The Lemon Twigs – Go To School


É difícil pensar em alguma banda formada nos anos 2000 cujas influências iniciais não sejam calcadas no cânone do rock clássico: Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan, Pink Floyd, Queen e por aí vai. Cada grande banda da virada do milênio com sua especificidade de influências, todos os grandes nomes beberam dos clássicos: de Oasis a Arctic Monkeys no Reino Unido, de Muse a Strokes nos Estados Unidos, todo esse pessoal, em algum ponto de sua formação musical, discutiu com os colegas de banda qual era o melhor disco dos Beatles.

Isso foi especialmente marcante no início dos anos 2000 com as primeiras bandinhas de indie rock dançante, à la Fratellis, The Kooks, The Wombats, cujas raízes nos elementos retrôs desse “rockzinho” eram elementos marcantes, mas pareceu se afastar da produção mais atual no indie-rock-pop, que tira sua firmeza de elementos do início da eletrônica, do punk e de um folk não-acústico, como Hinds, Mac DeMarco, Homeshake e por aí vai. Os elementos de retrô seguem fortes, mas não mais pautados no rock de pai.

Quem vai na contramão dessa onda são os irmãos D’Addario que, sob nome artístico de The Lemon Twigs, lançam seu segundo álbum, Go To School. Fortemente pautado nesse rock clássico, o som dos meninos de 19 e 21 anos me transporta para minha própria adolescência e início de formação musical: discussões pautadas em Beatles x Rolling Stones e uma influência estética forte de Swinging London, uma busca forte por bandas de rock dos anos 70.

Fortemente apoiado em melodias simples, com muito violino, piano e vocais afinados, Go To School aposta em uma narrativa que se estende pelo disco inteiro: a de um macaco adolescent criado por humanos que passa por todos os processos de questionamento (de si, da sociedade, do mundo) que adolescentes humanos. Em letras (e melodias) pouco grudentas, os meninos D’Addario navegam pelas referências de rock clássico com bom humor e leveza, fazendo um disco confortável. Por vezes, a construção do menino macaco se torna um pouco cansativa — e afasta algumas melodias que poderiam ser mais hits pela necessidade de firmar uma progressão narrativa.

A mistura da metáfora simples dos embates sociais e existenciais do macaco e da volta à natureza com o conforto do instrumental “conhecido” por qualquer um que tenha o rock clássico como referência cria um disco que, como foi posto pelo Pitchfork, é perfeitamente adequado à idade e período de vida dos meninos. De caráter performático e meio glamuroso, eles trazem um contraponto interessante à cultura do despojado “feito em casa” que reina na música independente há quase duas décadas — apesar de a gravação do álbum ter ocorrido essencialmente no porão da casa dos pais dos D’Addario, que participam na produção do álbum.

Desde a estréia da dupla com Do Hollywood, em 2016, que já vinha com essa proposta “saudosista” forte, adotada com outras referências por bandas como Whitney, Foxygen e as próprias meninas HAIM, os Lemon Twigs se mostram bastante promissores. Go To School é o encaminhamento do que foi iniciado há dois anos: jovens em busca de uma voz própria em meio a muitas referências variadas e ricas. Porém, assim como o experimentalismo pelo experimentalismo pode ser cansativo, o retrô em excesso é limitado. E, a julgar pelo repeteco de Go To School, pode ser um desafio para os D’Addario vislumbrar novos horizontes e formular uma identidade pautada, bem, neles mesmos.

OUÇA: “The Fire” e “Wonderin’ Ways”

We Are Scientists – Helter Seltzer

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Como alguém que não conhecia a banda até então, digo que ele me ganhou pelo som, que te conquista logo de cara com “Buckle” (e seu clipe gastronomicamente cômico). Como um amante de trocadilhos, preciso dizer que o álbum me ganhou pelo nome (uma junção de “Helter Skelter” – a famigerada música que alguns dizem ser a primeira de heavy metal da história, mas que também significa desorganização, confusão –  e seltzer – água com gás). Analisando o nome, já entendemos a proposta da banda: uma confusão, que te leva do topo ao fundo, como o helter skelter, e que tem uma certa leveza, como a água com gás.

