Tove Lo – Sunshine Kitty



Com seu natural tom desbocado que tornou seu cartão de visita, Tove Lo retorna com um punhado de hinos de verão, mais ousada e experimental no quesito ritmos. Um refresh da sua série de álbuns sólidos e concisos, estabelecendo seu mais recente álbum entre os seus melhores trabalhos dos últimos anos.

Sua atmosfera sem papas na língua para falar sobre relacionamentos, decepções amorosas e sexo foi remodelada com um mix de ritmos e sonoridades diferente dos seus três álbuns predecessores. Uma ótima combinação entre suas composições mais vulneráveis em seu álbum mais dinâmico e dançante.

Destaque também para os feats potentes e certeiros com o ótimo mix de pop e funk com MC Zaac em “Are U Gonna Tell Her?” e o house afinado com Jax Jones em Jones em “Jacques”, duas apostas a hit das pistas e do verão. O highlight fica com a parceria com Kilye Minogue em “Really Don’t Like You” que já elogiou a sueca por seu pop moderno como um dos seus nomes preferidos na nova geração.

Apesar de seus feats, Tove se garante solo em ótimas faixas como em “Sweettalk My Heart”, “Stay Over” e “Shifted”.

Com Sunshine Kitty Tove entrega mais um trabalho consistente com um pop no ponto para salvar o seu verão.

OUÇA: “Stay Over”, “Really Don’t Like You” e “Sweettalk My Heart”

Taylor Swift – Lover



As primeiras cenas do videoclipe de “ME!”, primeiro single da nova era de Taylor Swift, já indicavam que os tons e dramas de reputation haviam ficado para trás. A cobra transformou-se em borboletas, e as cenas que se seguiram eram lúdicas e pintadas em cores pastéis servindo de pano de fundo perfeito para a coreografia e euforia das interpretações de Taylor e Brandon Urie, seu parceiro na canção. E esse é realmente o tom que preenche quase todas as faixas de Lover: um disco leve, divertido, apaixonado, recheado de boas mensagens e que peca apenas pelo excesso de faixas.

Musicalmente, Lover não é um grande avanço em relação ao que Taylor já fez. Dessa vez, ela estreitou ainda mais a parceria com Jack Antonoff e a sonoridade fica entre 1989, reputation e Red. Não que isso seja algo ruim, mas para quem espera grandes transformações sonoras de um disco para outro, Lover pode ser uma decepção. Apesar do drama de algumas letras, vide “Miss Americana & The Heartbreak Prince” e “I Forgot That You Existed”, a grande mudança aqui é a presença de uma Taylor muito mais madura.

Lover aborda diversos assuntos com pauta presente em nossos dias. Há mensagens fortes sobre autoafirmação, feminismo, homofobia e cyber bullying. Taylor nunca havia se posicionado sobre essas questões tão incisivamente quanto ela faz aqui. Mas apesar dos assuntos com apelo social, Lover é, acima de tudo, um disco que celebra as várias formas de amor, inclusive amor próprio. A cantora não tem vergonha de se expor, de mostrar ao mundo que está apaixonada e a faixa “Lover” é o melhor exemplo.

Se em reputation, a poesia e a capacidade de contar histórias estavam reduzidas em relação a seus melhores trabalhos, estes fatores voltaram com toda força em Lover. Taylor sempre compôs descrevendo cenas, pessoas e lugares de uma forma bastante rica sem perder o mérito pop de suas composições. “It Is Nice To Have A Friend” e “Lover” são bons exemplos desta capacidade. Outra capacidade que a esta altura ninguém ousa questionar, é o talento de Taylor de construir grandes refrãos e, já na primeira audição, Lover deixa vários trechos em looping na sua cabeça, queira você ou não (alô, “Cruel Summer” e “The Man “, estou falando de vocês!).

O principal problema do disco é ser longo demais. No terço final de Lover é impossível evitar a sensação de já ter ouvido algo muito parecido em uma faixa anterior.  Com dezoito músicas, muitos temas e arranjos soam repetidos. Esse erro já havia ocorrido com reputation e mais uma vez faltou uma mão mais pesada para limar quatro ou cinco das canções que menos enriquecem o disco. Nem a estratégia de incluir os singles na reta final do álbum ajuda a finalizar a audição sem a sensação de déjà vu.

