Circa Waves – What’s It Like Over There?



À primeira vista, What’s It Like Over There? parece uma simplificação ou uma mudança de direção no trabalho dos ingleses do Circa Waves mas com uma audição mais atenta dá pra perceber que a aparente simplificação é na verdade a consolidação do som que eles vem construindo desde o primeiro álbum e agora conseguem dizer bem mais com menos elementos.

O álbum abre com a vinheta-título que parece bastante sem propósito dada a estética que o trabalho como um todo tem. Mas “Sorry I’m Yours” que vem na sequência soa mais como a verdadeira abertura e vem com uma grande força trazendo a energia característica co Circa Waves numa faixa que é ao mesmo tempo potente e sentimental. A música alterna bem a explosão de um riff de guitarra poderoso e abafado com uma levada de baixo e bateria que passa a vibe mais sentimental. O refrão cantado é desses simples e gostosos de cantar e o refrão instrumental fica na cabeça bem depois que a música acaba e essa é uma característica que vai aparecer em diversos outros momentos do álbum.

Na sequência temos “Times Won’t Change Me” que introduz um piano marcando o ritmo e combinado com a bateria com uma pegada militar mais lenta e que explode no refrão é uma ótima faixa pra cantar junto e deve funcionar muito bem ao vivo. “Movies” aparece logo depois e é uma faixa que saiu como single antes do álbum e dividiu a opinião dos fãs na época por se tratar de uma faixa abertamente mais pop do que tudo que o Circa Waves já tinha apresentado. É com certeza uma faixa mais comercial e de certa forma até genérica mas é agradável de ouvir e está bem posicionada no álbum entre duas ótimas faixas e funciona bem como transição.

“Me, Myself And Hollywood” é uma faixa bastante sentimental e transmite bem a atmosfera cinematográfica que e a letra pede através de uma construção que mescla uma guitarra mais pra cima com uma cadência de baixo e bateria mais lentas e os breaks da cozinha fazem bem a transição entre moods como cortes de câmera numa faixa bem curta.

A segunda metade do álbum é quase toda pra ser cantada em estádios com bons refrões e leves quebradas de tempo pra empolgar a galera no show. O melhor exemplo disso é “Be Somebody Good” com a sua bateria entrecortada no refrão e o melhor solo de guitarra do álbum inteiro.

What’s It Like Over There prova que e possível fazer fazer um som abertamente mais pop sem perder a energia do rock alternativo construída ao longo dos trabalhos anteriores.

OUÇA: “Times Won’t Change Me”, “Me, Myself and Hollywood” e “Be Somebody Good”

Padawan em Arquitetura, músico e ilustrador

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