Helter Seltzer, sexto trabalho da banda, conta com músicas que realmente grudam logo de primeira, como “Too Late” e “Classic Love”, e contam com o fator das músicas serem nitidamente diferentes entre si, não deixando aquela estranha (ou melhor, confusa) sensação de se estar ouvindo uma só grande música (alô, Scalene!). Existe uma pequena chance (quase certeza, na verdade) de você ficar cantarolando “don’t stop now, it’s never too late” e/ou ”classic love isn’t good enough anymore”.

Tal qual a capa do álbum, as músicas abrem um espaço para as mais variadas interpretações, tornando-as facilmente correlacionáveis com inúmeras situações e, como consequência, serem igualmente fáceis de serem amadas (e depois odiadas). A recomendação para ouvir são os singles que, com certeza, foram escolhidos a dedo para serem lançados como tais: “Buckle”, “Too Late” e “Classic Love”.

OUÇA: “Buckle”, “Too Late” e “Classic Love”.

Weezer – Weezer (The White Album)

WEEZER

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É difícil fugir do lugar-comum quando se fala de Weezer, o álbum branco do Weezer. Mas a verdade é que este é mesmo o melhor trabalho da banda desde Pinkerton. E lá se foram vinte anos! Rivers Cuomo e companhia desperdiçaram os primeiros quinze anos deste milênio com bons singles em discos fracos (com menção honrosa para o bom Green Album de 2001). A virada havia sido apontada em Everything Will Be Alright in the End de 2014, um disco mais melódico e grudento como o bom e velho Weezer deve ser, mas que também continha momentos bastante esquecíveis. Em 2016, a banda finalmente entrega o que se espera: um álbum com dez músicas fortes, refrãos marcantes, paredes de guitarras e dedilhados cheirando a 94.

Nas palavras de Cuomo, Weezer é inspirado na vida e nas pessoas do Westside de Los Angeles com suas praias e garotas no Tinder. Por mais vazio que isso possa parecer, a banda soube construir a trilha sonora exata para esses cenários e personagens. As letras espertas do Weezer continuam sendo as letras espertas do Weezer e isso torna tudo mais interessante. Não faltam referências sobre a Divina Comédia, Adão, Mendel ou Darwin ao falar sobre relacionamentos. E no fim das contas essa sempre foi a alma da banda. A alma do Weezer sempre foi a do garoto nerd (when nerd was nerd…) na busca do amor da garota dos seus sonhos. E isto está de volta aqui, seja nas letras, seja no vídeo para “L.A. Girlz”.

Quanto à música, é realmente impossível não comparar este novo trabalho com a sonoridade apresentada no Blue Album ou no Pinkerton.  A parede de guitarras de “No Other One” está de volta nas guitarras de “L.A. Girlz”, o dedilhado na introdução de “My Name Is Jonas” está de volta na introdução de “California Kids”. Mas há um frescor nessas novas músicas que em momento algum a banda soa como cover de si mesma. Há momentos mais pesados como “Do You Wanna Get High?” e outros mais lúdicos e divertidos. A tal influência de Beach Boys, citada por Cuomo e pelo produtor Jake Sinclair, fica clara em canções como “(Girl We Got A) Good Thing” e “Summer Elaine And Drunk Dori”, com destaque para a última e sua letra que diz que Deus é mulher.

O ritmo tem uma queda nas duas últimas canções, mas nada que torne o álbum ruim. Para nossa sorte, a penúltima faixa “Jacked Up” tem menos de três minutos, o que torna o falsete de Cuomo suportável, perdoável e até divertido. O disco é então encerrado com “Endless Bummer” e seus três minutos acústicos e um último minuto barulhento. Caso a faixa fosse toda plugada não destoaria tanto do restante do trabalho.

