Yeasayer – Erotic Reruns



Em seu quinto álbum, o Yeasayer vai fundo no repertório mais pop que apareceu timidamente ao longo dos anos e traz um álbum sem nenhuma das esquisitices e experimentações de seus antecessores com a intenção de falar de forma bem humorada sobre relacionamentos, sexo e cultura mas acaba soando infantil nas letras e repetitivo nos instrumentais.

Abraçar elementos pop não é novidade pro Yeasayer, o trio nova iorquino já havia dado pitadas de um som mais comercial em outros trabalhos mas  sempre mantendo uma pegada mais experimental e psicodélica no corpo dos registros. Em Erotic Reruns eles abandonam o experimentalismo e trazem um som mais fácil de digerir que, embora tenha algumas passagens interessantes, não cativa muito por ser repetitivo e maçante mesmo com faixas bem curtas.

“People I Loved” que abre o disco tem uma levada legal de baixo durante a música toda e alguns breaks que quase empolgam mas a dobradinha do riff com o falsete do vocal se tornam irritantes depois do primeiro break e os “na na na” que quebram uma letra que traz um questionamento sobre ser duro demais com quem se ama parecem deslocados e esvaziam uma letra e um instrumental que tinham bastante potencial.

“Ecstactic Baby” que vem na sequência sofre do mesmo problema. Conduzida por uma linha melódica de sintetizador intessante que em outro álbum do Yeasayer teria sido desenvolvida em algo mais complexo e rico musicalmente mas aqui repete os mesmos acordes até o fim com um refrão que parece ter sido pensado pra tocar em peça publicitária jovem.

A segunda metade do álbum é mais rica instrumentalmente com músicas como “Let Me Listen On You” que trabalha muito bem uma levada instrumental do pop rock setentista com um arranjo eletropop cheio de sintetizadores dissonantes e detalhes realmente instigantes que fazem o ouvinte se envolver do começo ao fim da faixa.

“Ohm Death” tem mais cara do pop atual que a banda demonstrou querer fazer no começo do disco mas trabalhada de uma forma bem mais rica com um som que preenche em várias camadas, amarrado por um baixo potente e sensual combinado a linhas de teclado que dão um ar bem urbano pra faixa.

Erotic Reruns como um todo é bem conciso e bem amarrado, o álbum tem quase trinta minutos e as faixas funcionam bem juntas mas quando você presta atenção a cada uma individualmente  parece que sempre falta algo pra elas impactarem o ouvinte mesmo com um ou outro elemento bem colocado.

OUÇA: “Let Me Listen On You”, “Ohm Death” e “Fluttering In The Floodlights”

Yeasayer – Amen & Goodbye

yeasayer

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O Yeasayer sempre foi uma banda peculiar, intelectual e interessante. Pontuando a carreira com quatro álbuns notáveis e muito bem feitinhos, com letras bem trabalhadas em historietas singelas (não tem como não lembrar de “Ambling Alp” e “2080”), a banda sempre teve uma preocupação que foi além dos discos em si. Entregar um material experimental que pode ser digerido com uma maior facilidade sempre foi o diferencial do Yeasayer nesse meio do eletrônico/alternativo e Amen & Goodbye não é diferente nesse quesito, mostrando uma banda que segue linear no seu conceito.

Ao contrário dos outros, Amen & Goodbye parece ser o primeiro disco em que o Yeasayer tem uma preocupação maior em amarrar tudo dentro de um tema mais parelho quanto às suas letras, caracteristicamente, inteligentes. A maturidade dos integrantes consegue se refletir facilmente na criação de pequenas fábulas dentro de quatro ou cinco minutos de música. O tema único se mostra na criação de um mundo psicodélico próprio do Yeasayer – e explorado no clipe estranhão de “I Am Chemistry”. A presença de interludes e introdução e finalização amarram a pequena bíblia de maneira espetacular, deixando Amen & Goodbye como um disco icônico na carreira dos americanos.

Foi nesse disco também que eles decidiram abusar, novamente, do tempero de experimentações – como não haviam feito desde seu debut em 2007. Quase dez anos depois a banda demonstrou que melhorou ao acertar melhor esses sintetizadores que pareceriam deslocados se a banda não tivesse adquirido toda essa experiência. Criar músicas com ritmos diferentes e, ainda assim, que soam estranhas caso não apareçam dentro do conjunto de um disco, é algo incrível feito por aqui.

O receio que eu tive ao ouvir pela primeira vez “I Am Chemistry” desapareceu completamente ao encaixar o single dentro dessa obra que é Amen & Goodbye. Um disco para ser apreciado com o devido cuidado e de maneira única. Uma preocupação de embalagem, em entregar um apelo visual e sonoro dentro de um único propósito. O Yeasayer acertou mais uma vez.

OUÇA: “Silly Me”, “Dead Sea Scrolls” e “Cold Night”