No fim das contas, a impressão que fica é que Lover poderia ser um excelente disco com doze faixas, mas acabou sendo um disco mediano e repetitivo com dezoito canções. Apesar dos pesares, quando estas canções acertam o alvo, acertam realmente em cheio. Taylor mais uma vez prova que tem a mão cheia para construir pérolas pop e para isso conta com um time que reforça suas forças. Fica apenas faltando cortar os excessos e lançar o grande disco que seu potencial promete. Em anos, Lover é o disco que passou mais perto disso.

OUÇA: “Lover”, “The Archer”, “Cruel Summer”, “You Need to Calm Down” e “Cornelia Street”

Charli XCX – Charli



Charlotte Aitchison, ou Charli XCX, é uma força no mundo pop atual, mesmo que em grande parte seja por trás dos holofotes. A moça escreveu músicas como “I Love It”, para a dupla Icona Pop, assim como “Tonight” para o Blondie e “Señorita”, do Shawn Mendes com a Camila Cabello. Em paralelo a isso, a moça tem seu próprio material e inúmeras participações com outros artistas.

Seu novo trabalho solo, simplesmente chamado Charli, é tecnicamente seu terceiro álbum de estúdio e o que veio seguindo Sucker de 2014. Nesse meio tempo essa moça fez de tudo menos ficar parada. Entre Sucker e Charli, a moça lançou o EP Vroom Vroom e duas mixtapes, Number 1 Angel e a maravilhosa e subvalorizada Pop 2.

Pop 2 é a obra prima das mixtapes, um trabalho extremamente variado e com participações de nomes que vão desde Carly Rae Jepsen e CupcakKe até Tove Lo, Pabllo Vittar, Kim Petras e Caroline Polachek. Desde Vroom Vroom, Charli tem apostado em produções inusitadas, que vão mais pro lado estranho do pop e pc music. Completamente diferente do que havia apresentado nos seus primeiros discos, True Romance e Sucker.

E agora Charli segue a mesma linha de pop do futuro que ela havia nos apresentado em Pop 2, com um time estonteante de colaboradores: Lizzo, Sky Ferreira, Troye Sivan, Pabllo Vittar, HAIM, Christine and the Queens e até Clairo e Yaeji. O resultado é um trabalho bastante diverso, mas que tem a voz de Charli XCX – tanto literal quanto metaforicamente – no centro o tempo todo.

De uma certa forma, esse é seu primeiro álbum pop com produção real pop desde que o mundo começou a prestar atenção nela. E o resultado não é muito o que o mundo pop estava esperando. Mas, vindo da Charli XCX, não ser o pop que se estavam esperando já era o esperado (?). Tem tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo nesse álbum que a coisa mais fácil de ocorrer é você se perder ou se distrair enquanto o escuta. A faixa “Click”, com Kim Petras e Tommy Cash, é talvez o maior exemplo disso. Sua produção muda de direção tantas vezes em seus quatro minutos que quando acaba parece que um trem passou por cima de você.

Um momento quase desnecessário do álbum, e me dói muito escrever isso, fica com a participação da maravilhosa Lizzo em “Blame It On Your Love”. Trata-se de uma música que já apareceu antes em Pop 2, na época chamada apenas de “Track 10”, que foi regravada, reescrita e resultou em uma versão bem menos interessante do que a original, cujo verso da Lizzo é quase desperdiçado por que não faz muito sentido e não casa com o resto.

Charli peca pelo excesso. Tudo aqui é demais, e nem sempre isso serve pra elevar as músicas. É um álbum com 15 faixas no total e muitas delas estão longe de ser o melhor que a Charli é capaz de fazer. Há momentos em que ela e seus colaboradores brilham e chega quase a ser mágico, como “Gone” (com Christine and the Queens), “Cross You Out” (com Sky Ferreira) e “Shake It” (com Big Freedia, Brooke Candy, Pabllo Vittar e CupcakKe). Mas no geral, o álbum faz com que o ouvinte perca um pouco o interesse no meio das faixas.

Charli XCX já é um nome gigantesco no mundo pop, mesmo que não esteja nunca em níveis Beyoncé de reconhecimento. Mas tudo bem. Ela faz parte de uma geração de cantoras pop que se importam e muito com a música em si, assim como Carly Rae Jepsen e Robyn. Charli é um álbum desafiador, Charli tem do começo ao fim o ponto de vista da própria Charli. Nem sempre funciona, mas é inegável que ela sabe muito bem o que está fazendo e, principalmente, o porquê de fazer o que faz da forma que faz.

