Imagine Dragons – Origins


Dentre as chamadas bandas de rock desta década, seja lá o que “banda de rock” ou “rockstar” venha a significar em 2018, o Imagine Dragons está no grupo das mais bem-sucedidas. Presença garantida em premiações, festivais e se consolidando como um dos atos mais vitoriosos quanto se fala em streaming, o grupo liderado pelo carismático Dan Reynolds lançou seu quarto disco, Origins, no começo de novembro. O álbum reforça o que o Imagine Dragons sabe fazer de melhor, ao mesmo tempo em que os faz cair em armadilhas bastante previsíveis. Aquele tipo de armadilha que só quem está absorto no processo não é capaz de prever, apesar do restante do mundo conseguir enxergar com clareza a direção que Origins seguiria.

O Imagine Dragons conseguiu bastante destaque já com seu disco de estreia, Night Visions, em 2012. Aquele disco contava com excelentes singles (“Demons”, “It’s Time” e “Radioactive”) e trouxe a sonoridade que a banda carrega até hoje: rock de arena com uma roupagem bastante pop. Apesar dos bons singles, o disco era bastante irregular, mas longe de ser ruim. Ruim mesmo foi o segundo disco cheio Smoke + Mirrors: longo, opulento e cansativo. No ano passado eles retornaram com Evolve e acertaram em cheio ao fazer um disco mais curto, menos superproduzido e com novos singles inegavelmente fortes (“Whatever It Takes”, “Thunder” e “Believer”).

Este é o histórico que nos traz até Origins, o segundo disco em pouco mais de um ano. Este é um álbum que mergulha de vez no pop e se perde em meio a seus lugares-comuns. Aqui há espaço para influências industriais, oitentistas, de R&B e de música africana. Essa diversidade é um ponto positivo do disco, no entanto os clichês saltam aos olhos. As batidas genéricas de “Boomerang”, “Cool Out” e “Stuck” poderiam estar em qualquer um dos trabalhos mais recentes do Maroon 5. Até a forma de dividir as palavras no refrão de “Bullet In A Gun” é totalmente previsível e já soa batida dentro da curta discografia da banda. Isso sem citar as letras que em nada evoluem em relação aos discos passados.

Fica claro que a banda quer ser a nova referência quando se fala em “banda de arena” e os números mostram que eles estão perto disso. Há referências aos grandes bastiões que lotaram, e lotam, estádios ao longo das últimas décadas. “Machine”, um dos bons momentos do disco, tem a parte percussiva muito próxima de “We Will Rock You” do Queen. “Love” poderia ser a faixa de encerramento de qualquer disco do U2 pós Pop. E não seria surpresa se “Bad Liar” fosse uma sobra de estúdio do Coldplay em algum de seus últimos discos.

O que chama atenção no Imagine Dragons é que, apesar dos tropeços, não há crise de identidade, algo bastante comum em bandas por volta do quarto ou quinto disco. A banda sabe exatamente quem é, do que é capaz e no que seu público está interessado. A música criada pela banda é pegajosa, feita para ser cantada a pleno pulmões e recheada de mensagens óbvias, mas que fazem todo sentido nos momentos de catarse coletiva que permeiam as apresentações ao vivo. Nesse sentido, pode se dizer que Origins é um novo acerto, mesmo errando o alvo na maior parte das faixas.

É impossível negar que o Imagine Dragons sabe compor singles fortes e tem inegável talento em construir refrãos. É inegável também reconhecer que a banda sabe o que seu público quer ouvir. No entanto, do ponto de vista de evolução artística, Origins revela uma banda que tropeçou ao enveredar por um caminho mais pop e ainda está à sombra de suas principais referências. Talvez uma parada para respirar e lapidar mais as canções faça mais sentido para o futuro da banda do que continuar lançando novas músicas criadas no piloto automático apenas para alimentar os algoritmos das plataformas de streaming.

OUÇA: “Natural”, “Machine” e “Only”

Engenheiro Civil. Nascido nos anos 80. Criança nos anos 90. Adolescente nos anos 2000. Já foi nômade. Gostaria que o dia tivesse 28 horas. Apaixonado por música e cinema e literatura e viagens.

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