Baleia – Atlas

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Atlas é o segundo e mais recente álbum da banda Baleia, donos do hit “Casa” que estourou alguns anos atrás. Agora, com um som grandioso e ambicioso, a banda choca positivamente seus ouvintes, nos convidando a se aventurar fora de nossa zona de conforto, entre suas diversas camadas de sons, densos arranjos e estruturas musicais diferentes das convencionais.

Mesmo com apenas 37 minutos de duração distribuídos por oito faixas, Atlas é um nome apropriado para o novo trabalho de Baleia: o disco soa enorme com tanta informação. Quebra Azul de 2013, seu antecessor, chega até a soar tímido. No lugar da tropicalidade lúdica que o sexteto carioca oferecia, agora eles propõem uma megalomania musical sem igual.

Assim como Atlas pipocará em diversas listas de melhores álbuns nacionais deste ano, não poderia deixar de comentar que “Estrangeiro” será uma das melhores músicas. Há tempos não ouvia uma faixa tão rica instrumentalmente, tão bem letrada e que me envolvesse tanto. Não consigo parar de ouvi-la, e a cada ouvida tenho a impressão de descobrir alguma novidade. O ápice do novo álbum, sem sombra de dúvidas.

Por fim, Atlas veio a confirmar o que muitos já suspeitavam: Baleia é atualmente uma das melhores e mais interessantes bandas do cenário musical nacional, e, esperançosamente, não há de encalhar na praia.

OUÇA: “Hiato”, “Volta” e “Estrangeiro”

M. Ward – More Rain

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Ward, mais conhecido por alguns como a parte ‘Him’ do She & Him, já trilhou um longo caminho na música, em especial no folk, alt. country e americana. Foram vários projetos, sendo os mais notáveis o Monsters Of Folk e o próprio She & Him, além de trabalhos solo. Em 2016, o artista nos traz More Rain, seu nono disco solo, e que apesar de agradável, é bastante previsível e até esquecível assim como Classics, o último trabalho de seu projeto mais conhecido ao lado de Zooey Deschanel.

Quão previsível é ter um disco intitulado More Rain e ser iniciado com uma faixa intitulada “More Rain” e que que possui 61 segundos de barulho de chuva? O que se segue também são canções que não trazem muitas novidades ao que Ward já produziu. Sua voz suave e meio rouca está lá. Sua pegada retrô, sessentista e seu violão também estão. Inclusive, os seus típicos floreios no violão também estão todos lá. Ponha uma voz fofa feminina em “You’re So Good To Me” e temos o próximo single do She & Him. Não que isso seja de todo ruim, mas são canções que não pegam e não despertam a vontade de ouvi-las no repeat.

Se há algum tom de novidade, ele fica por conta das canções mais pesadas, principalmente nas que permeiam a primeira metade do disco. Com guitarras mais carregadas e aparentes, músicas como “Time Won’t Wait” e “Confession”, se afastam um pouco do folk/country e se aproximam muito mais do power pop feito por Brendan Benson em seus registros mais recentes, sobretudo no que Benson fez em My Old, Familiar Friend, de 2009. No entanto, o talento de Benson em criar refrãos que grudam nos ouvidos faz falta a More Rain. Temos então boas ideias que parecem canções inacabadas.

Quem conhece e é fã do trabalho de Ward, encontrará deleite com a audição de More Rain. Não há dúvidas quanto a isso. A mistura country com power pop caiu muito bem, mas faltou um pouco mais de cuidado para lapidar e finalizar algumas músicas. Faltou também aparar as arestas do disco como um todo. Talvez descartando uma ou duas canções e montando o tracklist numa sequência mais coerente, poderíamos ter a impressão de que o disco fosse mais encorpado do que realmente é.

Em suma, More Rain não acrescenta nada na boa discografia de Ward, assim como não acrescenta bagagem alguma aos seus ouvintes. No entanto, se você é fã do artista ou acha que o estilo anda carente de lançamentos, vá em frente. O álbum pode até servir para te distrair em alguma tarde vazia e chuvosa de domingo, mas não espere muito mais do que isso.

OUÇA: “Girl From Conejo Valley”, “Temptation”, “Confession” e “I’m Going Higher”

Tobias Jesso Jr. – Goon

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Tobias Jesso Jr. é a prova de que não é necessário saber fazer uma composição complexa para produzir uma música complexa. O canadense, com apenas o vocal e um piano, consegue transmitir tantos sentimentos e emocionar os ouvintes de um jeito que só mestres consagrados de baladas melancólicas conseguem. Música complexa é aquela que toca no fundo do coração, que consegue transmitir algo pessoal e que faz sentir com os ouvidos. Em Goon, Jesso mostrou sua habilidade de confluir melancolia através de um piano simples e de sua voz infantil.

