Disclosure – Caracal

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Como se não bastasse o desafio que sempre é a produção do segundo álbum (especialmente quando o primeiro é ótimo), o Disclosure também teve que conviver com o fato – e a pressão – de Caracal ser um dos discos mais esperados do ano. O álbum contou com a contribuição de nomes fortes, o que deixou a expectativa mais alta ainda.

O Disclosure encheu os olhos de muita gente com Settle, seu excelente e singular álbum de 2013. Além disso, com este trabalho, o duo abriu caminho para muitos artistas que beberam de suas influências, isso sem falar da repercussão causada em nomes como AlunaGeorge e Sam Smith após o sucesso da parceria desses artistas com o duo nas faixas “White Nose” e “Latch”, respectivamente.

Caracal não segue exatamente a linha do primeiro trabalho. Na realidade, foge bastante, mas sem perder a essência que já conhecíamos da dupla e sem precisar recorrer ao lugar comum. A excentricidade é uma marca que ninguém tirou até então dos irmãos Lawrence. O álbum começa em grande estilo com “Nocturnal”, faixa na qual o The Weeknd, um dos nomes mais pesados e de mais destaque de 2015, mostra todo o seu valor no vocal, que, por sua vez, encaixa perfeitamente com os sintetizadores, dando um ar retrô e charmoso à música.

“Omen” é mais um sucesso do Disclosure com o Sam Smith. Parece que, se eles trabalharem juntos até o fim dos tempos, só teremos coisas boas. O refrão é daqueles pra fazer qualquer pista cantar bem alto e consagrar Sam Smith. A R&B mesclada com a música eletrônica, característica de grande parte do álbum, é marcante nessa música. Não podemos deixar de destacar as palmas que parecem só um detalhe, mas fazem toda a diferença. Agora, não há como ouvir a faixa e não lembrar de “Latch”. Se isso parecer negativo por ser “repetitivo”, paciência. Eu acho que o que é bom pede bis.

“Holding On” é classuda. Se a faixa não tem a mesma força na pista que alguns singles anteriores, por outro lado deixa todos de cabelo em pé com o vocal do Gregory Porter, que dá um quê de jazz e transforma a música em algo realmente ímpar, além de contagiante. Falando em classe e vocal de tirar o chapéu, o que dizer da “Hourglass”, que contou com a Lion Babe no vocal? Que música maravilhosa e chique. Como o vocal encaixou bem com as batidas do duo! Sincronia perfeita.

“Magnets” me conquistou na segunda audição e parece ter sido assim com muitos. Talvez sua construção proporcione isso. O ritmo é lento e a música não é a mais dançante, mas a verdade é que achei também uma faixa maravilhosa. A Lorde me agradou muito nessa participação. Difícil algo que ela faça que eu não goste, na real. “Jaded” recebeu algumas críticas, porém achei boa. Nada que encha os olhos, mas divertida e o melhor: mostra que nem só músicas com participação especial tem o seu valor nesse álbum. Já “Good Intentions” nos leva para dar uma volta nos anos 80. Tem “cheiro” de viagem no espaço. Clima bem legal. Contudo, talvez o vocal do Miguel pudesse ser aproveitado de outra forma (mais intensa) também. Fica aqui o pedido para futuras parcerias.

“Superego” se assemelha bastante à “Good Intentions” e o vocal da Nao nos faz lembrar (de propósito?) o da AlunaGeorge em “White Noise”, em Settle. Experiência aprovadíssima. Uma das faixas de mais destaque. Por fim, vale dizer que “Bang That” é uma das mais dançantes e que vale a pena testar nas pistas.

O Disclosure, no geral, passou na prova do segundo álbum. Também mostrou mais da sua capacidade, mesmo que sem muita inovação. Caracal não ficará marcado na história como Settle, mas é um álbum de muito valor. Gostaria de mais novidades do Disclosure sem participações especiais para ter uma noção do quanto eles dependem disso atualmente. De negativo, senti falta de mais músicas dançantes como as do trabalho anterior. O BPM, no geral, é mais baixo, contudo me agradou muito ver a capacidade que eles têm de unir o pop à house, além da R&B, que deu uma elegância e um plus para mais um belo trabalho da dupla.

OUÇA: “Omen”, “Holding On”, “Hourglass”, “Magnets”, “Superego” e “Bang That”.

Jornalista apaixonado por cultura pop e música independente. Além de escrever sobre música, discoteca e produz festas alternativas.

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