Say Lou Lou – Immortelle


Com 7 músicas, as irmãs Say Lou Lou lançam o segundo álbum da carreira. Se nunca ouviram, é só imaginar um voz sexy sussurrando dentre batidas pop-eletrônicas. Mas, em Immortelle eles foram muito além do estereótipo noir.

Claro que toda estética de filme noir ainda é uma grande referência para dupla. Em entrevista a NME, elas dizem se inspirar assistindo filmes e clipes antigos, a partir desse contato criaram uma vibe, um mundo particular que contextualiza o álbum. Essa narrativa e estética está explícita no curta que acompanha o álbum. Immortelle é antes de mais nada um manifesto feminista, sobre como as mulheres são vistas no mundo.

As irmãs defendem que um artista não pode ficar restrito apenas a um tipo de mídia. O importante é a audiência engajar com suas produções. O curta também parte desse ponto, que as mulheres não devem ser definidas apenas por uma coisa e que são capazes de muito mais. Em “Golden Child”, a temática de liberdade também está presente, como percebemos no trecho: ‘They’re gonna cut you to the core/ Gonna try to cool you down (down)’

Com uma melodia crescente, “Ana”, o single do álbum soa como a junção perfeita entre Portishead e Lana Del Rey. Cercada por violinos intensos por toda a composição, a música é o alterego de uma mulher no topo de tudo. Depois de ouvir as outras músicas, que apesar de parecerem meio repetitivas, são muito originais ao transitar por referências desde sci-fi, retro-futurista até disco anos 70. As sete músicas do álbum acabam por ser pouco e não conseguir suprir a necessidade do ouvinte, que apesar de novo, é ávido por mais Say Lou Lou.

OUÇA: “Ana” e “Golden Child”

Say Lou Lou – Lucid Dreaming

saylou

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Gêmeas cantando são sempre algo que chama atenção no mundo da música, não obstante o fato de que já temos tantas bandas boas do tipo, mesmo assim sempre há espaço para o interesse ser despertado por atos desse calibre. Tegan and Sara, The Veronicas, Ibeyi, Pepê e Nenem e a lista vai que vai… E as irmãs Kilbey-Jansson do Say Lou Lou entram facilmente para essa biblioteca de artistas com o seu talento vocal interessante.

Lucid Dreaming é o primeiro álbum das irmãs depois de uma relativa longa demora – considerando o mundo musical cruel de hoje em dia – depois do lançamento de seus singles que chamaram a atenção do público. “Julian”, “Everything We Touch” e “Better In The Dark” vieram bem antes de qualquer indício de um lançamento mais concreto na praça e isso foi o principal erro das garotas. Bandas iniciantes são fadadas a sucumbir à uma pressão para impressionar a crítica que as outras mais veteranas já não passam mais; num mundo que exige lançamentos rápidos, certeiros e sedentos por sucesso, elas pecaram pela criação de expectativa. E isso marcou.

A criação da expectativa em cima do álbum veio toda graças às boas performances das moçoilas ao vivo e dos singles excelentes que precederam o lançamento. A voz delas sempre foi o diferencial, a versatilidade e a combinação das duas traz todo o tempero diferente da Say Lou Lou. Se outras bandas de gêmeas têm um apreço mais instrumental, as irmãs aqui preferem dedicar toda sua atenção ao seu melhor instrumento: a voz.

Essa versatilidade é responsável por ir desde uma combinação mais grave e lúcida em músicas como “Peppermint” até uma fragilidade aguda em “Nothing But A Heartbeat”, passando por momentos divertidos como em “Games For Girls”. Realmente elas criam com sua voz em cima da batida praticamente toda sintética. É bastante interessante ver essa mistura do orgânico com os synths e melodias propostas por elas.

As letras são simplistas e singelas e, infelizmente, apelam para um lado mais do frágil que gostaria de ver. Elas não são expoentes feministas – como estávamos acostumados a ver na música nessa onda mais recente – e usam a maré contrária para falar das relações – “Julian”, “Beloved”, “Hard For A Man” – expondo algo menos cru e visceral do que as mulheres mais recentes.

Letras não são o forte das queridonas aqui, os singles são sim excelentes, mas Lucid Dreaming não empolga como eles. A criação de expectativa foi, como disse, um erro bastante forte. As músicas lançadas previamente – junto com algumas outras – parecem meio deslocadas no meio do álbum como um todo. Elas fizeram bonito com sua voz, mas faltou coesão ao entrelaçar as músicas e entregá-las como álbum. Lucid Dreaming funciona bem para Say Lou Lou se desmiuçado, algumas músicas bastante excelentes e interessantes que não se relacionam bem umas com as outras no conjunto da obra, parecendo uma coleção de notas esparsas sobre assuntos que não se dão bem. Esse problema não é só delas, mas infelizmente as atingiu de maneira certeira…

OUÇA: “Games For Girls”, “Julian” e “Everything We Touch”