O Weezer de 2016 trouxe de volta o espírito do Weezer da metade dos anos 90, mas em nenhum momento parece uma banda cansada reciclando ideias antigas. O Weezer de 2016 é uma banda jovem de verdade e pronta para os próximos vinte anos. Uma vez li que certa pessoa era feliz vivendo ao se enganar na esperança de que o Weezer ainda lançaria um disco bom. Bem, essa espera terminou neste ano e podemos todos ser felizes de verdade agora.

OUÇA: “L.A. Girlz”, “California Kids”, “Thank God For Girls”, “King Of The World” e “Wind In Our Sail”.

Never Shout Never – Black Cat

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Não, você não está lendo errado, essa é sim uma resenha sobre um novo álbum do Never Shout Never (não mais nevershoutnever) em pleno 2015. E cá estou eu no alto dos meus 21 anos escrevendo sobre uma banda que eu simplesmente amava quando tinha 14, 15 anos e simplesmente esqueci da sua existência nos últimos anos. Acho que um dos maiores motivos de querer escrever essa resenha seja pelo fato de querer voltar um pouco no tempo e perceber o quanto, o antes “one-man-band”, Christopher Drew e seus colegas de banda evoluíram no 7º álbum chamado Black Cat.

Antes de começar a falar sobre o novo disco, fui pesquisar os últimos lançamentos da banda e o que mais me chamou atenção foi um disco chamado Recycled Youth, Volume 1 que, como o próprio nome já entrega, é uma série de regravações de antigas músicas da banda, só que com novos arranjos, atmosfera e com um Chris Drew muito mais maduro nos vocais (tanto que na primeira audição até me surpreendi). Isso me deu um ânimo para ouvir o novo disco, porém tive uma quebra de expectativa logo na primeira música.

“Hey! We OK” é mais um daqueles hinos feitos pra te animar e dizer que tudo está bem, que seguem uma fórmula bastante usada por Drew em canções como: “Love Is Our Weapon”, “Harmony”, etc. Logo percebi o que ouviria nos próximos 34 minutos de audição do Black Cat: canções recheadas de violões, ukuleles, alguns sintetizadores aqui ou ali mesclados a letras sobre como o universo é maravilhoso e devemos espalhar o amor e paz e blá blá blá blá. E eu estava certo.

É inegável que em termos de arranjos e melodias a banda apresenta uma certa maturidade e sofisticação, mas nada que chame atenção de fato ou desperte algum tipo de interesse, infelizmente. A única música que eu destacaria como “vale a pena ouvir” é a faixa que dá título ao disco, por possuir uma letra com um tema mais politizado, bem diferente das composições usuais de Drew.

Bom, no final das contas fica bem claro que se você, assim como eu, não fazia ideia que o Never Shout Never ainda estava em atividade, não perdeu nada nesse meio tempo. Apesar do quase imperceptível amadurecimento, a banda continua sendo mais do mesmo, e se você não sentiu falta deles até agora, é porque você realmente não precisa preocupar em recuperar o tempo perdido.

OUÇA: “Black Cat” e “Hey! We OK”

Owl City – Mobile Orchestra

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“O que há de novo?” Essa é a pergunta que passou a minha cabeça ao escutar o novo registro de Adam Young. O músico canadense ficou conhecido lá em 2009 com o álbum Ocean Eyes, graças ao hit “Fireflies” – faixa essa que obteve um apelo enorme, alcançando primeira posição na parada americana da Billboard Hot 100 e entre outras. A canção até hoje foi o grande marco do Owl City.

Três anos depois, mais um álbum foi lançado. Dessa vez com uma pegada ainda mais pop e comercial que o anterior, Young mergulhou ainda mais fundo no pop, sem deixar de lado a melancolia de seus sintetizadores. Com o single “Good Time”, Adam contou com a colaboração de Carly Rae Jepsen, artista essa que na época também possuía um hit tão chiclete quanto “Fireflies”. Quem nunca escutou “Call Me Maybe”, mesmo sem querer, mesmo detestando ou até se rendendo ao divertimento da mesma? “Good Time” conquistou bons resultados nas paradas musicais, chegando perto dos sucessos que foram “Fireflies” e “Call Me Maybe”, mas ainda sim não foi o bastante para desmistificar o sucesso de uma faixa ou um disco só.

