DIIV – Deceiver



Se no início da década, o DIIV surgiu como parte da onda de shoegaze revival que estava em crescente na época, talvez eles tenham se perdido nesse mar. Mesmo que a estética fosse levemente diferenciada, e o lo-fi fosse uma das coisas pelas quais a banda se segurava, não tinha muita coisa que destacasse o grupo, a não ser uma ou outra música pegajosa, e uma considerável evolução do primeiro pro segundo álbum. É muito fácil ser mais um nesse gênero, talvez seja o maior problema dele.

A grande tirada de Deceiver é que, esse sim, consegue fazer algo muito mais interessante, ao mesclar outros gêneros na fórmula do DIIV, tornando cada música uma surpresa diferente. Diferenciar todas as músicas em um álbum de shoegaze já é um ótimo passo pra se destacar, e aqui a banda se utiliza de riffs que vão do grunge ao post hardcore melódico, e melodias inventivas que se encaixam muito melhor nessa sonoridade do que encaixava nas antigas da banda.

A melancolia do refrão de “Horsehead” dá o tom do álbum: não é mais aquele shoegaze divertidinho de antes. E a letra fala sobre o envolvimento do vocalista Cole com drogas de uma forma muito sutil, mas que passa uma sinceridade que é o carro chefe do trabalho. O mais engraçado é que, por exemplo, a banda brinca com a letra do refrão de “I Wanna Be Adored” do Stone Roses e suas múltiplas variações em “Skin Game”, enquanto esse provavelmente é o trabalho mais afastado dos moldes deixados pela mesma. Deceiver tá mais pra um filho de Smashing Pumpkins com Brand New e Title Fight, mas talvez não atingindo o mesmo nível de agressão dos mesmos.

Tirando, é claro, no que é provavelmente a melhor música do álbum, “Blankenship”, que tá muito mais pra Sonic Youth com Cloud Nothings. A carga política das letras, dando voz ao ativismo ecológico da banda, aliada aos breakdowns estrondosos e melodias suaves que se complementam perfeitamente, dão aquela pitada de atitude essencial, é o clímax que o álbum inteiro criou uma tensão pra chegar. E mesmo que seja um trabalho mais agressivo e sujo, a beleza de momentos como “Between Tides”, e a inspiração chupada de My Bloody Valentine em “For The Guilty” equilibram bem a energia do projeto.

A forma como Deceiver foi montado, as bases pelas quais ele se guia, e a forma como ele te cativa a continuar ouvindo é o que o DIIV precisava pra se provar no seu gênero. A inteligência das letras e a força dos instrumentos, aliados a uma produção impecável, traz balanço ao som da banda e torna tudo nele mais sincero. É a química perfeita que o grupo precisava achar pra engatar, e finalmente surfar na onda do shoegaze com propriedade.

OUÇA: “Blankenship”, “Horsehead”, “Taker” e “Skin Game”

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