Los Campesinos! – Sick Scenes

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all these sick scenes played out in my memory

O Los Campesinos! sempre foi uma banda muito ativa e prolífica. Entre 2008 e 2013 eles lançaram nada menos do que cinco álbuns. Isso resulta em praticamente um álbum por ano e uma carreira muito consistente ao longo de todo esse período de atividade. O septeto de Cardiff, País de Gales, é uma das bandas mais coerentes da atualidade e, mesmo fugindo aqui e acolá da sua proposta inicial, adicionando novos elementos a sua gama de sons característicos, sempre acaba entregando álbuns incríveis, além de muito bem construídos, aparados e produzidos. Felizmente não foi diferente no sexto álbum que sai agora em 2017. Esse foi o maior intervalo entre álbuns para a banda, mas ainda bem que o longo hiato não afetou em nada a incrível musicalidade deles.

O Los Campesinos! sempre deixou bem claro que, infelizmente, a banda sempre foi algo muito divertido pra eles e não um compromisso sério (felizmente, talvez?). Isso reflete na baixa quantidade de shows que eles fazem ao redor do planeta (raramente fogem do Reino Unido por longos períodos de tempo) e, também, é consequência do fato dos mesmos possuírem empregos fora da banda. Essa pressão assalariada cresceu bastante no fim do processo criativo de No Blues e foi a grande responsável pelo hiato de quase quatro anos. A vontade de produzir algo novo surgiu com as comemorações de aniversário de uma década da formação em 2016.

Sick Scenes foi gravado durante quatro semanas em Amarante, Portugal – como é muito bem descrito no single principal do álbum “I Broke Up In Amarante” – e, como a grande maioria dos discos da banda, de maneira esporádica e separada. Gareth – o vocalista e compositor principal – sempre foi muito produtivo para compor letras intensas que caibam perfeitamente nas harmonias escolhidas por Tom, principal responsável pelos arranjos musicais. Essa separação de processos criativos não funciona muito bem para boa parte das bandas, que precisa se isolar conjuntamente em lugares remotos para que a criatividade apareça, mas para os Los Campesinos! parece funcionar extremamente bem, reflexo de todos esses álbuns incríveis e marcantes entregues por eles.

Algo que também sempre me chamou atenção na carreira deles foi a morbidez de suas letras abafadas no meio de camadas de som típicas de twee e indie pop. Os próprios inclusive confirmaram que a obsessão pela morte e bandas que seguem essa linha são forte influência em sua carreira. Aqui em Sick Scenes essas camadas de indie pop mesclam-se muito bem com um som mais pesado, beirando o hardcore, resgatando ideias dos primeiros álbuns da banda; e essas letras obsessivas continuam bastante presentes e evidentes (vide “5 Flucloxacilin”, um antibiótico, e “Got Stendhal’s”, referente à síndrome psicossomática).

Sick Scenes segue à risca a linha criativa de seus álbuns anteriores e se aproxima muito das pontas dos espectros, tanto do primeiro álbum – Hold On Now, Youngster… – com seus refrões explosivos e gritados, músicas fortes, e ritmos mais acelerados, quanto dos imediatamente antecessores – No Blues e Hello Sadness – com músicas de batidas mais leves e calmas. As guitarras muito bem alinhadas com uma bateria marcada amarram tudo muito bem junto dos backing vocals e das letras sensacionais.

No fim das contas tenho pra mim que Sick Scenes é o álbum mais representativo do Los Campesinos! até agora. O longo período de pausa por conta da “vida de adulto”, os outros compromissos além da banda e as pressões econômicas levaram à uma demora maior para que esse sexto disco viesse à luz. Sick Scenes, entretanto, não reflete todo esse amadurecimento, ainda soa bastante jovial e mostra todo o gás que a banda ainda possuí.

A vida longa pra banda sempre me pareceu impossível por conta dessa vontade/necessidade dos membros se sustentarem por outros meios – afinal, o Los Campesinos! dificilmente vai sair/tem vontade de desse meio mais underground, fazendo shows pequenos e de baixo apelo -, mas ainda bem que isso em nada afeta a produtividade musical de excelência, com músicas que se sustentam muito bem sozinhas e são únicas dentro de um mesmo propósito. Um brinde a criatividade deles e que eles deem pano nessa continuidade, linearidade e coesão que são intrínsecas à banda.

OUÇA: “Renato Dall’Ara (2008)”, “Sad Suppers”, “I Broke Up In Amarante” e “Hung Empty”

cinco minutos de beleza

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