Madonna – Madame X



O que faz um álbum ser bom? A artista por si só basta? São os hits? Os charts? Tem que ter uma farofa? São os produtores, os feats, a presença ou não de um conceito? Boas letras? Acho que isso é muito individual. Tudo isso pode ou não ser importante, mas o principal é o que ele desperta dentro de você.

Julgar o trabalho de um artista é completamente subjetivo. É claro que temos pessoas preparadas para fazer isso, mas quanta coisa ruim, ruim mesmo faz um sucesso danado? Esse texto ficaria gigantesco se eu citasse alguns e tenho certeza que seria super criticada por ter mencionado certas bandas. Arte é isso. Cada um tem uma percepção.

A Madonna sempre foi e sempre será uma pessoa polêmica. Nem sempre por ter um trabalho interessante, mas é inegável que ela é uma das cantoras mais fascinantes do mundo. Quando ela anunciou Madame X eu fiquei muito ansiosa, até ela lançar “Medellín”. Aí, Madonna… Jura?

Então vieram os feats com o Swae Lee e o Quavo. Minha Nossa Senhora… “Crave” até tem um refrão que gruda na cabeça, mas “Future” é um horror. Madonna, você não precisa lançar uma música WOKE pra fazer sucesso. Puta que pariu, Madonna. Me ajuda.

Baseado nos singles, esperava uma bomba. Até que ela lançou “Dark Ballet”. Eu sou grande defensora de que uma música não deve se apoiar em um clipe, mas esse não é o caso. A música e o clipe são complementares, mas uma vez que visto o clipe é difícil dissociar o som da imagem. Alí estava a cantora que os fãs tanto amam. E desse momento em diante, a Madonna brilhou. 

Fazia muito, mas muito tempo que eu não ouvia um álbum dela e sentia os arrepios que senti. Acho que a última vez que isso aconteceu foi com o Confessions On A Dance Floor. Mas Madame X me pegou. Foram tantas boas surpresas que quase me esqueci dos singles que ela lançou antes do álbum sair oficialmente. A cereja no bolo foi ouvir a rainha do pop cantando um funk (!) em português (!!). Eu sei que é um cover, mas quem liga? Ficou maravilhoso. 

Madame X não precisava de dois feats com o Maluma. Não precisava de faixas WOKE. Não precisava de uma porção de outras coisas. Mesmo assim é um trabalho surpreendente, repleto de bons momentos e misturas sonoras marcantes. Vemos aqui uma Madonna revigorada, fresca e pronta pra outra. Pode ser que você acredite, como muitos, que ela precisa se aposentar. Pra mim, a arte que ela apresenta para o mundo é um presente. Que disco, meus amigos. Que disco.

OUÇA: Tudo. É a Madonna, gente. Tem que ouvir pelo menos uma vez.

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