do Muse é apenas pose, uma tentativa de criar refrões que serão cantados em arenas e tocarão nos créditos finais de alguma ficção pós-apocalíptica plastificada. Antes mesmo que o disco finalmente acaba, o único desejo que o ouvinte pode ter é que o mundo finalmente acabe.

OUÇA: “Uprising”, “Undisclosed Desires” e “Resistance”… Opa, disco errado. “The Dark Side” é a única canção ligeiramente interessante do álbum.

The Darkness – Pinewood Smile


Desde o estrondoso Permission To Land (2003) eu me mantive bem distante do The Darkness pelo simples motivo de ser um tiro no escuro, um daqueles álbuns que emplacam e põe a cara da banda no mundo mas põe a carreira dela em irrelevância logo em seguida, incapaz de se sustentar; e infelizmente eu estava certo quanto a isso, entre uma notícia e outra era claro que o ápice da banda era seu debut e resto da carreira seria apenas uma sombra do que já foi um dia, e depois de longos 5 anos o efeito dominó se mostra mais evidente do que nunca, não tendo absolutamente nada de novo a oferecer além de pura imaturidade e tesão desenfreado sendo usado como desculpa pra uma vida e trabalho já sem nenhum sentido.

O álbum já começa aos tropeços com “All The Pretty Girls”, que nada mais é do que uma ode àquela garota “especial e diferente das outras”, que na verdade é qualquer garota, os caras simplesmente não notam o quão otários estão sendo, comportamento esse que fica mais visível ainda em “Solid Gold”, um exemplo perfeito do descaso da banda com o próprio trabalho e, consequentemente, com o resto do mundo, se afogando no marasmo trazido pela fama, praticamente todas as faixam seguem sem nenhuma noção e fazendo cada vez menos sentido, desde “Southern Trains”, que supostamente seria algum tipo de protesto contra a situação precária dos meios de transportes públicos mas acaba por soar como o choro de marmanjo classe média mimado que por algum motivo resolveu pegar um trem uma vez na vida e não gostou muito da experiência, até “Japanese Prisioner Of Love” que tem uma das origens mais patéticas do álbum (auto confinamento numa prisão enquanto a mesma é visitada por turistas e de alguma forma se torna uma metáfora para uma relação amorosa em declínio por mero capricho do casal [???]). Mesmo com as próprias entrevistas da banda explicando faixas e objetivo do trabalho, tudo continua parecendo mais e mais com um monte de desculpas esfarrapadas.

Pinewood Smile estranhamente é pura nostalgia, mas no pior sentido da palavra, não é nenhuma surpresa você se pegar lembrando de Green Day, The All-American Rejects, Blink-182 e afins em seus respectivos auges, a sensação de cópia desgasta bastante o álbum, a conexão entre as faixas é quase nula, some uns “fuck” aqui e uns “shit” ali com os arranjos típicos do The Darkness e está feito o remendo, tornando tudo uma mistureba sem rumo ou propósito. A desvalorização da mulher e a cegueira causada pela fama tornam o álbum extremamente sofrível. Provavelmente a intenção, como de costume, era um álbum casual e divertido, mas acaba não passando de pura alienação, desrespeito e retardo do animal homem, a evidência cabal disso é a faixa final do álbum “Stampede Of Love”, que não bastando ser a faixa mais desconexa do álbum em todo aspecto possível, é também uma “piada” triste, irritante e de mau gosto sobre uma moça gorda.

Num geral Pinewood Smile se sustenta apenas pela sonoridade fácil e já conhecida por qualquer pessoa que curta um sonzinho mais alternativo e pop rock da vida, mas cai por terra pelo vazio e ignorância em seu conteúdo lírico, deixando claro que a banda segue vivendo num mundinho só dela sem nenhuma ligação com seu público ou qualquer ouvinte aleatório que tenha um pingo de bom senso, deixando claro que perdeu de vez o tato com a música e a realidade. Infeliz e decadente são as melhores formas de definir o trabalho do The Darkness, mas se por acaso você achar intensidade e poesia em “we are all but bubble and squeak in the frying pan, the frying pan of life”, esse álbum é pra você, fora isso, não há riff que salve esse álbum do esquecimento.

OUÇA: A voz da razão e se mantenha longe dessa joça.

