Deerhunter – Why Hasn’t Everything Already Disappeared?


Why Hasn’t Everything Already Disappeared?, novo álbum do grupo Deerhunter, é uma ótima demonstração de como construir a atmosfera doce e melancólica que diversas bandas indies almejam sem soar pedestre ou repetitivo. Com dez canções e tocando por menos de 40 minutos no total, o disco é consistente ao criar melodias evocativas e agradáveis ao ouvido.

O Deerhunter consegue fluir entre climas mais grandiosos (como em “Détournement” e seus imponentes sintetizadores) e canções mais mais modestas (como a introdutória “Death In Midsummer”) graças a uma sensibilidade nos arranjos que confere ao disco uma sonoridade idílica e meditativa. O álbum como um todo tem uma inegável beleza que parece sempre flertar com a tristeza.

As composições de Bradford Cox são inteligentes ao ligar com uma variada gama de tópicos como o pessimismo a um cenário político extremista ou o lado tóxico da nostalgia, mas sempre usando uma abordagem coerente à natureza do disco ao elaborar composições crípticas e simbólicas. Por diversas vezes, pode não ficar claro ao ouvinte sobre o que as canções de Why Hasn’t Everything Already Disappeared? se tratam, mas a performance do grupo não deixa dúvida de qual sentimento eles buscam retratar.

Todos esses acertos na concepção do álbum se sintetizam na escolha perfeita para encerrá-lo com “Nocturne”, uma faixa sensacional que faz jus a sua duração de mais de seis minutos. A canção é uma viagem de beleza distorcida, usando efeitos para fazer a voz do vocalista soar como uma fita K-7 antiga: um toque que simboliza a preocupação do Deerhunter em entregar intimismo dentro de seu estilo lírico.

OUÇA: “Nocturne”, “Futurism” e “Détournement”

Como já diria Belchior, apenas um rapaz latino-americano. Ocupando demais tentando transformar o mundo num filme de Wes Anderson, mas trabalho como jornalista nas horas vagas.

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