OUÇA: “Gone”, “Cross You Out”, “Next Level Charli”, “Shake It”, “February 2017”, “White Mercedes” e “1999”

Jaloo – ft (pt. 1)


Ao lançar seu primeiro álbum, Jaloo botou os dois pés na porta da cena cultural do país e provou ser um artista multifacetado, criador de conceitos imagéticos, explorador de possibilidades sonoras. Mostrou também que seu som tinha lá seus hermetismos pascoais que agradou a muitos, assim como o deixou inacessível para tantos outros. Se Jaloo era pop no conceito, não o era no alcance. Agora, quase metade de uma década após o primeiro disco, o artista apresenta àquele público que se encontra na margem do mainstream um material mais palatável.

A música eletrônica dos primeiros tempos ainda dão as caras, porém sem tanta densidade. Marcam a trilha de maneira mais madura, dá até para dançar melhor. O experimental deu algum espaço a construções mais estruturadas, mais coesas. A qualidade técnica da produção chama a atenção. Assim como as letras. Em geral, falam de amor e da dor de amar. Mas falam de outro jeito: mais desinibido, mais real. Jaloo está romanticamente diferente. Eu diria que a mais poética é o samba futurista “Céu Azul”, com a MC Tha.

Neste voo, suas asas são os atuais ritmos de fácil penetração nos ouvidos da juventude momjeans-striped-balenciaga-pochete/shoulderbag. Uma espécie de brega-pop embala “Q. S. A.” cuja letra parece narrar uma dessas histórias de amor de carnaval e conta com a parceria da conterrânea Gaby Amarantos. Já os beats do trap aparecem em algumas faixas, como em “Dói d+” em que estão de mãos dadas com a sofrência e seu ritmo contemporâneo (o arrocha, claro), evidenciando que Jaloo quer preencher não só os ouvidos de seu público, mas tocar o seu coração – como bom artista que é.

Certamente, esse trabalho seria bem diferente se não contasse com parcerias como Gaby Amarantos, Dona Onete, Manoel Cordeiro, MC Tha, Céu, Karol Conká, Lia Clark, Badsista, etc. É muito interessante e agradável navegar pelas faixas do disco com as participações de tanta gente competente e talentosa.

Se a mistura enriquece, que álbum abastado! Jaloo sempre foi capaz de criar com muitas referências, mas, nesta obra, encontrou o ponto certo da dosagem. Ele é latino, rapper, brega, sambista, sem ser cansativo. Existe algo familiar ao longo das faixas desse álbum que nos toca de maneira certeira. Talvez seja cedo para se falar em hitmaker, mas Jaloo conseguiu se expressar para novos públicos, mostrando que sua música não é pop só em conceito. E tem seu valor.

OUÇA: “Q.S.A.”, “Eu Te Amei (Amo!)” e “Sem V.O.C.E”

Lizzo – Cuz I Love You



É meio impossível ter chegado até esse momento do ano de 2019 sem nunca ter ouvido falar nessa força da natureza que é a cantora/rapper/flautista Lizzo. Cuz I Love You é seu terceiro álbum de estúdio e o primeiro lançado por uma grande gravadora. Em seus trabalhos anteriores, Lizzobangers, Big GRRRL Small World e, principalmente, no EP Coconut Oil, Lizzo já mostrava seu talento para misturar o rap, hip hop e pop com elementos vão do rock ao soul e até mesmo seu treinamento em música clássica. E Cuz I Love You é a culminação disso tudo.

Uma grande característica do trabalho da Lizzo é seu senso de humor, muitas vezes ácido, e também sua mensagem de positividade e aceitação do próprio corpo como uma mulher negra e gorda. Pessoas como a Lizzo são extremamente importantes; e em cima de tudo isso a música feita pela moça, principalmente aqui, é excelente.

Cuz I Love You é o trabalho mais variado e versátil dela até o momento, misturando tudo o que ela já havia feito e ainda adicionando coisas novas. Cuz I Love You é forte do começo ao fim, com singles maravilhosos e nenhum filler no meio. De “Truth Hurts”, lançada originalmente em 2017, até “Juice”, “Tempo” e “Like A Girl”; não existe uma música dispensável.

Um dos maiores destaques fica com “Soulmate”; um hino ao amor próprio. ‘Cause I’m my own soulmate, I know how to love me‘. Em “Jerome”, ela usa do gospel, funk e trap de uma forma bastante interessante e talvez o maior exemplo da sua versatilidade. “Tempo”, uma ode às mulheres gordas, Lizzo consegue tanto encaixar um mini solo de flauta e um verso da Missy Elliott sem que nada pareça estar fora do lugar.