Mais três anos passados após o lançamento de seu último registro de estúdio, Owl City anuncia mais um álbum. Ainda sob o fantasma do passado, mais conhecido como “Fireflies” ou melhor Ocean Eyes, dessa vez sem uma cantora pop com hit chiclete para juntarem as forças radiofônicas e ganharem reconhecimento, o terceiro álbum orquestrado por Young, o Mobile Orchestra foi lançado. Recheado de participações, como os Hanson – sim aqueles do “Mmmbop” e do “Save Me” –  Jake Owen e outros nomes. O novo registro não foge à regra de seu álbum anterior, mantendo o ritmo do pop mainstream, Young mistura canções que mais parecem terem saído de algum álbum do David Guetta numa versão delicada com sintetizadores melancólicos. Além de manter a mesma linha musical, suas composições continuam com o ar espiritualizado de sempre. Mobile Orchestra não veio com ares de novidade, ao escuta-lo percebe-se que nada mudou nesse intervalo de três anos, quiça de seis.

Para não dizer que Mobile Orchestra é uma grande perda de tempo, a faixa “Back Home” é a que melhor se destaca entre as dez. Com a participação de Jake Owen, a junção da música country com o pop melódico, não me pareceu soar tão penosa ou talvez seja apenas uma má impressão ao querer encontrar alguma canção que valesse a pena escutar ou até mesmo seja o único indicio meio perdido de novidade que percebi no disco inteiro. A faixa “Unbelievable”, conta com a participação da banda Hanson, à primeira vista causa um estranhamento por conta da colaboração da boy band, sucesso nos anos 90, mas à medida que presta-se atenção no álbum como um todo, percebe-se que essa participação se encaixa perfeitamente com o saudosismo vivido por Adam em sua nova velha obra já vista anteriormente, há anos atrás.

Com Mobile Orchestra nota-se a falta de algo realmente novo a se dizer, a se mostrar. Entre canções que fazem lembrar qualquer outra música que o musico já tenha feito, Adam Young permanece em seu autoplágio no novo disco – sendo novo apenas para expressar a nova safra de músicas que não havíamos escutado e que pra falar a verdade, nem precisávamos.

OUÇA: 

 

Nate Ruess – Grand Romantic

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O aguardado álbum de estréia do vocalista do trio de sucesso fun. é difícil de definir. A boa recepção do Bleachers, projeto do companheiro e guitarrista da banda, Jack Antonoff, fez com que olhos e ouvidos se virassem para Nate e o que poderia vir a lançar. A curiosidade talvez encontre justificativa no Grand Romantic, dono de uma múltipla personalidade.

O álbum se anuncia na primeira faixa e encerra o ciclo Some Nights na segunda com o single “AhHa”, pondo um ponto final no período. O Grand Romantic surge mesmo em sua terceira faixa, “Nothing Without Love”. A partir daí, nos é contada a história do maior romântico, anunciando suas paixões e desilusões, nos levando do total otimismo ao auge de seu pessimismo. Na décima música a história parece se encerrar como um relacionamento, de forma melancólica. Mas “Harsh Light”, talvez seja aquele empurrãozinho para recomeçar – mesmo que isso signifique somente ficar bêbado – e “Brightside” contempla as noções do último romance com noções que se aproximam mais da realidade.

Não sei se supriu as expectativas, mas não é ruim. Grand Romantic é composto de altos e baixos. É mais um entre tantos que navega na influência da década de 1980 mas em muitas outras também. Tem outro de “Some Nights”, citação de The Doors, melodias a lá Wham! e George Michael e uma pitada de Beatles e Elton John na parceria com Beck.

