Chelsea Wolfe – Birth Of Violence



Ao contrário do que o nome faz parecer, o sexto álbum de estúdio da compositora estadunidense é, sonoramente, um dos menos violentos da sua carreira. Isso principalmente em contraste com os flertes metaleiros do anterior Hiss Spun (2017) e o som darkwave consolidado em Abyss (2015). Agora em Birth Of Violence, lançado no dia 13 de setembro, Wolfe segue por caminhos mais acústicos do folk e country para criar o panorama gótico comum a todo o seu trabalho. 

Uma escolha bem consciente, diga-se. Em produção conjunta com o habitual parceiro Ben Chisholm, Wolfe traz uma nova roupagem de som onde os elementos elétricos e de sintetizadores estão mais enterrados na mixagem. Cria-se uma paisagem sonora enevoada como a da capa (destaque aqui para “Little Grave”), prenunciando a tempestade que casualmente chega ao final do trabalho, na gravação de campo “The Storm”. Em cima de tudo isso, sobressai o vocal e o violão, presente em quase todo o disco. Apesar desse caráter acústico remeter a trabalhos do início da carreira (Chelsea inclusive já fez uma compilação só com canções desse tipo, em Unknown Rooms: A Collection Of Acoustic Songs), aqui tudo tem muito mais fidelidade e polidez na gravação.

Para o bem, e para o mal: esse é um disco com a performance vocal muito mais contida, em registro mais agudo e sem os elementos agressivos de clipagem do lo-fi, o que faz com que as canções percam um pouco o caráter catártico que sempre marcou a sua obra. Não que Wolfe tenha desaprendido como pesar em sua interpretação: “Erde” e “Dirt Universe” são bons momentos para quem espera esse aspecto do trabalho. Os momentos de crescendo dentro do disco também fortalecem algumas canções, como na abertura “The Mother Road”.

Mas num geral, o clima é menos oscilante, que oscila entre bons momentos e outros infelizmente mais esquecíveis, caso do single “Deranged For Rock & Roll”. Na lírica, os temas como identidade feminina (“The Mother Road”, “Erde”) e desolação (“American Darkness”, “Highway”) transparecem em todo o disco e ajudam a fortalecer a coesão temática dentro da obra que se não soa exatamente como a Chelsea Wolfe de sempre, também está longe de ser um atira-pra-todo-lado.

Birth Of Violence é um disco menor de Chelsea Wolfe em um território que apesar de não ser totalmente novo, facilmente se diferencia da sequência dos últimos trabalhos da artista por uma maior sobriedade. Nesse sentido, a execução é competente, mas as composições menos inspiradas e a estética muito mais contida faz o álbum ficar pouco marcante na comparação.

OUÇA: “The Mother Road”, “Erde”, “Dirt Universe”

Estudante de jornalismo, quase duas décadas de vida, músico diletante, manezinho da Ilha. Normalmente com melhores ideias e ideais do que execuções, mas pode ter certeza de que estou trabalhando nisso...

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