I’m from Barcelona – Growing Up Is For Trees

barcelona

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Explicação chata mas necessária para essa resenha.

Começo esse texto dizendo algo que (muitos de) vocês já sabem: eu não sou escritor ou jornalista profissional. Mas, como já venho fazendo isso aqui há quase cinco anos, alguns métodos de escrita de resenhas foram desenvolvidos. O meu consiste em ouvir o álbum em questão pelo menos umas três ou quatro vezes em momentos distintos da vida e em situações diferentes antes de começar a analisá-lo e eventualmente registrar meus pensamentos em forma de texto que pareça coerente. Para o novo álbum do I’m from Barcelona, Growing Up Is For Trees, resolvi fazer exatamente o oposto. Enquanto escrevo essas linhas, eu ainda não dei play no álbum hora nenhuma – não ouvi nem o single “Violins” lançado meses atrás. Essa resenha consistirá de literalmente as minhas primeiras impressões do álbum conforme vou o escutando pela primeira vez. Por que estou fazendo isso? Porque sim. Let’s play.

O I’m from Barcelona, ao contrário do que seu nome sugere, é uma banda gigantesca vinda da Suécia. Eles são os donos de um dos melhores álbuns da década passada, o incrível Let Me Introduce My Friends, e desde então continuaram com uma sólida e bastante respeitável carreira mesmo sem nunca conseguir reproduzir novamente o que passaram em seu debut. Growing Up Is For Trees é o quarto álbum da banda (ou quinto, se você contar o 27 Songs From Barcelona e eu sinceramente não sei dizer se você deveria contá-lo ou não), e ele começa com os familiares e habituais elementos que você espera encontrar: corais, palmas, guitarras e aquela atmosfera leve e divertida – você nem percebe no primeiro momento que a letra de “Violins” conta com os versos ‘No past and no future tense‘ e ‘Old heartaches come crashing down‘. É um ótimo começo e uma evolução nítida para a banda, cujas letras sempre apresentaram uma inocência e simplicidade quase infantil.

Tenho a impressão de que essa justaposição entre a leveza da atmosfera e as letras mais sérias persistirá durante todo o álbum. E sim, eu estava certo. Até agora, pelo menos. “Lucy” é algo que merece um destaque, e é a primeira música que me (por falta de uma palavra melhor) chocou na discografia do I’m from Barcelona. Ela conta com uma batida e um riff de violão que só podem ser descritos como ‘urgentes’ e essa é uma palavra que eu nunca esperei usar sobre o I’m from Barcelona. Mais impressionante, é o fato de que ao mesmo tempo os metais e corais estão leves e divertidos como sempre. É apenas a terceira faixa, mas grandes chances de ser o ponto alto do álbum todo.

O restante do álbum parece dar uma amornada. A faixa título parece meio cansada na primeira audição, mas quando você para e presta atenção na letra vê que ela é, na verdade, linda. ‘I never wrote you a love song, but I wish I did. I never found the all the right words and frases and sentences‘. Ótima, a letra. Uma outra música que me chamou atenção foi “Sirens”, que tem um ar dos seus trabalhos anteriores mas ainda mantendo essa coisa de ‘olhar pra frente e fazer alguma coisa diferente com isso’ – coisa que eles parecem ter tentado nas outras faixas do álbum sem tanto sucesso.

“Departure” é a música mais I’m from Barcelona do disco, quase inteira sendo cantada pela banda toda junta sobre um violão simples, metais e percussão mínima – ela acaba com o tradicional conjunto de palmas e ‘wooos’ da banda e imediatamente te lembra de “Rec & Play”. Ótimo ver isso em 2015, de verdade.

Growing Up Is For Trees acaba com “Summer Skies”, outro exemplo de o quanto a banda amadureceu nesses últimos anos, ao contrário do que o título do álbum sugere. Growing Up foi um álbum surpreendente. Antes de ouví-lo, estava esperando que a banda fosse continuar fazendo o que sempre fizeram – e sim, é o que acontece aqui, mas a maior parte do tempo isso está misturado com alguma outra coisa que é nova. Seja nas letras (o maior exemplo do crescimento da banda) ou na produção, há sempre algum elemento que mostra que a banda não parou no tempo.

OUÇA: “Lucy”, “Violins”, “Growing Up Is For Trees” e “Departure”

and when the body finally starts to let go, let it all go at once not piece by piece, but like a whole bucket of stars dumped into the universe

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