Charli XCX – Charli



Charlotte Aitchison, ou Charli XCX, é uma força no mundo pop atual, mesmo que em grande parte seja por trás dos holofotes. A moça escreveu músicas como “I Love It”, para a dupla Icona Pop, assim como “Tonight” para o Blondie e “Señorita”, do Shawn Mendes com a Camila Cabello. Em paralelo a isso, a moça tem seu próprio material e inúmeras participações com outros artistas.

Seu novo trabalho solo, simplesmente chamado Charli, é tecnicamente seu terceiro álbum de estúdio e o que veio seguindo Sucker de 2014. Nesse meio tempo essa moça fez de tudo menos ficar parada. Entre Sucker e Charli, a moça lançou o EP Vroom Vroom e duas mixtapes, Number 1 Angel e a maravilhosa e subvalorizada Pop 2.

Pop 2 é a obra prima das mixtapes, um trabalho extremamente variado e com participações de nomes que vão desde Carly Rae Jepsen e CupcakKe até Tove Lo, Pabllo Vittar, Kim Petras e Caroline Polachek. Desde Vroom Vroom, Charli tem apostado em produções inusitadas, que vão mais pro lado estranho do pop e pc music. Completamente diferente do que havia apresentado nos seus primeiros discos, True Romance e Sucker.

E agora Charli segue a mesma linha de pop do futuro que ela havia nos apresentado em Pop 2, com um time estonteante de colaboradores: Lizzo, Sky Ferreira, Troye Sivan, Pabllo Vittar, HAIM, Christine and the Queens e até Clairo e Yaeji. O resultado é um trabalho bastante diverso, mas que tem a voz de Charli XCX – tanto literal quanto metaforicamente – no centro o tempo todo.

De uma certa forma, esse é seu primeiro álbum pop com produção real pop desde que o mundo começou a prestar atenção nela. E o resultado não é muito o que o mundo pop estava esperando. Mas, vindo da Charli XCX, não ser o pop que se estavam esperando já era o esperado (?). Tem tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo nesse álbum que a coisa mais fácil de ocorrer é você se perder ou se distrair enquanto o escuta. A faixa “Click”, com Kim Petras e Tommy Cash, é talvez o maior exemplo disso. Sua produção muda de direção tantas vezes em seus quatro minutos que quando acaba parece que um trem passou por cima de você.

Um momento quase desnecessário do álbum, e me dói muito escrever isso, fica com a participação da maravilhosa Lizzo em “Blame It On Your Love”. Trata-se de uma música que já apareceu antes em Pop 2, na época chamada apenas de “Track 10”, que foi regravada, reescrita e resultou em uma versão bem menos interessante do que a original, cujo verso da Lizzo é quase desperdiçado por que não faz muito sentido e não casa com o resto.

Charli peca pelo excesso. Tudo aqui é demais, e nem sempre isso serve pra elevar as músicas. É um álbum com 15 faixas no total e muitas delas estão longe de ser o melhor que a Charli é capaz de fazer. Há momentos em que ela e seus colaboradores brilham e chega quase a ser mágico, como “Gone” (com Christine and the Queens), “Cross You Out” (com Sky Ferreira) e “Shake It” (com Big Freedia, Brooke Candy, Pabllo Vittar e CupcakKe). Mas no geral, o álbum faz com que o ouvinte perca um pouco o interesse no meio das faixas.

Charli XCX já é um nome gigantesco no mundo pop, mesmo que não esteja nunca em níveis Beyoncé de reconhecimento. Mas tudo bem. Ela faz parte de uma geração de cantoras pop que se importam e muito com a música em si, assim como Carly Rae Jepsen e Robyn. Charli é um álbum desafiador, Charli tem do começo ao fim o ponto de vista da própria Charli. Nem sempre funciona, mas é inegável que ela sabe muito bem o que está fazendo e, principalmente, o porquê de fazer o que faz da forma que faz.

OUÇA: “Gone”, “Cross You Out”, “Next Level Charli”, “Shake It”, “February 2017”, “White Mercedes” e “1999”

and when the body finally starts to let go, let it all go at once not piece by piece, but like a whole bucket of stars dumped into the universe

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