O alcance vocal de Ruess é conhecido e por vezes os agudos se encaixam como luva, mas outras vezes são tão somente excessivos. A duração de certas canções também incomoda pela repetição, se estendendo demais quando poderiam durar 2 ao invés de 4 minutos. Os excessos tornam a experiência maçante, de certa forma, por alguns preciosos minutos, enquanto poderiam e deveriam ser evitados.

Sim, em alguns momentos o disco faz lembrar o fun., mas não sem antes deixar bem claro quem está por trás de tudo. Todas aquelas influências que Nate sempre disse carregar de pessoas como Jeff Tweedy, Jeff Lynne, Prince e o próprio Beck, afloram no projeto solo do vocalista. Não é exatamente um primor ou primeiro lugar no quesito inovação, mas é OK.

OUÇA: “AhHa”, “You Light My Fire”, “Great Big Storm”, “It Only Gets Much Worse” e “Harsh Light”

All Time Low – Future Hearts

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Eu cresci ouvindo pop punk. Não existia melhor gênero musical pra mim, lá quando eu tinha os meus 15 anos de idade. Minha biblioteca de mídia era repleta de bandas que tocavam na Warped Tour. O All Time Low foi uma das poucas bandas desse momento que eu conheci bem lá no início da carreira, pra ser mais exato num disco que reunia várias bandas desse gênero num tributo ao blink-182, e mesmo soando como todas as outras bandas ali, me tornei um grande fã dos caras. Os anos foram passando e todas as pessoas ao meu redor só falavam num tal de “indie rock” e pra começar a me enturmar no assunto eu passei a ouvir as bandas desse estilo, e vejam só eu gostei pra caramba e com o passar do tempo fui deixando de ouvir todas essas outras bandinhas pop-punk, e o All Time Low em especial depois do péssimo Dirty Work.

Eis que no ano de 2015, num momento em que eu me encontrava sem bandas novas, decidi procurar o que o All Time Low estava fazendo, e me deparo logo com a ótima “Something’s Gotta Give”, o primeiro single do novo álbum dos caras, chamado Future Hearts. O single me mostrou uma banda mais madura, porém com a mesma essência dos seus primeiros trabalhos, e me fez repensar o motivo de ter parado de ouví-los.

Future Hearts soa como uma fusão do primeiro disco da banda So Wrong, It’s Right e o seu sucessor Nothing Personal: uma mistura de pop-punk, baladas powerpop tudo com uma inclinação ao emo especialmente projetadas para manter seus fãs felizes. E quer saber? Funciona! Até porque a maioria das bandas que seguiam essa linha no passado ou acabaram ou mudaram bastante sua sonoridade (vide Paramore e Fall Out Boy). Enquanto isso o All Time Low sempre soube balancear seus hinos pop punk e sua sonoridade mais emo, e é bem fácil de percebe como eles conseguiram balancear essa sonoridade com o passar do tempo.

Num mundo perfeito esse seria o álbum que o All Time Low teria feito no lugar do Dirty Work, isso porque o Future Hearts possui mais acertos do que erros. Pegue como exemplo a balada “Tidal Waves” que contém a participação de Mark Hoppus nos vocais, e que tem potencial suficiente pra superar “Remembering Sunday” uma das maiores canções da banda. Além disso, não existe a intenção de emplacar uma única música como a melhor do disco, isso porque todas elas foram bem trabalhadas e formam um ótimo resultado como um todo.

Eu cresci ouvindo pop punk. E é muito bom saber que em pleno 2015 ainda existam bandas como o All Time Low que carregam a mesma essência e vitalidade desse gênero, carregando um legado de bandas que faziam o mesmo lá no passado.

OUÇA: “Something’s Gotta Give”, “Satellite”, “Tidal Waves” e “Kids In The Dark”

The Maine – American Candy

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Primeiramente, é impossível falar do American Candy sem antes considerar os álbuns que o antecederam. Não porque seja uma continuação dos outros trabalhos, muito pelo contrário. Sempre houve uma constante pop nos outros trabalhos, mas que acabava se fundindo com elementos de indie e rock.