Depois de fracassar em Los Angeles, terminar um relacionamento e descobrir que sua mãe tem câncer, Tobias juntou toda essa amargura para escrever seu primeiro disco e canalizar toda essa melancolia. Em 2013 disponibilizou uma faixa demo de “Just A Dream” que repercutiu de forma inesperada e chamou atenção de muitos veículos da mídia para o seu sentimentalismo, mesmo que inocente, que começaram a apontar o cara como uma “aposta para 2014”, mas foi apenas em 2015 que seu primeiro disco foi lançado. Contando com a produção de vários nomes consagrados como Chet “JR” White (Girls), Patrick Carney (The Black Keys), John Collins (The New Pornographers) e Ariel Rechtshaid (HAIM, Vampire Weekend), Goon é uma coletânea de baladas sentimentais, com um piano simples, nada ousado, mas que consegue sintetizar aquele suspiro melancólico tão recorrente.lançado.

Seu primeiro disco é de tal forma intimista quanto plural. As faixas retratam agonias pessoais, mas que podem ser generalizadas de forma viral e por isso esse disco consegue agradar tanto. Além de conseguir compartilhar tais sentimentos, Jesso o faz de maneira simbólica, sem ousadias, simplista e que consegue nos abraçar com sua voz, como se dissesse ‘eu te entendo’. Mesmo retratando temas mais cotidianos, ele nos profere suas letras com propriedade e com um lirismo majestoso. Goon é a conjuntura de uma vida amargurada, mas que tem noção de sua melancolia e como ela também afeta a todos. Por isso, de tão simples, se tornou excepcional.

OUÇA: “Hollywood”, “Can’t Stop Thinking About You” e “Crocodile Tears”

Owen Pallett – In Conflict

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A força que a música eletrônica tem ganho nos últimos anos é imensurável. Antes para o eletrônico mais cru, o pop já se utiliza, e o indie (termo genérico demais, mas serve ao uso) começou a cada vez mais aumentar a utilização dos sintetizadores. Vemos nomes experimentais como James Blake e Chet Faker já com alguma notoriedade (Silva no Brasil por exemplo). Owen Pallett, antigamente conhecido como Final Fantasy, está no mesmo rumo deles. Pelo menos como Owen Pallett.

O violinista, tecladista, pianista, enfim, o multi-instrumentista já tem uma carreira rica, principalmente em colaborações. O seu trabalho como colaborador mais famosos seja o de violinista, com o instrumento que ele mais domina, com o conjunto canadense Arcade Fire, onde ele participou dos dois primeiros albuns de estúdio, Funeral (2004) e Neon Bible (2007).

Ai veio a fase Final Fantasy. Mas há uma diferença entre Owen Pallett e Final Fantasy – embora sejam a mesma pessoa. Owen Pallett é mais invencionista que o primeiro. O uso dos recursos eletrônicos fazem com que sua música se espante.

Talvez por isso o título do seu álbum seja emblemático, In Conflict. Owen Pallett não teve medo de sair de sua zona de conforto – apesar do apelo eletrônico ter se mostrado tendência. O álbum tem uma aura mesclada entre a tristeza e a libertação. E segue numa linha muito boa.

É, ainda assim, um album de transição. Não podemos dizer que Owen Pallett se firmou como um grande artista nesse disco. É mais um passo nesse caminho, mas há ainda caminho a ser percorrido. É sem dúvida nenhuma um cara talentoso, dono de uma voz grave de qualidade.

Problemas têm, não há uma tremenda variação, fazendo com que não se perceba que uma música acabou e outra começou, mas ainda sim tem um ponto forte. É um album coeso.

Owen Pallett mostra assim uma evolução, segue crescendo, e assim faz com que seus próximos trabalhos sejam ainda mais grandiosos que esse.

OUÇA: “I Am Not Afraid”, “Chorale” e “The Passions”

Woodkid – The Golden Age

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“Hoje eu vou lhe contar uma história sobre um homem que morreu afogado nas águas frias do oceano após a perda de quem amava. Esta é uma história sobre um homem que morreu duas vezes.” Assim se rompe o silêncio do filme produzido para a quinta faixa do álbum The Golden Age, “I Love You”, de Woodkid. Palácios suntuosos e simultaneamente sinistros são expostos enquanto a sobriedade vocal se encarrega de manter dinamismo e um aproveitamento harmônico, no mínimo, louváveis. Um francês de lirismo inglês; isto não soa um debut, soa o auge de uma era de deuses acinzentados com escrúpulos completamente humanos, nulos. Dum pretérito glorioso, de guerras banhadas a sadismo e trens, citando o artista, trens longínquos abandonando ao léu o aroma de margaridas de sua amada donzela.

