Florence and The Machine – High As Hope


Depois do insosso e quase furioso How Big How Blue How Beautiful de 2015, Florence Welch retorna, quase como uma surpresa e sem muito alarde, com seu quarto disco de estúdio agora em 2018. High As Hope apareceu repentinamente, sem muito furdunço e sem muitas promessas a serem cumpridas depois do balde de água fria que foi o disco anterior. De qualquer maneira, mesmo sem expectativas e, ainda pior, com o curto intervalo de tempo entre o anúncio oficial e o lançamento, a internet sempre vai à polvorosa quando um álbum da cantora é anunciado – a esperança vai lá pro alto. Não foi diferente com High As Hope.

Não tem como não admitir e não perceber que High As Hope é um álbum cheio de infinitos muito particulares. Esse disco é o qual a Florence mais se separa e distancia de sua Machine, projetando muito de seus desejos e, dessa vez, escancarando muito suas angústias e frustrações. Ela é o centro das atenções, mas sem soar egocêntrica, e não parece se envergonhar disso, soltando-se de uma maneira exemplar. Welch sempre teve um pezinho no quase gospel, com uma voz poderosa fazendo uma presença muito forte em tudo. Dentro desse panorama, High As Hope parece entrar ainda mais nesse mérito, aonde a voz de Florence é, praticamente, o único instrumento necessário para fazer uma música.

Esse quarto disco é muito límpido, muito cristalino e sem muitas camadas e nuances como os outros anteriores – talvez “Hunger” seja a única exceção aqui – e esse é mais um dos motivos pelo qual High As Hope parece bem distante do resto da discografia – um disco muito pessoal e muito intimista e com uma única premissa: colocar a voz de Welch no maior pedestal possível dentro de tudo isso. Num rápido panorama e pente fino pelos discos já lançados, High As Hope parece ser o disco mais sereno e centrado dela. E isso soa como um leve sopro de que podemos ter toda a grandiosidade da Florence retornando muito em breve. O disco tem seus momentos, mas ainda é muito morno e sem muitos instantes memoráveis. A coesão da obra é incrível, mas ainda assim o produto final parece ter algo inexplicavelmente faltando quando se trata de Florence and The Machine.

Em resumo, High As Hope é um leve escombro do que foram os primeiros álbuns, mas é um enorme avanço e sopro de esperança de bons caminhos a serem trilhados daqui pra frente. O disco ressuscita um pouco da sonoridade da voz poderosa da britânica, esquecida e escondida na densidade de camadas de How Big How Blue How Beautiful, dando uma boa renovada para toda sua potência. São em faixas simples como “The End Of Love” que relembramos todo o brilhantismo da cantora, por exemplo, mas ao mesmo tempo temos faixas muito estranhas como “Big God” aonde ela não parece se enclausurar de uma maneira quase claustrofóbica, ou chatinhas como “Grace”, com sua abertura exagerada para o religioso.

Eu sempre fui muito crítico com a Florence porque sei que ela sempre pode mais do que entrega – temos exemplos disso de sobra. High As Hope pode não ser tão grandioso como Lungs ou até mesmo Ceremonials, mas acaba dando uma ponta de esperança de que Florence está voltando para o caminho mais certo para ela: dando mais local para sua voz e centrando mais em uma coisa mais íntima, serena; e menos popular  e mastigada de uma maneira estranha. High As Hope é muito mais facilmente digerido e apresenta uma coesão mais interessante, funcionando muito melhor como disco do que seu antecessor, mas ainda assim precisa melhorar em alguns pontos para que seja um disco genuinamente da Florence, mostrando melhor ainda o seu potencial do que mostra.

OUÇA: “Hunger”, “Patricia” e “100 Years”

cinco minutos de beleza

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