Cuz I Love You é um álbum extremamente bem escrito, produzido e performado por uma das melhores e mais complexas cantoras de sua geração. ‘Complexo’ é talvez a palavra que melhor defina Cuz I Love You e a Lizzo como um todo. É um álbum pop vendável e mainstream cuja qualidade é inegável. Lizzo pode não ter começado agora e já carregar um excelente passado, mas aqui é quando o mundo começou a prestar atenção nela. E com razão.

OUÇA: “Cuz I Love You”, “Jerome”, “Juice”, “Like A Girl”, “Truth Hurts”, “Soulmate” e “Better In Color”

Mabel – High Expectations



Eu tô ficando velha. Acho que é essa a explicação. Só pode ser essa a explicação. Esse raio Dualipatizador passou pelas blogueiras, atrizes e agora chegou na música. Será que a Dua Lipa ganhou tanto dinheiro que está pagando pessoas no mundo inteiro para parecerem com ela? Esse álbum de estreia da Mabel é um Dua Lipa 2.0.

Pra você que nunca ouviu falar nela, a Mabel é uma cantora britânica de 23 anos, filha de Neneh Cherry (!) e Cameron McVey (!!). Com um pai produtor musical e uma mãe cantora, ela já nasceu pronta para ser uma estrela. E, convenhamos, ela conseguiu. Você ouve o singles dela por toda parte, ela está nas rádios e principais playlists do Spotify e faz um pop contagiante. Mal começou e já é a 105ª artista mais ouvida no Spotify. 

Já falei em outras resenhas que música não precisa ter significado profundo sempre. Não tem problema nenhum em ouvir algo só com a intenção de se divertir, distrair a cabeça ou com qualquer outra que não seja refletir sobre o mundo. Nem sempre eu tô com pique que pensar no que um cantor quis dizer usando um sample de 1970 ou pensando no jogo de palavras criado em uma música bônus. O problema principal com High Expectations é que é um álbum que se propõe a ser mais do que realmente é.

Com “Ok (Anxiety Anthem)”, Mabel fala sobre ansiedade de um jeito superficial. Quantas músicas ainda precisamos ouvir dizendo as mesmas coisas sobre ter crises de ansiedade? Parece que estou ouvindo um texto de blogueira com uma batida ao fundo. E isso se repete algumas vezes durante o album. Ainda bem que entre as músicas com essa proposta temos pop chiclete bem produzidos, como “Mad Love” e “Put Your Name On It”.  

Mabel está só começando. Ela tem uma ótima voz e bons produtores, o que me faz acreditar que ela ainda pode surpreender e lançar coisas interessantes no futuro. Para uma cantora que diz que tem altas expectativas e quer lançar músicas que durem para sempre, faltou amadurecimento. High Expectations ficou só na promessa. Quem sabe num próximo disco. 

OUÇA: “Don’t Call Me Up”, “Bad Behaviour”, “Mad Love” e “Put Your Name On It”

Mark Ronson – Late Night Feelings



Mark Ronson é conhecido por colaborar com grandes artistas como Amy Winehouse, Lady Gaga, Adele, Lily Allen, Miley Cyrus, Queens of the Stone Age e Bruno Mars. Além disso, possui cinco álbuns solo, tendo ficado bastante conecido por seu hit “Uptown Funk”, em parceria com Bruno Mars, do disco Uptown Special. Em seu quinto disco, Ronson decidiu usar somente vozes femininas e apostar num estilo mais voltado pro disco, e acertou em cheio.

Trazendo a sueca Lykke Li como convidada, a faixa-título do disco – “Late Night Feelings” – exemplifica muito bem o conceito do álbum, trazendo um arranjo com pop dançante acompanando a voz melancólia da cantora. “Find U Again” traz a cantora Camila Cabello e a produção de Kevin Parker, do Tame Impala. É válido destacar a presença da cantora YEBBA que está presente em três excelentes faixas: “Knock, Knock, Knock”; “Don’t Leave Me Lonely” e “When U Went Away”. O grande destaque do disco é a parceria com Miley Cyrus, “Nothing Breaks Like A Heart”, que combina o disco com o country característico no estilo da cantora.

