Of Monsters and Men – Fever Dream



Sempre me pareceu um fato curioso como um país tão pequeno e isolado como a Islândia consegue alçar tantas bandas relevantes. Talvez o segredo esteja justamente na cultura nórdica tão visível nas canções que de lá saem. Apesar de haver um punhado de artistas islandeses consolidados, sem dúvida a banda nórdica que mais faz barulho no mainstream nos últimos anos foi o Of Monster And Men. O single “Little Talks” (2011) tocou por toda parte, desde baladas indie até comerciais de TV. “Little Talks” abriu as portas para a banda, mas também colocou um grande peso a ser carregado: como dar continuidade a tamanho sucesso? 

Nos seus dois primeiros ótimos álbuns, a banda passou a ser mundialmente conhecida pela sua sonoridade nórdica que mistura indie com folk. Melodias muito bem articulada por letras que remetem cenários islandeses com lagos, florestas e montanhas. Seus discos anteriores mostram uma evolução e amadurecimento desta fórmula característica do of Monsters And Men. Fever Dream não segue esta mesma linha. A banda não mira nem no sucesso radiofônico do passado, nem na sonoridade pop folk que consagrou. Aqui vemos uma banda que sai da sua zona de conforto para explorar novos ares. A proposta do disco é misturar os elementos folk com com sons eletrônicos, abstraindo os elementos marcantes e conhecidos da banda em sonoridades mais leves e difusas. O que vemos em Fever Dream é um Of Monsters And Men completamente novo. E como em toda aposta, há riscos. 

De forma alguma Fever Dream chega a ser um álbum ruim. Porém, ao deixar de lado suas características mais marcantes, a banda se perde num generalismo. O disco é um conjunto melodias bonitas, mas genéricas. Todo intimismo e personalidade dos álbuns passadas se perde em um disco que poderia ser de muitas outras bandas além do Of Monsters And Men. Sem nenhum single muito forte, nem nada que se sobressaia, Fever Dream marca o ponto mais fraco da carreira dos islandeses.

Sem o mesmo encanto do passado, a banda se afasta cada vez mais do seu momento de glória de 2011. Ao tentar se modernizar, o Of Monsters And Men esquece o que os fez ser o que são. Não foi desta vez que tivemos um substituto para “Little Talks”.

OUÇA: “Róróró” e “Wars”

Estudante de arquitetura, porém sem previsão de graduar. Morador de Florianópolis, mas raramente é visto nas praias. Ama música, no entanto nunca teve uma banda.

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