Liniker e Os Caramelows – Goela Abaixo



Acho que ninguém atualmente na música brasileira consegue transmitir tão bem o sentimento puro de carinho quanto Liniker e os Caramelows. Goela Abaixo não é apenas um álbum para ouvir com a @, para sentir saudade da @, é mais do que isso. É sobre como carinho é universal, é necessário, principalmente em tempos com disseminação de ódio, de amor em aplicativos. Carinho é político.

No vídeo de lançamento de Goela Abaixo, segundo álbum de Linker e os Caramelows, em meio ao barulho de carros, a Liniker, hoje aos 23 anos, dá um depoimento muito honesto e aberto sobre o processo de gerar o disco. Como ela mesmo diz foi muito difícil, mas ao mesmo tempo muito mais maduro. Tudo mudou bastante para Liniker e a banda, Rafael Barone (baixo), Pericles Zuanon (bateria), William Zaharanszki (guitarra), Renata Éssis (backing vocal), Marja Lenski (percussão), Fernando TRZ (teclados) e Éder Araújo (saxofone).

Essa maturidade é algo muito perceptível ao longo do álbum, parece que as músicas forma mais gestadas que em Remonta (2016), parece que até os sentimentos foram mais superados ou mais nutridos. O primeiro álbum trazia quase uma urgência. “Deixa eu bagunçar você”, propunha, pedia ou implorava Liniker em “Zero”, música de Cru e Remonta.

Gravado na estrada, Goela Abaixo nasce de um outro momento. O disco foi concebido em diferentes partes do mundo. De Berlim (“Beau” e “Calmô”)  e Lisboa (“Amarela Peixão”) a São Paulo, Botucatu, Araraquara e Rio de Janeiro. Surge assim um novo sentimento tão presente quanto o carinho – a saudade.

Saudade, carinho, intimidade, paixão, calma, dor, paciência. O mais lindo do novo álbum de Liniker e os Caramelows é que todos esses sentimento e sensações estão crus nas letras e na própria atmosfera do disco. O que sentimos pode ser ambíguo, incontrolável, pode ser muito bom e muito ruim, talvez seja tudo isso até ao mesmo tempo. Essa é a alegria ou a tristeza de sentir, de se permitir sentir.

Assim, como já podíamos perceber em Remonta, Goela é um álbum guiado por vozes, desde de “Brechoque“, que abre o disco, até o refrão da faixa seguinte, “Lava“. Os instrumentos estão muitos mais polidos e com uma pegada mais rhythm and blues, como “Beau“.

Outro destaque são as participações. A cantora carioca Mahmundi é a convidada da música “Bem Bom”. Já a faixa que gerou o título do disco, Goela, foi gravado com um coral lindo de mulheres composto por Linn da Quebrada, Mel Gonçalves, Juliana Strassacapa, Ayiosha Avellar, Natália Nery, Grasielli Gontijo, Tássia Reis, Lina Pereira, Josyara e Renata Éssis, integrante da banda.

OUÇA: “Calmô”, “Amarela Paixão”, “Beau”, “Brechoque” e “Goela”

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