Loney, dear – Loney, dear


A impressão que o disco apresenta como um todo é a de solidão. Tanto na orquestração quanto nas letras a imagem que fica é a de um músico que trabalha e retrabalha sozinho. Embora haja alguns músicos convidados, toda a produção e mixagem ficaram a cargo de Svanängen, aparando arestas em todos os instrumentos e buscando a perfeição dentro de um mundo que é só seu. Talvez por isso, o rótulo indie pop atribuído ao artista não se encaixe muito bem aqui, há sim a apropriação de elementos da música pop e eletrônica mas eles servem apenas para reforçar o aspecto pessoal da obra.

Mesmo nos momentos em que o álbum soa mais abertamente pop, um certo peso e escuridão pairam sobre as canções seja pelas letras ou pela forma como a atmosfera é trabalhada. “Little Jacket” é um exemplo disso, a percussão marcada e as guitarras sugerem um aspecto mais pop mas a cadência da voz principal dá uma certa urgência desesperada à canção.

Outra característica evidente é a ideia de mudança. O álbum apresenta bastante coesão como um todo mas, por ter sido trabalhado ao longo de cinco anos, fica clara a presença de basicamente dois momentos na vida do compositor: uma pegada mais perfeccionista e outra mais experimental, não importando qual veio primeiro mas sim o conceito de transformação em si presente em instrumentais riquíssimos como “Humbug” ou “Dark Light”.

O trabalho de camadas é algo que é feito com maestria em todas as faixas. A sobreposição de elementos eletrônicos, orquestrais e até folk em certa medida é realizada de forma que é sim experimental e em alguns momentos causa até estranhamento mas dentro do contexto funciona de forma muito inteligente e suave. “Pun” que abre o disco é um exemplo perfeito da junção de uma base vocal folk com percussão eletrônica, samples de black music e um ar orquestral em camadas sonoras um pouco mais escondidas que dá uma grandiosidade intimista à faixa.

Loney, dear é o sétimo álbum do artista sueco Emil Svanängen, o primeiro depois de seis anos sem um lançamento e, ao contrário do que costuma acontecer após longos hiatos, que geralmente trazem na volta uma mudança de direção, o que vemos aqui é a consolidação da sonoridade apresentada nos últimos álbuns mas com uma sofisticação e um polimento que só a maturidade traz.

OUÇA: “Pun”, “Humbug”, “Hulls” e “Dark Light”

Padawan em Arquitetura, músico e ilustrador

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