Swans – leaving meaning.



O Swans voltou aos estúdios com integrantes modificados. Entre os 20 artistas nos créditos acompanhando Michael Gira, há nomes de peso, como os das irmãs Anna e Maria von Hausswolff nos backing vocals, o do pianista Chris Abrahams e o do guitarrista Ben Frost. Três anos depois de The Glowing Man, que encerrou a aclamada trilogia iniciada no denso The Seer (2012) e continuada em To Be Kind (2014), leaving meaning. chegou em outubro ao público com expectativas altas. Cumpridas, na maior parte.

É bom salientar: leaving não é exatamente um disco totalmente novo do Swans. Ok, de fato está um tanto distante da última trilogia da banda, mas não é como se o terreno de agora fosse totalmente desconhecido. Se você já conhece em parte a discografia do grupo e tem como fase preferida da banda a do disco Children Of God (1986), ou mesmo gosta do projeto paralelo The Angels of Light, esse disco vai ressoar facilmente com você. A sonoridade do novo disco acaba bebendo bastante nas ideias que flertavam com o (neo)folk e atmosferas mais góticas nesses trabalhos anteriores. 

Não que seja um problema em si mesmo. Tem lá suas faixas que engatilham lembranças – “Amnesia” é praticamente uma regravação da faixa de mesmo nome de 1992; “It’s Coming It’s Real”, primeiro single do disco, é praticamente uma filha de “Our Love Lies”; e “Annaline”, uma atualização conceitual de “Evangeline” – e apesar disso, não desanda num trabalho estritamente derivativo ou autocongratulatório. Contudo, existem sim momentos menos inspirados. Principalmente na porção do meio do disco, onde a repetição, elemento quase marca registrada em todas as fases da banda, atua de forma um pouco enfadonha. Um exemplo são as linhas vocais recicladas em atmosferas muito similares entre músicas como a faixa-título, “Cathedrals Of Heaven” e “The Nub”.

Exceto por esses pontos, leaving meaning. é sim um ótimo disco. E acessível, sendo tranquilo afirmar que é uma boa porta de entrada para o grupo. Tem pouco mais de uma hora e meia de duração – que parecem muito, mas comparadas às duas horas de todos os três discos anteriores, todos com faixas beirando ou passando os 30 minutos… Também não existe nenhum momento exatamente brutal, abrasivo ou superdenso (pelo menos na sonoridade, já que nas letras é um ponto discutível). Aqui, mesmo as paranoicas “The Hanging Man” e “Some New Things” e a épica “Sunfucker” são bastante assimiláveis para um primeiro contato. De maneira geral, o trabalho tem um teor orquestrado e bem executado nos arranjos (principalmente de teclas e vocais) de tal forma que o álbum traz genuinamente algo novo e engajante a cada ouvida.

Liricamente, o disco não inova tanto, com as temáticas existenciais e um tanto desagradáveis já comuns à banda. De todo modo, assim como os demais elementos do álbum, também não configura em uma caricatura do que já foi experimentado na carreira do grupo. O Swans põe os pés em águas que já conhece, e apesar de aceitar o preço de deixar para trás o contexto dos trabalhos feitos anteriormente nessa década, fez mais um disco sólido.

OUÇA: “The Hanging Man”, “Some New Things”, “Annaline”

Estudante de jornalismo, quase duas décadas de vida, músico diletante, manezinho da Ilha. Normalmente com melhores ideias e ideais do que execuções, mas pode ter certeza de que estou trabalhando nisso...

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