Honeyblood – In Plain Sight



In Plain Sight é o primeiro disco do Honeyblood como um projeto solo de Stina Tweeddale depois da saída da baterista Cat Myers e expande bastante o horizonte sonoro do Honeyblood em diversas direções de uma forma que gera alguns momentos isolados interessantes mas que nem sempre funcionam em conjunto. A produção de John Congleton (St. Vincent, Angel Olsen, Priests) mostra potencialidades desconhecidas e interessantes de Stina mas às vezes fica pesada demais e tira a força de algumas faixas.

“She’s A Nightmare” abre o álbum com bastante força e já aí percebemos uma faceta diferente do Honeyblood com um som bem mais polido que qualquer um de seus predecessores, a produção transforma a música num eletro-rock com toques de power pop noventista com uma letra que é ao mesmo tempo sinistra e divertida narrando cheia de auto-ironia os pesadelos de Stina com uma mulher que a estrangula  toda noite. “The Third Degree” continua na mesma pegada sonora mas acaba ficando bem repetitiva lá pela metade e uma faixa de menos de três minutos parece que dura uma eternidade.

A sequência “A Kiss From The Devil” e “Gibberish” é o momento que mais funciona no disco porque introduz bem os novos timbres de guitarra e refrões pra cantar junto com linhas de baixo com bastante reverb e baterias velozes e cruas como costumavam ser trabalhadas no primeiro registro da banda. Esse equilíbrio na produção ajuda a não alienar os fãs mais antigos e as letras trazem referências de tropes do terror noventista que aparecem em outros momentos do álbum e aqui funcionam muito bem com os arranjos.

“The Tarantella” fecha o lado A do álbum e é uma faixa bizarra no melhor sentido da coisa, tem um quê de trilha sonora de filme de terror, uma rispidez grunge, linhas de synth escondidas que fazem dobradinhas e potencializam as passagens da guitarra. A música equilibra bem as cadências mais lentas com as explosões de energia e é um dos poucos momentos em que a produção mais polida fez bem para uma faixa nesse registro.

A segunda metade do álbum é bem mais puxada pra um noise pop com toques de eletro-rock e não apresenta nada de novo, apenas truques que já vimos mais bem executados no começo do disco. “Take The Wheel” é um noise pop com mais elementos cinematográficos no som que não acrescenta muito mas coloca uma deixa pra “Touch”, que é uma música com uma letra fortíssima sobre a agonia de ser tocada por alguém que te machucou mas cujo arranjo quase dançante tira a potência que uma letra assim teria se apresentada de outra forma.

O ponto mais fora da curva nessa segunda metade do álbum é “Twisting The Aces” que trabalha bem uma produção moderna eletrônica em cima de uma base que lembra o garage rock mais sentimental com passagens orgânicas que e realçam bem pontos específicos da letra.

O que mais decepciona nesse álbum é que você sente que tanto as letras como as ideias iniciais de alguns arranjos que estão ali são muito verdadeiros mas a produção exagerada faz o resultado final parecer plástico como se tivesse sido feito apenas para empolgar a galera num show em estádio. Stina Tweeddale é uma compositora incrível e é ótimo vê-la explorando outras formas de fazer música mas seria interessante buscar um outro tipo de produção para explorar essas novas referências trazidas em In Plain Sight.

OUÇA: “She’s A Nightmare”, “Gibberish”, “The Tarantella” e “Twisting The Aces”

Padawan em Arquitetura, músico e ilustrador

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