No último disco, Forever Halloween, esses lados coexistiram em relação direta com um lado mais sombrio e introspectivo. Em American Candy, melodicamente, a banda deixa mesmo de lado sua faceta mais alternativa e mergulha de cabeça na pegada pop. O som experimental de algumas faixas anteriores e alguns b-sides, por exemplo, não encontra equivalência em nenhuma das músicas novas.

Seguindo essa tendência, as letras também ganharam nova roupagem, aliás, se despiram. John sempre brincou com as palavras em suas composições – metáforas, analogias – ou seja, havia maior espaço para interpretação. Os versos ficaram mais simples e diretos, não há rodeios, é o que é, como se vê nos singles “English Girls” e “Miles Away”.

Feitas essas considerações, digo que é, sim, um bom álbum. Ele é pra cima e não há a menor possibilidade de você ficar sentado durante as 10 faixas, além de bem humorado, principalmente, quando aborda questões da indústria cultural norte-americana. Até quando explora questões pessoais como autoconfiança e certos anseios e ansiedades frutos do tempo, há certo cuidado em transmitir algo positivo, uma espécie de “vamos debochar e rir dessa situação”, uma terapia gratuita, diria.

John, disse, em entrevista, que o CD era como uma “volta de montanha russa”, e é exatamente esse o sentimento que fica. Existe um unidade sonora perceptível que, no entanto, não é cansativa, você chega na última música querendo revisitar a primeira – no termos do vocalista, quando a sua vez (volta) acaba, você quer tudo de novo. Não é inovador mas é ótimo de ouvir.

OUÇA: “Miles Away”, “My Hair”, “Am I Pretty?”, “(Un)Lost” e “American Candy”

Weezer – Everything Will Be Alright In The End

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Everything Will Be Alright In The End, o novo álbum do Weezer, antes de qualquer verso ou solo de guitarra, começa com uma voz de criança dizendo: ‘I had another nightmare’, e sua mãe respondendo: ‘Go back to sleep honey… everything will be alright in the end’. E foi com esse lema que o Weezer voltou em 2014, tentando afastar os fantasmas recentes, que, por algumas vezes, causaram uma mobilização dos fãs para que a banda acabasse. O objetivo, agora, mais do que nunca, foi retomar à era de sucesso do começo dos anos 90, almejando que no fim tudo acabe bem. Para isso, eles voltaram a ser produzidos por Ric Ocasek, que foi responsável simplesmente pelo Blue Album e o Green Album da banda, e atualmente produz a Demi Lovato.

Após o diálogo inicial citado, ”Ain’t Got Nobody”, a primeira faixa, apresenta-se como uma excelente faixa, com um Weezer explosivo e contagiante, bem do jeitinho que nos conquistou. Em “Back To The Shack”, a banda demonstra claramente mais uma vez o seu desejo e saudosismo de ser aquela dos anos 90, pedindo desculpa aos fãs e dizendo que gostaria de fazer um rock como se fosse 1994.

“Eulogy For A Rock Band” , a terceira faixa, lembra os melhores trabalhos já realizados pelo quarteto. E é uma das melhores músicas do álbum, sem dúvida. “Lonely Girl” não é diferente. Nesta faixa somos presenteados com riffs bem bons, enquanto o Rivers fala da sua garota solitária. “Da Vinci” é uma das candidatas a melhor música do álbum, contando com um assovio grudento, seguido de uma explosão e um “ôôôôôô” daqueles apaixonantes no background (e ainda tem um piano incrível no fim). Tinha como não funcionar?

E num álbum de faixas com nomes incríveis como “Da Vinci”, não poderia faltar “Cleopatra”, certo? A faixa começa com uma gaita e conta com guitarras melódicas, arranjo ótimo e uma mudança de ritmo surpreendente com 1:44. Em alguns momentos também me lembrou Dinosaur Jr, veja você.