Há um natural fascínio pelo sombrio, o homem se queda ébrio perante a grandiosidade maligno. Monstros subterrâneos e heróis celtas; as grandes navegações, impérios milenares e cavaleiros esguios. A majestosa combinação do espetáculo ideológico, performances notórias e sonoridades épicas. Isso é o que The Golden Age, ou, A Idade de Ouro, nos propõem. Acelerado, problemático, medieval e elegante, o debut de Woodkid de charme francês apresenta um neofolk de uso maestral da escala em tons de cinza que soam mais como prata desnuda. Faixas turbulentas e veemente classificação pífia duma América idiomática europeizada.

Woodkid é o projeto musical de Yoann Lemoine, diretor e cinegrafista responsável por haver dado forma a vídeos como “Teenage Dream” de Katy Perry, “Back To December” de Taylor Swift, “Born To Die” de Lana Del Rey e “Dreaming Of Another World” de Mistery Jets. Uma das primeiras aparições significativas de Woodkid se dá no curta LIGHTS, encomendado por Vogue Italia & Asvoff Milano, aonde Yoann se dá a liberdade de compor uma trilha original e, com seu pseudônimo, lançá-la ao mundo juntamente com cinco minutos de exímia delicadeza visual e um roteiro que anunciava a temática de seus próximos trabalhos. Uma tragédia grega em alpes suíços; um bicolor épico.

A arte gráfica do disco e sua identidade visual constroem referências à arquitetura das grandes metrópoles industriais do início do séc. XX e à simbologia faraônica e japonesa. Muito de um romance Byroniano e o início do simbolismo francês junto a constantes preto e branco e epifanias grandiloquentes povoam o imaginário sonoro do álbum. Tenebroso, colossal e macabro, entretanto, ainda moderno. Coros monumentais e graves de metais berrantes, utilização brilhante da estrutura erudita dum quarteto de cordas adaptado à tenra estética contemporânea; uma atonalidade sutil é empregada juntamente com percussões pontiagudas no decorrer da obra. O álbum é uma exaustiva inclinação musical a temas monumentais, o termo “baroque pop” soa aprazível em The Golden Age.

A combinação dos temas é natural, o requintado interlúdio “Shadows” invoca o soturno período de transição barroco-clássico, com aveludadas cordas, sagazes pinçadas e órgãos interpretados num sentimentalismo esnobe; logo se rompe, a robusta cantoria de Yoann Lemoine toma as rédeas da primeira voz e como que em poucos compassos, o axioma da poderosa faixa seguinte, “Stabat Mater”, é instaurado. Em “Run Boy Run” temos um thriller de apelo bestial à figura do infanticídio industrial aliado à grandeza psicológica do que é a fantasia em prol da sobrevivência psíquica da criança.

Em matéria de pesares, The Golden Age ainda contém resquícios de imaturidade. Vocais pouco imponentes destoam da mentalidade instrumental casta. Conquanto, Woodkid teve êxito em sua empreitada. A título de ilustração, a divisão masculina da grife francesa de alta costura Dior Homme lançou sua coleção outono-inverno de 2013 inspirada num trecho da poesia da faixa “Iron” intitulada “A Soldier On My Own”. Woodkid colabora num debut valioso aos novos ares da música global de luxo e propõe uma exatidão e perfeccionismo preciosos para os novos aspirantes a artistas da segunda década do séc. XXI.

OUÇA: “I Love You”, “Stabat Mater” e “Iron”

Christopher Owens – Lysandre

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Christopher Owens é um dos compositores mais renomados da cena indie atual. Isso devido a sua antiga banda, o Girls, que em sua pequena carreira, chamou muita atenção com apenas dois álbuns e um EP. Após esse curto período de atividade de, aproximadamente, três anos, o vocalista encerrou seu trabalho com a banda e começou uma carreira solo, talvez, na tentativa de se desvincular por completo do produtor antigo, Chet White.

Para Owens, Lysandre foi um amadurecimento pessoal, desafiador e verdadeiro sobre si. Para os ouvintes foi perceptível a grande natureza sentimentalista, porém tal efeito não se refletiu neles, uma vez que o autor não estava preocupado em ser profundo, e sim em contar sua história. Essa é razão para a grande carga de sentimentos românticos envolvidos na maioria das faixas, compostas por letras e arranjos adocicados.

O violão aparece como base na maioria das canções, junto com alguns instrumentos de sopro, como o saxofone, e a característica voz suave de Owens. O contraste da carreira solo do cantor, com o próspero começo do Girls é grande: de um lado, o estilo lo-fi com som sujo, de músicas como “Morning Light” do primeiro disco, produzido por Chet White, de outro, um folk mais doce, de músicas como “Everywhere You Knew”, totalmente opostas ao que pregava o produtor. Diante da progressão do vocalista desde a estadia na banda para a carreira solo, é perceptível a mudança de sonoridades. O último álbum com White, Father, Son, Holly Ghost! É o que mais se aproxima de Lysandre, ele simboliza a transição do lo-fi do início da carreira para a estreia solo de Christopher.

