Said the Whale – Cascadia


Pouco se fala, mas Cascadia — título do 6º álbum de estúdio da Said the Whale — é o nome dado a uma biorregião localizada a oeste da América do Norte. É também o nome escolhido para uma proposta de país (país este que abrangeria alguns pontos dos Estados Unidos e Canadá). Inclusive, se olharmos o merchan da banda, veremos a bandeira verde, azul e branca do país proposto em meio aos demais itens à venda.

Em termos de som, Cascadia mostra o trio canadense (formado por Tyler Bancroft, Ben Worcester e Jaycelyn Brown) mais pop. Melodias melosas, letras diretas e simples, instrumentos básicos (guitarra, baixo, bateria e teclado). Nada muito fora da caixa.

Com 12 faixas, o sucessor de As Long As Your Eyes Are Wide, tem faixas que se sobrepõem: a faixa título tem uma pegada indie rock parecida com a de bandas como Real Estate. “Old Soul, Young Heart”, por sua vez, freia a levada pop rock do disco e incorpora o folk com ukulele e acordeon. “Record Shop” é meio nostálgica e chicletinho (até demais), parece ter sido tirada de um disco antigo do Weezer. “Moonlight”, que tem jeitão de lado B, tem belos teclados.

A paternidade recente de Bancroft serve de guia nos temas das letras: “Level Best”, penúltima faixa, é uma balada de amor incondicional; “Love Don’t Ask”, cantada por Worcester, além de possuir teclas semelhantes a xilofones infantis, parece querer ensinar uma lição e ao mesmo tempo provar esse amor incondicional.

Cascadia funciona bem como faixas independentes. O álbum não soa como uma unidade, apesar de navegar pelas águas do pop rock/indie rock quase todos os seus 38 minutos de duração. Acaba que, para os ouvintes que não são tão fãs da banda, o cd se torna meio cansativo, mais do mesmo. Porém, certamente os adoradores curtiram este que, para o próprio frontman, é o “mais Said the Whale dos álbuns do Said the Whale”.

Se fosse escalada para festivais como o Lollapalooza, a banda se sairia bem pelo conteúdo popular do seu som. No mais, Cascadia não mostra grandes novidades para o mundo da música. Contudo, soa como a vontade de se construir algo novo. Fica na vontade, assim como o país.

OUÇA: “Cascadia”, “Level Best” e “UnAmerican”

Said the Whale – As Long As Your Eyes Are Wide

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Said the Whale é uma daquelas bandas que você ocasionalmente vai descobrir mexendo pelos relacionados do Spotify, tive o prazer de resenhar o álbum deles hawaiii (2013) e a gente aqui do You! Me! Dancing! foi até xingado pelos caras da banda por termos vazado o álbum. Aparentemente sabendo que a gente conhece a banda eles decidiram fazer um álbum bem fraco para que a gente nem se importasse. LEDO ENGANO BANDA BALEIA DO CANADA, LEDO ENGANO!

Não, esse texto não é uma represália por eles terem nos xingado, mas sim uma resenha que eu não gostaria de fazer, pois muitas das músicas antigas do Said the Whale são muito boas e esse álbum não chega aos pés do que o grupo já trouxe!

Enquanto a banda sempre viajou pelo indie, em As Long As Your Eyes Are Wide eles usam e abusam dos elementos do indie pop e seus sintetizadores. Agora como um trio, os canadenses decidiram seguir a onda das músicas de bandas indies atuais, solos de guitarra já não conquistam o público como antigamente, então usar bastante os elementos de sintetizador e explorar ao máximo o pequeno número de membros da banda é essencial, além é claro de vocais sobrepostos bem comuns da banda que remete ao começo da carreira, quando alguns elementos de folk eram bem presentes nas músicas.

Instrumentalmente essa mudança não me agrada, pode ser até uma “síndrome de primeiro álbum” onde nada será tão bom quanto era no começo, ou até uma saturação sem novidade do estilo mas a criação do Said the Whale para o álbum não é algo de se destacar. O grande ponto de destaque do álbum são as letras: relacionamentos já cansados, aborto e luto são temas que aparecem. Miscarriage é um dos poucos momentos de destaque do álbum tanto liricamente quanto instrumentalmente, é talvez a maior mistura de gêneros que a banda trabalhou e que num conjunto trás uma melancolia nova num nível estilo “Hurrcane Ada” (uma das melhores músicas da banda) do álbum Little Mountain (2012).

Entretanto enquanto uma música se destaca as outras não tem essa correlação entre a letra e um instrumental que abraça a causa da música, assim fica meio estranho você ter uma música com um instrumental alegre e uma letra que fala sobre morte, não casa, mas o importante para a banda é atingir um público de maneira mais simples e eficaz, o famoso feijão com arroz: certeiro e sem inventar. “Step Into The Darkness” é esse PF sem erro, fácil de digerir e chamativo sem precisar inventar, o que é bom para alcançar novos públicos, mas conhecendo a carreira da banda não é nada de excitante.

