Flight Facilities – Down To Earth

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Down To Earth é o disco de house mais pop do ano. O duo Flight Facilities não ousa, mas traz boas parcerias e a intenção de fazer parte do set das baladinhas ao redor do mundo. Os ouvidos sedentos por novidade podem passar longe desse disco, mas os que, porventura, quiserem dar uma chance aos australianos sintam-se a vontade também.

Ao longo das catorze faixas do disco são inseridas algumas narrações, em tom preventivo assim como é feito pelos pilotos de avião aos seus passageiros, criando uma atmosfera que acrescenta ao todo. Entretanto, ao ser pouco explorada, torna-se um trunfo perdido. Dessa forma, fica à cargo das participações darem o tom ao disco, em “Sunshine” temos um flerte com o soul e em “Crave You” um quase-disco enjoativo. Nesse cenário, o Down To Earth é totalmente disperso, sem coesão ao desencadear as canções e ao final temos um debut que funciona como vitrine: oferece os serviços da dupla para eventuais cantores procurando por beats.

Diante de um disco de parcerias, tratemos então da melhor delas. Bishop Nehru, do auge dos seus dezoito anos, versa seu rap de forma romântica em uma base de hip-hop instrumental bastante consistente e de viés relaxante. Assim como Flight Facilities trama sua rede de contatos musicais, Nehru é associado aos grandes nomes do rap norte americano atual, o que nos põe diante do caráter colaborativo do momento vivido por nós. As uniões às vezes não são pensadas apenas de forma unilateral, onde um artista já consolidado faz uma participação na música de um iniciante para ajudá-lo a ter notoriedade. Essas tramas podem se mostrar mais complexas, amizade, admiração e até algo como “toque guitarra no meu disco que eu faço uma letra pra você” são fatores que permeiam as trocas na música. Até os sites de streaming nos sugerem artistas parecidos com aqueles que ouvimos no momento, mostrando mais uma vez que o artista não se faz sozinho uma vez que está inserido numa teia de relações.

No caso do Down To Earth, talvez tenha faltado um fio identitário da própria dupla, que percorresse o disco a fim dele não se perder diante das diversas participações especiais. Contudo, é possível notar algum talento e outros possíveis trabalhos interessantes podem emergir deles no futuro, quem sabe.

OUÇA: “Two Bodies”, “Walking Bliss” e “Why Do You Feel?”

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