Slow Club – One Day All Of This Won’t Matter Anymore

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Eu acho bastante engraçado quando ao ouvir o primeiro acorde da guitarra, dedilhar do baixo, rufar da bateria ou sofregar da cantoria de um novo álbum você já consegue definir qual o ritmo que todo o resto das canções vai ter. One Day All Of This Won’t Matter Anymore é o quarto álbum da banda britânica Slow Club e os primeiros trinta segundos da primeira música já refletem tudo o que precisamos saber sobre ele.

Ao mesmo tempo que é engraçado perceber essa condensação da cadência do álbum nos primeiros segundos desse, é interessante perceber o amadurecimento de Rebecca e Charlie como pessoas nesse álbum. Se antigamente eles cantavam sobre ratos falantes (“Because We’re Dead” do primeiro álbum) em cima de uma trilha indie pop marcante e forte, atualmente eles cantam sobre os altos e baixos de uma vida adulta (“In Waves” desse álbum) em cima de uma trilha lenta e calma. Esse tom mais sofredor, refletindo uma vida mais na ressaca do que na alegria da bebida, acaba permeando esse disco do início ao fim.

O próprio título já indica que esse álbum é uma crônica (ou crítica?) temporal que demarca o ‘deixa-pra-lá’ que muita gente leva nessa vida, pensando que amanhã tudo melhora (ou não?). O tom melancólico e depressivo das canções levanta todo esse panorama do impacto de uma transição amarga para a vida adulta que uma banda que acabou de completar dez anos está passando. A bebida acabou, as luzes acenderam e a vida continua de maneira lenta, sofrida e conturbada.

O tom desse álbum é exatamente esse: uma calmaria e uma sofreguidão sem tamanho que acabam não combinando muito bem com a proposta do Slow Club até então. Em Complete Surrender eles podem até dar dado indícios de que se davam bem ao focar em cima de uma atmosfera mais densa e melancólica (como em “Tears Of Joy” ou “Number One”), mas aqui parece que deu alguma coisa errada nessa transição álbum #3 – álbum #4 e a perspicácia e maestria em fazer músicas lentas e bonitas acabou se perdendo nesse meio tempo. E esse fato fica ainda mais nítido quando as músicas que lembram os dois primeiros álbuns, como “Tattoo Of The King” e “Champion”, acabam destoando do resto do álbum por conta da sua qualidade e primor.

O questionamento que fica de One Day All Of This Won’t Matter Anymore é o que o amadurecimento pode causar para uma banda. Para algumas, sair de uma atmosfera mais alegre e bêbada acaba dando uma reviravolta interessante (como o Los Campesinos! e sua trilha para a sobriedade aparente), para outras, o tiro acaba saindo pela culatra e a carreira vai esmaecendo de uma maneira atroz (quem lembra do Cansei de Ser Sexy ou do New Young Pony Club?).

Esperemos que esse disco acabe representando apenas um baixo numa carreira de tantos altos que nem a do Slow Club. Afinal, depois de três álbuns beirando a perfeição, eles acabaram por dar uma desviada do caminho e isso é até natural numa carreira musical brilhante (mesmo que não reconhecida) como a deles. Talvez num panorama mais amplo, vendo de um futuro aonde eles estejam num oitavo ou sétimo álbum em 2024, esse álbum se encaixe de maneira mais acertada. Como eles mesmos dizem, um dia isso aqui nem vai importar mesmo.

OUÇA: “In Waves”, “Tattoo Of The King” e “Champion”

cinco minutos de beleza

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