Electric Guest – KIN



Diante de uma situação tumultuada causada pelo atual governo do país onde vivem, artistas tendem a seguir por dois caminhos: aproveitar a revolta para fazer um álbum mais politizado ou optar pelo escapismo. Com seu terceiro trabalho de estúdio, o duo Electric Guest escolheu a segunda abordagem, lindando com os problemas dos Estados Unidos fazendo o que estão acostumados, ou seja, criando músicas leves e espirituosas.

KIN aborda assuntos bem triviais para Asa Taccone e Matthew Compton, que apostam mais uma vez em um tom descontraído, refletido até nas músicas mais românticas. Pieguice passa longe do álbum, ainda que algumas letras sejam simples demais para causar um efeito mais impactante.

Assim como nos dois álbuns anteriores, a sonoridade da dupla é repleta de efeitos inventivos e que dão um toque especial a cada uma das músicas. Além de sintetizadores, os artistas utilizam elementos comuns ao R&B em vários momentos, sempre com a pegada pop predominando.  

Um dos maiores destaques de KIN é a facilidade com que Asa vai do grave ao falsete com fluidez. A versatilidade do cantor evita a sensação de repetição e nos deixa interessados em saber como o vocalista vai continuar brincando com a própria voz antes de cada música acabar.

Quem acompanha o Electric Guest desde o excepcional Mondo (2012) vai perceber que eles seguem numa progressão coerente, mantendo a mesma aura sem grandes mudanças, mas se arriscando o suficiente para ousar em doses homeopáticas. A cada novo álbum, a dupla se aproxima mais do mainstream e KIN reforça o seu potencial para finalmente ser reconhecida de forma mais abrangente.

OUÇA: “1 4 Me”, “Freestyle”, “24-7” e “Birthday”

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