Marilyn Manson – Heaven Upside Down


Por muitos anos, seja por performances icônicas, letras e capas de álbum chocantes ou rumores grotescos, Marilyn Manson sempre se destacou como um artista que sabe chamar atenção e, acima de tudo, sabe como prendê-la. Conflito com outras celebridades, aparições em séries famosas, pense a vontade nas possibilidades e você verá que Manson se encaixará nela de alguma forma.

Mas, uma pergunta muito importante parece não se cala mais, visto que o cantor já está praticamente batendo na porta dos 50 anos de idade e sua música, apesar de ainda contar com uma legião de fãs pelo mundo, não tem mais o mesmo impacto de antes: em 2017, quase 20 anos depois do auge de sua carreira, ele ainda consegue ser tão chocante? Se a resposta para esta pergunta parece negativa, o motivo provavelmente está no fato de que muitos outros artistas, conforme as últimas décadas se passaram, também quebraram quase que por completo as barreiras e padrões da indústria musical, talvez, com a mesma intensidade que Manson, seja no cenário do rap ou do rock mainstream mas, principalmente, no meio alternativo, de onde o mesmo surgiu.

Nos últimos álbuns, Born Villain (2012) e Pale Emperor (2015), muitos se surpreenderam, positivamente, com as temáticas mais dramáticas e, visivelmente, maduras que o cantor havia preparado, mostrando que havia algo além de um performer, mais humano e sentimental do que o conhecido. Porém, no fundo, a relevância do músico em baixa não lhe rendeu um sucesso considerável.

Em Heaven Upside Down, desde de seus primeiros teasers em vídeo, mensagens estranhas no Instagram somados a entrevistas e fotos de divulgação onde Manson até mesmo apareceu novamente com suas icônicas lentes de contato, era evidente que a abordagem, desta vez, seria voltada a nostalgia: um novo álbum, que bebe da mesma fonte que deu vida sua sonoridade, renovados e prontos para chocar o mundo novamente. Sexo, religião, armas, violência e drogas. 

Faixas como “Je$u$ Cri$i$” e “Revelation #12” fazem, definitivamente, um esforço para que a imagem de Manson seja estampada com estes elementos novamente. Já em “Kill4Me”  as coisas mudam, com uma sonoridade electro-pop assassina. Em palavras diretas, podemos dizer que qualquer fã antigo do cantor encontrará os riffs mecânicos, vocais suspirados e berros agudos, enfim, todos os elementos que já estão acostumados e adaptados.

Se o músico retomará sua relevância com este album ao mainstream, fica difícil prever, mas podemos esperar longas turnês de divulgação pelo mundo, regadas a fãs nostálgicos e um Marilyn Manson que, apoiado em sua carreira como ator, retorna extremamente performático e com uma imagem sua persona de vilão intacta. Para os que procuram um álbum como seus antecessores, sentimos muito, mas esperamos que isso não anule suas vontades de experimentar este novo trabalho.

OUÇA: “Je$u$ Cri$i$” e “Revelation #12”

Foo Fighters – Concrete And Gold


O Foo Fighters chegou ao patamar de banda que não precisa se esforçar muito para agradar aos fãs. Não vemos grandes inovações já faz algum tempo. Mesmo assim, continua sendo uma banda gigante lançando álbuns coesos. Concrete And Gold não foge a regra. É um bom disco, porém com poucas coisas novas para apresentar. Mostra uma banda acomodada, mas ainda muito competente no som que se propõe a fazer.

O álbum se encaixa com os trabalhos mais recentes da banda, fechando quase que uma trilogia com Wasting Light (2011) e Sonic Highways (2014). Contudo, as características que fizeram de Wasting Light um álbum realmente interessante lá em 2011, já não funcionam com a mesma eficácia aqui. Concrete And Gold, sonoramente, parece ter pouca coisa nova a oferecer. Há algumas tentativas de dar uma cara “retrô” para o álbum e até alguma aproximação com o stoner rock, mas nada que vingue e dê substância ao disco. Apesar disso, vale a pena lembrar que no caso do Foo Fighters, lançar mais do mesmo nem sempre é algo de todo ruim.

Concrete And Gold tem momentos ótimos. O disco começa muito bem com a sequência “T-shirt”, “Run”, “Make It Right” e “The Sky Is A Neighborhood”. A abertura do disco profetiza algo grandioso, intenso e dramático. “Run” é provavelmente a melhor canção do Foo Fighters em anos. Consegue unir elementos de força e tensão com viradas fluídas que funcionam muito bem. “The Sky Is A Neighborhood” é outro ótimo single que apresenta um rock alternativo denso e grandioso, daqueles para ser tocado em estádios lotados.

