The Chemical Brothers – No Geography



São três décadas desde a formação do duo britânico, e No Geography traz mais uma vez o icônico The Chemichal Brothers ao centro da relevância num mundo pós furor da EDM. Com um quê de euforia nostálgica, Tom Rowlands e Ed Simons apresentam um material contemporâneo chamando o público para se libertar na pista através da dança.

Em 10 faixas, o duo complementa o bom trabalho iniciado pelos três ótimos singles “MAH”, “Got To Keep On” e “We’ve Got To Try”, compartilhados semanas antes do lançamento.  Dentre as inéditas, a faixa título “No Geography” e “Gravity Drops” remontam uma atmosfera nostálgica e cheia de adrenalina e “Free Yourself” trazendo um adicional de energia e frenesí, “Free yourself, free me, free them, free us, dance!”.

Em sua última faixa “Catch Me I’m Flying” a dupla traz uma balada profunda e leve para abaixar a euforia de suas irmãs predecessoras, o duo conclui useu nono álbum de estúdio num ótimo disco para suceder ao Born In The Echoes, resistindo ao tempo e mostrando uma sede em renovar-se e agitar a pista de dança.

OUÇA: “No Geography”, “Gravity Drops”, “We’ve Got To Try” e “Free Yourself”.

The Chemical Brothers – Born In The Echoes

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Junto com Giorgio Moroder, Underworld, Fatboy Slim e Daft Punk, The Chemical Brothers é um dos gigantes da música eletrônica. Junto com os franceses robóticos, eles dominaram a cena eletrônica nos anos 90 e olha que lá fora, além de grande, o gênero é muito competitivo, principalmente com grandes bandas do big beat como The Prodigy, Basement Jaxx e The Crystal Method.

Se nos anos 90 eles já dominavam as paradas, hoje em dia eles são considerados lendas do gênero, com clássicos como “Don’t Stop The Rock”, “Hey Boy, Hey Girl” e “The Salmon Dance” entre outras, que podem não ser as mais tocadas hoje em dia, mas são inesquecíveis.  Se antigamente eles eram relevantes para o eletrônico hoje em dia eles são relevantes para performances ao vivo, sendo carro chefe de festivais como o Sonár e conseguem ter um bom público que conhecem e vão além dos singles.

Sendo um dos nomes de referência de um estilo em uma determinada época é claro que todo mundo fica com um pé atrás quando esses tipos de artistas lançam coisas novas e como o The Chemical Brothers se encaixa na nova música eletrônica, como o EDM, que reinam em festivais como o Coachella e as rádios pop? O duo consegue acompanhar a música atual, mas com certeza não tem o mesmo apelo que tinham antigamente, ainda assim Born In The Echoes consegue boas sacadas que adentram no eletrônico atual, se apoiando em convidados, efeitos e batidas novas, mas sem entrar no clichê radiofônico, mantendo diversas características já conhecidas do duo, então o disco acaba sendo uma adição ao catálogo extenso do grupo e não “mais um álbum para cumprir tabela”.

As músicas são misturas que repassam a carreira da banda como “Sometimes I Feel So Deserted” que faz o uso do baixo característico. A segunda música, e single principal do álbum, é a com mais elementos pop, com participação do rapper Q-Tip, ainda que com um vocal diferente do pop eletrônico, a batida e os efeitos carregam a música, que conta, mais uma vez, com o baixo característico da banda.

Seguindo com as participações especiais, “Under The Neon Lights” conta com St. Vincent nos vocais e é a música mais diferente, a começar que você não fala que é St. Vincent no vocal nem que é uma música do The Chemical Brothers que junto com “EML Ritual” é como se fosse uma sobra retrabalhada de Further, com o tom mais sombrio e oitentista que o álbum de 2010 carrega.

Mudando totalmente de rumo “I’ll See You There” e “Reflexion” partem para uma onda psicodélica, esta ultima lembrando um pouco Hot Chip e Daft Punk (e talvez a melhor música do álbum). O outro destaque de Born In The Echoes é “Wide Open” que tem a participação de Beck nos vocais em um som mais calmo, essa em momentos também lembra musicas do Hot Chip.

Apesar de bom, Born In The Echoes não é tão relevante para a cena musical quanto outros álbuns, ele é bem consistente, tem alguns picos muito bons, mas nada que faça dessas musicas algo marcante na carreira do duo. O bom desse trabalho é saber que The Chemical Brothers ainda tem o que mostrar, não reinventa a roda, mas também não cai nos braços do EDM e mostra uma boa adaptação aos novos (e antigos) estilos, sem perder sua essência, que acredito ser o que carrega The Chemical Brothers como referência no mundo da música eletrônica até hoje.

OUÇA: “Reflexion” e “Wide Open”