City and Colour – A Pill For Loneliness



O natural caminho que poderia ser percorrido por City and Colour após cinco álbuns de estúdio foi, após quatro anos de espera, concretizado com A Pill For Loneliness e suas 11 faixas regadas à melancolia de forma etérea, e não mais rústica como em 2005. Desde que plugou todos os instrumentos e começou a usar sintetizadores, este é o mais perto que Dallas Green chegou, até hoje, da maturidade sonora de seu projeto solo.

O sucessor de If I Should Go Before You, um álbum controverso, pop e com pouca referência a si mesmo, tem suas raízes mais fortes em trabalhos marcantes e atuais, como The Hurry And The Harm, de 2013, e Little Hell, de 2011. São detalhes que trazem à memória os dois melhores recentes trabalhos de Dallas Green: enquanto “Living In Lightning” traz a antiga base de violão com os solos de guitarra que intercalam notas no piano, “Young Lovers” tem a energia do hit de seis anos atrás, “The Lonely Life”.

Primeiro single, “Astronaut” não é a melhor tradução do que é APFL, talvez porque o próprio disco não seja uma unidade tão clara. Apesar da música de trabalho emanar uma aura celestial presente na maioria das faixas, ela ainda é uma das mais pops. “Mountain Of Madness” era, certamente, uma escolha que agradaria muito mais os fãs por remontar àquela tristeza profunda e desesperada que só ouvimos antes no indiscutível sucesso de “Two Coins”.

Outro destaque do álbum, a tímida e curta “Me And The Moonlight” tem uma harmonia tão bonita que é impossível não querer que a faixa se estenda por, pelo menos, o dobro do tempo. No entanto, é muito provável que esta seja, com sorte, só uma intro dos shows. Em contrapartida, “Lay Me Down” se torna o destoante e triste encerramento do álbum, composta quase toda apenas por piano, sintetizador e a voz desistente de Dallas Green, clamando o verso “lay me down, I’ve had enough”.

Talvez o grande erro de A Pill For Loneliness seja realmente algumas músicas com batidas muito pops e óbvias, feitas para vender hit em rádio, e algumas experimentações destoantes,  em meio a algumas das criações mais bonitas de todo o projeto City and Colour. Mesmo assim, Dallas Green conseguiu retomar um fôlego melancólico que seus fãs estavam tanto esperando.

OUÇA: “Astronaut”, “Me And The Moonlight” e “Mountain Of Madness”

paulista, jornalista, cantora de karaokê e psicóloga de boteco.

1 Comments

  1. Nilson Astori

    Tem que ter muita coragem pra dar menos de 9 num disco do city and colour hein kkkkkkkkkkk
    Discordo da maioria dos seus comentários, porém gostei mt do site de vcs!! ah e o melhor disco é o “Litlle hell” 😉

Leave a comment

Please be polite. We appreciate that. Your email address will not be published and required fields are marked