Apesar do ótimo começo, a proposta inicial se dissipa em canções menos memoráveis. O álbum perde força drasticamente na segunda metade, dando impressão que você entrou numa playlist qualquer de b-sides do Foo Fighters. A insipidez acaba marcando boa parte do disco. Não se tratam de canções ruins, mas sim, repetitivas e esquecíeis.

Apesar de ser um álbum satisfatório, Concrete And Gold reforça a possibilidade do Foo Fighters estar se aproximando de bandas como o Red Hot Chilli Peppers ou o U2. Milhares de fãs fieis e shows lotados, porém sempre apresentando uma repetição de si mesmos. Torcemos para que David Grohl não acabe como o próximo tiozão do rock.

OUÇA: “Run” e “The Sky Is A Neighborhood”

Queens of the Stone Age – Villains


Muitas pessoas pensam em Mark Ronson como o produtor do pop que aparece no clipe de “Uptown Funk” com o Bruno Mars e que nunca produziria um álbum de rock. A verdade é que “Uptown Funk” faz parte de um disco de Ronson voltado para o funk e para o soul e que Bruno Mars é apenas uma das participações do disco, que incluem Andrew Wyatt, Kevin Parker e Stevie Wonder. Além disso, Ronson já produziu singles de artistas como Adele, Amy Winehouse e Paul McCartney. Da mesma maneira, muitas pessoas pensam no Queens of the Stone Age como a banda de bad boys do stoner rock do deserto com o baixista nu e o vocalista que briga com a plateia e que nunca faria um trabalho dançante como Villains, sétimo disco da banda de Palm Desert, California.

A escolha do produtor Mark Ronson e a levada que a banda escolheu para as músicas de Villains pode parecer uma surpresa, tendo em vista discos e performances mais antigos da banda, mas a surpresa seria maior se o Queens of the Stone Age não seguisse por um caminho como esse, pois a cada disco que a banda lança, podemos perceber claramente as influências que os levaram a fazer tais músicas. Por exemplo, a experiência de quase morte que Josh Homme teve em 2011 influenciou extremamente o clima sombrio e as letras de …Like Clockwork – disco que também trouxe uma adição maior de harmonias e teclados – característica não tão presente em músicas de outros discos como “No One Knows” e “In My Head”.

A primeira faixa do disco, “Feet Don’t Fail Me”, já estabelece claramente o tom do álbum, usando sintetizadores e a pegada dançante das guitarras e batidas. As influências continuam em “The Way You Used To Do”, primeiro single de Villains, mas a faixa ainda traz os elementos de stoner rock característicos na discografia da banda – provando o quão bem o Queens of the Stone Age consegue incorporar novas influências sem descaracterizar-se. As duas músicas mais “rock’n’roll” do disco são “Head Like A Haunted House”, com uma pegada mais rockabilly e “The Evil Has Landed”, trazendo mais uma vez as características stoner rock e riffs e solos sujos de guitarra. A faixa final é “Villains Of Circumstance”, mais calma e mais sombria – trazendo orquestrações e o foco na voz do vocalista Josh Homme, às vezes lembrando o que Elvis faria nos dias de hoje.

Cada vez que o Queens of the Stone Age anuncia um novo trabalho, a única certeza que podemos ter é que ele não será mediano. O alto nível imposto pelos discos anteriores da banda está muito claro em Villains, trazendo uma banda ainda mais madura que em …Like Clockwork e mais consistente que em álbuns anteriores. Pode-se esperar perfomances ao vivo memoráveis dessa banda singular no cenário atual, cujos limites de criatividade vão muito além do comum.

OUÇA: “Feet Don’t Fail Me”, “The Way You Used To”, “Head Like A Haunted House”, “The Evil Has Landed” e “Villains Of Circumstance”

Zac Brown Band – Welcome Home

_______________________________________

O Zac Brown Band é um dos atos da música country americana que mais se aventurou nos últimos anos. Por exemplo, ao longo de sua discografia, eles lançaram um EP mais roqueiro, The Grohl Sessions, Vol. 1 de 2013, produzido por Dave Grohl e incluíram influências e batidas eletrônicas como no single “Beautiful Drug” de 2015. Os resultados dessas experiências são os mais variados, e vão desde a efusão de elogios ao citado EP até a vergonha alheia de “Beautiful Drug”. Neste ano, o Zac Brown Band retorna com o inédito disco cheio Welcome Home que, como o título sugere, anda por caminhos mais tradicionais e familiares ao se reaproximar das raízes country da banda.

