Silversun Pickups – Widow’s Weed



Widow’s Weed, o quinto disco do Silversun Pickups, traz algumas novidades para aqueles que acompanham seus trabalhos anteriores, mas não apresenta o grupo americano em um de seus melhores momentos. Porém, mesmo pouco memorável e sem trazer algo do calibre da canção-assinatura “Panic Switch”, o álbum funciona e agrada.

O disco traz elementos já conhecidos pelos fãs da banda: a intensidade que parece herança do emocore, os vocais melancólicos de Brian Aubert e canções tristes. Como já é possível perceber no single “Freakazoid”, a sonoridade dessa vez está mais próxima do acústico, com menos sons eletrônicos do que de costume. Isso dá a Widow’s Weed um aspecto mais antigo e grunge, algo inusitado para uma banda que sempre soou moderna.

A escolha valoriza os a natureza melodramática da banda, como em “Straw Man” – um dos destaques do álbum com suas guitarras mais pesadas. No entanto, na maior parte das canções, isso despe o Silversun Pickups de sua maior força, que é o potencial catártico e angustiado de seu trabalho. Em seu novo trabalho, muito do que é apresentado soa parecido entre si, além de similar a outras bandas. É uma escolha genérica.

Assim, Widow’s Weed é um trabalho sólido e mostra um lado diferente do Silversun Pickups. No entanto, soa diversas vezes como um álbum filler, sem algo que o torne memorável e não deve ficar na memória dos fãs.

OUÇA: “Freakazoid”, “Straw Man” e “Bag Of Bones”

Silversun Pickups – Better Nature

-silversun
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Quase uma década depois de ter escutado aquela que seria uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos, os californianos do Silversun Pickups lançam seu quarto disco de estúdio e cada vez mais se afasta da sonoridade suja e impactante que eles eram conhecidos, ou quase isso.

Em 2007 o grupo de Noise Pop-Shoegaze lançaram o ótimo Carnavas, logo de cara já dava para perceber diversas características que fariam da banda algo diferente da juventude Indie Rock da época. Chamados de “Novo Smashing Pumpkins” a banda realmente lembrava o grupo liderado por Corgan: A voz diferenciada, boas levadas de guitarra, letras razoavelmente tristes e por ai vai.

Dois anos depois chegava Swoon, o sucessor de Carnavas e que não fez feio, não caindo na famigerada “Crise do segundo álbum” e trazendo ótimas músicas seguindo mesmo estilo debut como “There’s No Secrets This Year”. Já em 2012 veio Neck Of The Woods e bem… as coisas mudaram de rumo, mais denso, porém menos sujo eles seguiram para um lado mais Dream Pop, com tantos efeitos embaralhados em uma única música que nem sempre era possível apreciar aquilo que estava tocando, uma tentativa de evoluir o som, mas sem desagradar seus fãs que não deu muito certo, até agora.

Better Nature chegou como aquele álbum que iria reinventar o som do quarteto, ainda não foi dessa vez, pelo menos não assim de cara. A primeira vez que eu escutei o álbum eu odiei já tinha preparado um textão falando mal da banda e como eles abandonaram as guitarras e ficaram muito eletrônicos. Sério não sei como a primeira vez que se escuta Better Nature você repara tanto nos elementos diferentes que acaba passando despercebido pelas guitarras e evoluções musicais.

Em uma segunda tentativa de degustar o álbum as coisas mudaram já começava a perceber tudo aquilo que faz de Silversun Pickups ser bom: As guitarras, a voz andrógina de Brian Aubert e as letras. Apesar de tudo estar mais leve, dessa vez os efeitos mais eletrônicos não chocam tanto, pelo menos não de forma negativa, um equilíbrio entre as guitarras e os efeitos deixam esse álbum aquilo que o Neck Of The Woods deveria ter sido.

Mesmo sendo uma evolução, Better Nature ainda peca e muito em deixar o baixo apagado, apesar Nikki ter mais participação como back vocal, o baixo dela passa quase que desapercebido.

Entre os destaques, “Cradle (Better Nature)” é uma boa abertura para o álbum, “Friendly Fires” com o crescendo de sintetizadores e teclados e que apesar de calma é bem densa, “Nightlight” que trás de volta a levada de bateria quebrada dos primeiros álbuns além de uma guitarra mais pesada e “Circadian Rhythm (Last Dance)” onde a baixista faz um ótimo trabalho nos vocais sendo essa a melhor música da banda desde a “época boa”.

Assim como “Lights” do Interpol, Better Nature não é um álbum que os fãs vão gostar logo de cara e normalmente se eu não gosto de algo eu não volto a ouvir, mas fica aqui o pedido: dê mais uma chance ao álbum, mas não agora, dê algum tempo para ele amadurecer. Better Nature é o tipo de álbum que só tem como melhorar, basicamente como um vinho que quanto mais velho, mais saboroso fica, mesmo assim se você procura aquele Silversun Pickups Jovem de Várzea cheio de guitarras, não vai encontrar, mas isso não quer dizer que você não possa apreciar a evolução e mudança para algo mais pop-eletronico.

Mesmo ele tendo a chance de ser muito bom no futuro, por hora ele ainda é uma nota 6, já é muito melhor do que a nota 3 que eu daria na primeira vez que escutei e quem sabe daqui uns anos eu não volte a essa resenha para mudar a nota para algo maior.

OUÇA: “Cradle (Better Nature)”, “Circadian Rhythm (Last Dance)” e “The Wild Kind”