“Foolish Father” é mais uma que merece destaque, pois, quando completa 2 minutos de duração, nos traz um solo excelente e na sequência termina com o trecho ‘Everything will be alright in the end’ sendo repetido mais uma vez, para que jamais seja possível esquecermos.

“The Waste Land” é a cara do Weezer, só que instrumentalmente apenas. 1:56 de instrumentos. Vale a pena! Conclusão: Everything Will Be Alright In The End não é um disco do Weezer nos anos 90, mas é o álbum que mais se aproxima disso nos últimos anos, faz com que não percamos a fé na banda, traz um pouco da saudade e eu, particularmente, acredito que o Weezer ainda tem algo a nos dar, depois desse trabalho. O grupo conseguiu me tocar de novo e isso é muito representativo em pleno 2014, quando falamos de uma das melhores bandas de indie rock da história, que um dia me conquistou de vez com o Green Album e recentemente só decepcionava seus fãs (incluindo eu).

OUÇA: “Ain’t Got Nobody”, “Back To The Shack”, “Eulogy For A Rock Band”, “Da Vinci” e “Cleopatra”.

Supercombo – Amianto

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O tempo parece só fazer bem a Supercombo, assim como as mudanças. Na cena independente desde o início da sua carreira, a banda criou uma base de fãs bastante fiéis. Agora, com uma nova formação e novas influências agregadas a bagagem, eles acabam de lançar seu terceiro disco de estúdio, Amianto. Segundo a banda, o disco teve origem ainda em 2011, logo depois do lançamento do Sal Grosso. Após ser muito bem arquitetado para que tornasse o mais completo possível, a banda o anunciou no meio do ano passado.

Definida a nova formação da banda, que ainda conta com o membro fundador Léo Ramos nos vocais e guitarra, e os novatos Pedro Toledo (ex-Tópaz) nas guitarras, Paulinho Vaz nos teclados, Carol Navarro (ex-Lipstick) no contra-baixo e Raul de Paula na bateria, o Amianto começou a ser gravado. A química da banda foi renovada, e se mostrava melhor do que nunca. Isso começou a se tornar muito visível tanto nos vídeos de making of do álbum que eles disponibilizavam na internet ao longo da produção, quanto nos shows que realizavam em meio as gravações.

A ansiedade cresceu bastante após o lançamento do primeiro single de trabalho do novo disco. “Piloto Automático”, que possui um refrão difícil de tirar da cabeça; é uma crítica a um estilo de vida bastante comum hoje em dia, em que somos guiados por um cotidiano, ligamos o piloto automático e não nos damos conta do que acontece ao nosso redor. Essa música já adiantava um pouco do que poderia se esperar do novo trabalho.

Flertando com o indie, nessa nova fase a banda trocou os sintetizadores dançantes, bastante presentes no seu debut, por linhas de pianos mais sérios, que preenchem com beleza cada canção. As guitarras além de serem bem pesadas e agressivas – características bastante presentes no último disco – também criam contrastes com melodias mais suaves. Outra novidade são os vocais femininos de Carol Navarro, que se encaixam perfeitamente com os graves de Léo Ramos – que em algumas canções explorou bastante os seus agudos. As letras com temas um tanto quanto diferentes, que sempre foram a marca registrada da Supercombo, ganham um tom mais sério, com muitas metáforas.

Partindo da ideia do nome do último disco (Sal Grosso), a banda continua intitulado seus discos com elementos presentes no dia a dia. Amianto é um elemento muito nocivo à saúde, entretanto, muito presente. Essa antítese é muito presente no novo álbum, músicas densas com guitarras pesadas e synths agressivos com melodias suaves, além de letras metafóricas sobre a vida e a morte. Amianto se destaca dos trabalhos anteriores da banda por ser um disco maduro e mais completo, e mostra como a Supercombo aguentou as mudanças e tirou vantagem disso tudo, se firmando no atual cenário da música nacional.

OUÇA: “Piloto Automático”, “Peso Da Cruz”, “Sol Da Manhã” e “Amianto”