O disco é aberto por “Roots”, faixa que já antecipa a sonoridade que, com pequenas variações, será desenvolvida ao longo das dez faixas. É um som muito mais acústico, com mais violões e menos guitarras do que a banda vinha apresentando em seus últimos e irregulares trabalhos. Há espaço para vários gêneros da raiz americana. Além de country e americana, há espaço para um leve toque de jazz e para o bluegrass de “Family Table”. Todas as canções são bem arranjadas e a qualidade dos músicos salta aos ouvidos. Merece ainda destaque as harmonias vocais e, no fim, poucas são as canções que passam em branco. “Start Over” e “2 Places At 1 Time”, por exemplo, são números que, apesar de caprichadas, pouco agregam ao trabalho.

Liricamente, a banda segue a mesma linha presente em vários momentos de discos anteriores. São letras que não se arriscam muito e que tem o objetivo de despertar no ouvinte sentimentos positivos e nostalgia. Para muitos pode soar cafona, mas para tantos, principalmente os norte-americanos que levam uma vida pacata longe dos grandes centros, essas letras deverão acertar em cheio. Ao longo do disco, temas como paternidade, ser fiel às raízes e reuniões familiares são recorrentes. Canções como “My Old Man” ou “Real Thing” foram feitas para emocionar um público mais amadurecido e que esteja disposto a ouvi-las sem escudos, com o peito aberto.

É quase estranho ouvir Welcome Home em 2017. Há tempos, a música country americana com destaque na mídia deixou de ser música sobre e para pessoas simples do interior. Houve uma migração instrumental e de temas para um formato pop-rock, cheio de atitude e superestrelas, da mesma forma que tem ocorrido com a música sertaneja no Brasil. É estranho então ver o Zac Brown Band, que fez com sucesso essa mesma migração, simplificar seu som, fazer o caminho de volta e retornar às raízes da sua música. Um passo um tanto quanto não convencional e corajoso.

Welcome Home expõe uma banda que não está preocupada em ser cool ou moderna, tanto na sonoridade quanto nas letras. São arranjos ricos e letras simples feitos para marejar os olhos de emotivos desavisados. O Zac Brown Band não precisa de experimentações e menos ainda de provar nada para ninguém. A qualidade dos músicos e o sucesso comercial já são fatos mais do que reconhecidos. A vitória dessa vez é nos trazer de volta para casa, nos deixar a vontade ou até nos fazer sentir saudade da casa dos nossos pais. Só pode ser dito que, com Welcome Home, essa missão foi gloriosamente alcançada. 

OUÇA: “Family Table”, My Old Man”, “Roots” e “Real Thing”

The Pretty Reckless – Who You Selling For

pretty

_______________________________________

Desculpem o transtorno mas precisamos falar sobre The Pretty Reckless e esquecer todos os preconceitos em torno da “banda da menina de Gossip Girl”. Temos aqui uma grande prova de que ainda é possível fazer bons discos sem grandes artifícios e firulas. É renovador. Por incrível que possa parecer, Who You Selling For é um disco de rock and roll revigorante e que te faz ter vontade de sair dirigindo por uma auto estrada sem controle.

O ponto alto do disco certamente fica com a participação do guitarrista diversas vezes listado entre os melhores do mundo, Warren Haynes, na faixa “Back To The River” que traz um dos melhores vocais de Momsen em todo o álbum. Passa pela cabeça que a banda vem trabalhando num caminho inverso ao que se espera dos artistas, tornando seu som mais cru e rasgado a cada lançamento.

A cada registro podemos ver a evolução de Taylor Momsen como vocalista e cada vez mais se firmando como uma artista competente e se afastando da imagem da Jenny da série de tv. Tudo isso ladeada por músicos competentes que dominam sonoridades que vão do hard rock ao blues e trazem influências claras de grandes nomes como Rolling Stones e Led Zepellin.

Com mais alguns suspiros de classic rock, country e folk, este terceiro disco da carreira dos novaiorquinos serviu para mostrar que The Pretty Reckless é uma banda a ser levada a sério e foi mais um prego no caixão da idéia de que o rock está morto.

OUÇA: “Wild City”, “Already Dead” e “The Devil’s Back”.