A abertura do disco é seguida por uma pequena faixa chamada de “Lysandre’s Theme” que se repete ao final da maioria das canções, ora feita por instrumentos de sopro, ora feita pela guitarra. Apesar da repetição incessante da introdução, não é isso que torna o disco cansativo. O que ocasiona tal fato é a persistência de Owens em querer usar a mesma fórmula para todas as músicas mais melancólicas. A letra infantil e a retomada dos mesmos assuntos tornam algumas músicas irrelevantes, como “Love Is In The Ear Of The Listener” e “Part Of Me”. Nessa estreia, Christopher perdeu um pouco daquela sua magia de fazer melodias habituais se tornarem extremamente bonitas.

Apesar desse lado negativo, Lysandre traz também um lado significantemente positivo. Há músicas, mais semelhantes com o último disco da ex-banda, como “New York City” e “Here We Go Again”, que relembram como o vocalista é um ótimo compositor e como ele possui a capacidade de criar ótimos singles. Entretanto, não são apenas as canções parecidas com o Father, Son, Holy Ghost! que carregam isso, a nova fase traz também estilos bem diferenciados e que foram muito bem combinados, como o swing de “Riviera Rock” e o folk melancólico de “A Broken Heart”, também ótimas músicas.

Podemos encarar o começo dessa carreira solo como uma libertação. Fãs fervorosos de Girls podem até não ter gostado do disco, mas é compreensível a mudança de sonoridade que já vinha sendo anunciada. Agora, ela foi concretizada e o resultado foi um álbum cheio de sentimentalismo. A ideia inicial era desvincular o processo criativo de Owens do produtor Chet White e esquecer por completo o lo-fi de antes. Isso realmente acontece e são raros os momentos em que há um resquício, a única coisa que remete ao produtor são as semelhanças com o último disco. Porém, a nova sonoridade do solo não foi bem explorada e ocasionou a criação de algumas canções visivelmente superficiais e tolas, em decorrência da utilização da mesma fórmula de outras músicas para preencher o disco, tornando-o repetitivo e, em certos momentos, enfadonho.

OUÇA: “A Broken Heart”, “Here We Go Again” e “New York City”

Dutch Uncles – Out Of Touch In The Wild

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O Dutch Uncles integra, juntamente com o Egyptian Hip Hop, o Everything Everything, o Field Music e o alt-J, o grupo de novas bandas britânicas que sustentam o smart-pop. O gênero, que surgiu com o movimento new wave, buscava dar novos ares ao pop rock para que o estilo não caísse no clichê. O smart pop abre espaço para letras mais interessantes, além de permitir maiores experimentações nas estruturas musicais e exploração de novos instrumentos. O quinteto de Marple pode até não ser a principal aposta do cenário musical de Manchester, mas faz jus ao título de “pop inteligente” e apresenta um álbum bem elaborado que não subestima a capacidade de seu público.

Em Out Of Touch In The Wild, a banda explora elementos pouco comuns no território da música pop, como o violino e o piano, mas ao mesmo tempo que empregam estruturas da música erudita, recorrem às técnicas já usadas no gênero mais popular e mais facilmente assimiláveis, como os sintetizadores; e dão um passo além: experimentam instrumentos extremamente inusitados, como o xilofone e a marimba.

Os vocais de Duncan Wallis, cujo tom de voz é semelhante ao de Alexis Taylor (provocando inevitáveis comparações com o Hot Chip), encaixam-se perfeitamente na atmosfera doce do álbum, contribuindo para a criação de melodias divertidas e nada pretensiosas. Durante os quase quarenta minutos de Out Of Touch In The Wild, as pausas entre as faixas são quase imperceptíveis, indicando que a banda consegue manter a coesão de seu trabalho. A harmonia presente durante a execução do álbum é positiva, mas também demonstra a incapacidade do Dutch Uncles de produzir grandes momentos.

Influenciados por Talking Heads, The Smiths e XTC, o álbum está cheio de referências aos anos 80, explicitadas em “Threads” e “Nometo”, por exemplo. Apesar de estarem claramente preocupados em manter essa aura retrô, eles não abandonam o som de vanguarda atual que se propõem a fazer. O Dutch Uncles ainda não alcançou a fórmula de sucesso que seus conterrâneos do Everthing Everything conseguiram encontrar. Contudo, estão no caminho certo. Em seu terceiro álbum provam que tem o potencial para nunca caírem no lugar comum e continuarem presenteando o público com músicas bem construídas, mas também divertidas como o pop pretende ser.

OUÇA: “Flexxin”, “Threads” e “Bellio”