NAO – Saturn


Com Lorde, nós temos 19 anos e estamos com fogo no rabo, já a Taylor Swift se sente com 22 e quer continuar dançando. Mas e com 29 anos? Foi pensando na expressão que seu amigo sempre lhe dizia – retorno de Saturno – que a cantora londrina NAO lança o segundo álbum de sua carreira.

O planeta Saturno demora 29 anos para fazer dar uma volta em sua órbita. E é esse simbolismo de crescimento pessoal, amadurecimento que está presente em todo o álbum. A cantora já passou pelo coming of age dos 20 e começa a repensar seus próprios comportamentos e valores. A crise dos 30 está chegando, mas ela não é tão assustadora como dizem, para NAO é um momento de transformação.  ‘E é assim que deve ser / Você sai e retorna / Você é como Saturno para mim, para mim / Eventualmente você vai continuar a me dar o que eu preciso‘, afirma a cantora na faixa-base “Saturn”.

NAO mostra-se protagonista da própria obra, ou melhor do seu próprio retorno de Saturno. Os conflitos pessoais e as desilusões amorosas não parecem ter o mesmo peso que antes, em canções como Don’t Change, ela parece se abster, flutuar diante dessa narrativa. Esse certo distanciamento, no entanto não impede que ela se doe para as letras como fica claro em If You Ever.

Em “Orbit”, uma das canções mais tristes do disco, ela canta  ‘Meio triste, mas você me lembra / Você me lembra de um amor que eu conheci / Meio triste, mas você me lembra / Você me lembra de um amor que me superou também / Ele me liberou em órbita / Ainda assim, encontrei uma maneira de navegar até você‘. Versos que funcionam como uma síntese do tom em relação a vida amorosa que permeia todo o disco.

Seguindo a linha do seu primeiro disco, a nova produção de NAO ainda conta com faixas menos contemplativas, como “Drive And Disconnect”,  pop latino dançante que lembra artistas como Rosalía. Mesmo com algumas melodias um pouco repetitivas, em seu segundo álbum NAO mostra que não apenas está preparada para o seu retorno de Saturno como esse retorno também simboliza sua força e talento para carreira musical. Um disco mais maduro, ousado e não menos tocante.

OUÇA: “Another Lifetime”, “Orbit” e “Drive And Disconnect”

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