Ronson trabalha muito bem a estética dos anos 70 em Late Night Feelings, mas trazendo as sonorizações com economia em músicas que servem muito bem para dançar e combinam também com momentos mais relaxados. O caminho nostálgico seguido pelo produtor encaixou muito bem com a escolha das cantoras e com o tom das composições. Late Night Feelings não traz um hit como “Uptown Funk”, mas é – como um todo – um dos melhores álbuns da carreira de Mark Ronson.

OUÇA: “Nothing Breaks Like A Heart”, “Find U Again”, “Don’t Leave Me Lonely” e “Late Night Feelings”

Jonas Brothers – Happiness Begins



Nos anos 2000, três irmãos formaram uma banda que ficaria em atividade de 2005 até 2013.  Composto por Kevin, Joe e Nick Jonas, os Jonas Brothers lançaram, em oito anos, quatro álbuns, participaram de filmes da Disney e tiveram a própria série. Em outubro de 2013 o grupo confirmou o encerramento de suas atividades para a tristeza de fãs que acompanhavam os JoBros. 

Dez anos desde o lançamento do último álbum de estúdio, Happiness Begins surge em um cenário frutífero. Há uma nova safra de boy bands provindas do oriente, reuniões de bandas nacionais e internacionais, remakes e uma busca incansável por ressignificar o passado e – tentar – reviver os dias gloriosos. 

 “Sucker”, primeiro single lançado em 1° de março de 2019, por meio da Republic Records, conquistou o seu primeiro lugar nas paradas americanas. Filmado em Hatfield House, palácio localizado em Hertfordshire na Inglaterra, o clipe é megalomaníaco e digno da monarquia, há também a participação de Danielle Jonas, Priyanka Chopra Jonas e Sophie Turner, esposas dos Jonas. 

O novo álbum dos Jonas Brothers possui o maior número de compositores e produtores nele. Há um claro desejo de retornar para o estrelato. Em 2019 guitarras soam um pouco old fashioned, e tudo bem, afinal no novo álbum elas passam despercebidas. É hora da bateria e dos sintetizadores. 

 “Don’t Throw It Away” bebe da mesma fonte de “Sucker”. Atmosfera da costa do Pacífico, praias e um bronzeado saudável. A faixa é brilhante, não só em genialidade, mas em um aspecto visual sinestésico. Uma combinação com ar de veludo molhado. “Cool”, segundo single, brinca com humor e um tom mais acústico. É cativante e brincalhão, estimulando o público a rir da letra e do clipe em si. 

Happiness Begins refere-se à volta dos JoBros, ela não é icônica ou impecável. Mas, neste álbum, a banda mostra uma faceta que deve ser vista e ouvida: homens que até hoje colhem os frutos de uma carreira iniciada precocemente e, desta vez, mais respeitada que em seu início. Não é mais um sonho adolescente, mas uma banda que deve ser ouvida.  Um grupo que entende de música, mídia e personalidade. Estão colhendo o seu melhor momento: o presente.

OUÇA: “Sucker”, “Don’t Throw It Away”, “Happy When I’m Sad” e “Rollercoaster”.

Madonna – Madame X



O que faz um álbum ser bom? A artista por si só basta? São os hits? Os charts? Tem que ter uma farofa? São os produtores, os feats, a presença ou não de um conceito? Boas letras? Acho que isso é muito individual. Tudo isso pode ou não ser importante, mas o principal é o que ele desperta dentro de você.

Julgar o trabalho de um artista é completamente subjetivo. É claro que temos pessoas preparadas para fazer isso, mas quanta coisa ruim, ruim mesmo faz um sucesso danado? Esse texto ficaria gigantesco se eu citasse alguns e tenho certeza que seria super criticada por ter mencionado certas bandas. Arte é isso. Cada um tem uma percepção.

A Madonna sempre foi e sempre será uma pessoa polêmica. Nem sempre por ter um trabalho interessante, mas é inegável que ela é uma das cantoras mais fascinantes do mundo. Quando ela anunciou Madame X eu fiquei muito ansiosa, até ela lançar “Medellín”. Aí, Madonna… Jura?

Então vieram os feats com o Swae Lee e o Quavo. Minha Nossa Senhora… “Crave” até tem um refrão que gruda na cabeça, mas “Future” é um horror. Madonna, você não precisa lançar uma música WOKE pra fazer sucesso. Puta que pariu, Madonna. Me ajuda.

