Grouper – Grid Of Points


Liz Harris não lançava um álbum sob o nome de Grouper, pelo qual é mais conhecida, desde 2014. Ao longo desse período, a artista focou em EPs e colaborações, e, embora esses trabalhos apresentassem marcas indiscutíveis de sua sonoridade, serviram mais para abrir o apetite dos fãs para um novo disco. Se você é uma dessas pessoas, é bem possível que Grid Of Points tenha se revelado uma decepção.

Não que o álbum seja ruim, muito longe disso, mas porque o próprio ato de chamar de álbum é quase uma demonstração de boa vontade. Grid Of Points tem apenas 21 minutos, ou seja, metade da duração que os anteriores lançados por Grouper. Digamos que você chega em casa depois de um longo dia, coloca o álbum para tocar, e vai preparar sua janta, ou deitar no sofá para relaxar, ou ler um livro. Antes da comida ficar pronta ou de terminar o primeiro capítulo, o álbum acaba, de forma abrupta e deixa aquele gosto de quero mais.

Porque tudo que atrai quem gosta de Grouper está aqui. São canções bem desenvolvidas, com foco para voz e o piano, que criam atmosferas envolventes. A sensação de ouvir Grid of Points é a de atravessar uma densa floresta, ou a de encarar o mar. Os vocais de Harris, em muitas das faixas, chegam mesmo a ter aquele efeito ondulante de idas e vindas. De intensidades que se elevam e se desfazem. A melancolia que marca a obra da artista está presente com mais força do que nunca. E chega até a ser ainda mais impactante quando aliada a títulos como “Thanksgiving Song” e “Birthday song”, que remetem a datas festivas.

Harris usa sua voz como instrumento, o que deixa as letras de suas composições em segundo – ou terceiro, ou quarto… – plano, mas que nunca parece forçado. Grid Of Points encaixa bem com as obras anteriores de Grouper, especialmente com Ruins, seu antecessor direto. Chega a ser recomendável ouvir em conjunto com esse outro álbum, pois, caso contrário, aquela sensação de insatisfação pode prevalecer. E vamos esperar que não tenhamos que esperar mais quatro anos para ver o qu

OUÇA: O álbum todo, não vai demorar muito.

Emannuel é escritor, internacionalista, filósofo pós-moderno, baixista amador, arrogante, neurótico, pessimista e usuário de figuras de linguagem, especialmente eufemismos e metáforas. E mentiras. Gosta de referências, citações, filmes em línguas desconhecidas, literatura barata, arte que ninguém entende e, na música, de folk, post-punk e britpop.

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