Baseado nos singles, esperava uma bomba. Até que ela lançou “Dark Ballet”. Eu sou grande defensora de que uma música não deve se apoiar em um clipe, mas esse não é o caso. A música e o clipe são complementares, mas uma vez que visto o clipe é difícil dissociar o som da imagem. Alí estava a cantora que os fãs tanto amam. E desse momento em diante, a Madonna brilhou. 

Fazia muito, mas muito tempo que eu não ouvia um álbum dela e sentia os arrepios que senti. Acho que a última vez que isso aconteceu foi com o Confessions On A Dance Floor. Mas Madame X me pegou. Foram tantas boas surpresas que quase me esqueci dos singles que ela lançou antes do álbum sair oficialmente. A cereja no bolo foi ouvir a rainha do pop cantando um funk (!) em português (!!). Eu sei que é um cover, mas quem liga? Ficou maravilhoso. 

Madame X não precisava de dois feats com o Maluma. Não precisava de faixas WOKE. Não precisava de uma porção de outras coisas. Mesmo assim é um trabalho surpreendente, repleto de bons momentos e misturas sonoras marcantes. Vemos aqui uma Madonna revigorada, fresca e pronta pra outra. Pode ser que você acredite, como muitos, que ela precisa se aposentar. Pra mim, a arte que ela apresenta para o mundo é um presente. Que disco, meus amigos. Que disco.

OUÇA: Tudo. É a Madonna, gente. Tem que ouvir pelo menos uma vez.

Jamie Cullum — Taller



“Wheels”, do Jamie Cullum, é uma música que marcou a minha adolescência na época do ensino médio. Muito cantei seu “woooooah, is this something that I never, something that I never had” — isso lá no começo dos anos 2010.

Em 2016, fui pra Buenos Aires assistir The Strypes no Personal Fest e quem foi um dos headliners da primeira noite? Ninguém menos que o tal do Jamie Cullum. Tive a chance de assistir boa parte do seu show e ouvir aquele hino adolescente ao vivo, num momento meio “full circle”, mesmo que eu desconhecesse todo o resto do seu repertório. Tudo isso para dizer que cá estou eu, em 2019, resenhando seu oitavo disco, Taller.

Mesmo tendo esse passado com o artista, ouvir Taller é como se fosse meu primeiro contato com Jamie Cullum — um momento de descoberta e mergulho no universo do multi-instrumentista que já acumula 20 anos de carreira e é considerado um dos principais nomes do jazz contemporâneo.

Já na primeira música, a homônima “Taller”, dá para entender o porquê do inglês ter se tornado uma referência em seu gênero. Sua música é bastante atual, ao mesmo tempo que carrega o peso de anos de ritmo.

“Life Is Grey” é mais lentinha, destacando os vocais de Jamie, mas cresce no final com um piano completamente apaixonante. Inclusive, o piano de todo o álbum é precioso. E talvez eu seja suspeita para falar, visto que sou apaixonada pelo instrumento, mas o piano de Cullum tem o poder de tornar qualquer música umas mil vezes mais incrível.

Seja nas mais animadas, como “Usher”, ou nas tranquilas, como “Drink”, Jamie Cullum nos mostra que está no seu elemento. É impossível passar batido pelas suas canções. Toda a mistura dos vocais do cantor, o instrumental preciso e os backing vocals — que estão presentes em grande parte do álbum — é perfeita.

“The Age of Anxiety” é uma das músicas mais bonitas (e tristes) que eu já ouvi e dá vontade de ficar ouvindo em looping — para sempre. Muito simples, em sua maior parte marcada apenas por voz e piano, é um verdadeiro hino da contemporaneidade, sendo muito fácil de se identificar. “I hope the band won’t make me sing along.”

“You Can’t Hide Away From Love” tem toda a atmosfera clássica e nos faz viajar no tempo. Poderia muito bem fazer parte de um filme antigo em preto-e-branco…

Da mesma forma que “Taller” abre o álbum brilhantemente, a calminha “Endings Are Beginnings” foi a escolha certeira para encerrar o disco. É como se o cantor sussurrasse a letra no nosso ouvido, quase que numa canção de ninar.

Taller é um dos melhores discos que eu tive o prazer de ouvir em 2019. São quase 40 minutos de melodias muito gostosas, um cosmos musical inteiro a ser explorado. É um álbum para ouvir de uma vez só — para parar tudo e ouvir. Foi feito para ser contemplado. E merece ser contemplado. É uma obra de arte!

OUÇA: “The Age Of Anxiety”, “Life Is Grey”, “Taller” e “Drink”.