“Emily Rose” é um outro destaque do álbum, bem mais folk que o restante do álbum a música é talvez a última ponta de lembrança do que um dia o Said the Whale já foi e não temos como culpar a banda por seguir um novo rumo, é tudo uma questão de adaptar ao mundo da música atual, e esse álbum é basicamente esse interlúdio de adaptação da banda: ainda não esqueceram tudo o que fizeram, mas precisam olhar para o futuro,.

Num geral o gosto pessoal interfere muito nessa nota, não da para falar que o álbum é ruim dentro do propósito que a banda quer. Tanto que de todos os álbuns do hoje trio, As Long As Your Eyes Are Wide é o mais fácil de digerir para o público geral e isso é ótimo para uma banda de pequeno porte que é o Said the Whale para conseguir um público atual, porém mudar seu som e não inovar em quase nada faz desse álbum algo solido mas irrelevante, só mais um numa maré de bandas que tentam se adaptar aos nomes do Indie Pop atual. Já no meu gosto pessoal o álbum foge muito daquilo que a banda já foi e infelizmente não vale aquela escutada, não é nesse álbum que você encontrará todo o potencial que a banda tinha enquanto um grupo e não como um trio.

OUÇA: “Miscarriage” e “Emily Rose”.

Said the Whale – hawaiii

2013said

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A banda canadense Said the Whale pode não ser muito famosa por aqui, mas eles tem de tudo para conquistar o público com seu quarto álbum de estúdio. hawaiii (sim com 3 i’s mesmo) mostra que toda banda, independente de ser grande ou não, precisa crescer e amadurecer sem perder sua essência, mas também sem ter medo de explorar novos rumos e é isso que hawaiii demonstra: o crescimento deles como músicos.

O quinteto de Vancouver começou em 2007, porém só em 2011 eles conseguiram um destaque na mídia ao ganhar o prêmio de melhor banda nova do JUNO Awards, uma das principais premiações musicais do Canadá. O Said the Whale é uma banda versátil, experimentando diversos tipos dentro de um próprio estilo, em seus trabalhos anteriores sempre houve espaço para músicas bem humoradas, músicas com tecladinhos indies e, mesmo que o foco seja as músicas mais alegres, eles mostraram que conseguem ter seu lado mais sombrio em musicas mais pesadas. Em hawaiii eles mesclam muitos estilos diferentes dando bastante força para os teclados e pianos soando como uma banda de country-indie-powerpop.

O Said the Whale não trabalha um membro específico, não há um guitarrista virtuoso com solos ou até riffs marcantes, também não existe um frontman de peso que os fãs possam chamar de ídolo, tanto que a banda já passou por algumas mudanças na formação e em diversas músicas há uma troca de vocalista, variando bastante e dando uma cara nova para as músicas. Talvez o que mais destaca a banda individualmente é a beleza (e habilidade) da tecladista Jaycelyn Brown que é ponto chave em músicas como “More Than This”, que inicia o álbum de forma mais calma com os membros da banda fazendo o vocal em coro somente com o piano e um tamborim de instrumento. O guitarrista diferente dos álbuns anteriores busca também modificar o estilo das guitarras, passando desde acordes com batidinha típica de bandas indies até guitarras mais cavalgadas em músicas mais densas e rápidas.

Por terem vários estilos dentro de um, facilmente quem escuta encontrará uma música que irá agradar. O álbum parece uma compilação de músicas feitas ao longo dos anos e cada uma tem sua propriedade e seu valor e isso faz com que o álbum seja agradável de escutar. Exemplos de como a mistura de elementos faz de hawaiii um bom álbum é “Willow” que combina perfeitamente a bateria do Black Keys com os vocais do Band of Horses ou do Fountains of Wayne. Outro ótimo exemplo é “Resolutions” que é a adição mais inesperada ao álbum, nessa música em questão temos batidas eletrônicas, com efeitos vocais e guitarras, lembrando até um pouco (bem pouquinho) Radiohead contando até com um rap no final e o melhor de tudo: a música cai como uma luva no álbum, se um dia eles quiserem ir para esse lado mais eletrônico as chances de sair algo bom é grande.

Liricamente as musicas contém composições honestas, não são letras que você tatuaria nas suas costas ou que escreveria em sua lápide, mas isso não quer dizer que elas pecam, as melodias junto com os vocais e oh-la-la’s de fundo se completam e fazem seu papel. Com batidas dançantes como em “Mother”, partes acústicas e bons vocais em “Narrows”, um single alegre e ensolarado como “I Love You”, a experimentação em “Resolutions” e o final calmo/triste com cara de adeus com sopros e metais em “The Weight Of The Season”; hawaiii é um álbum que vale a pena ser escutado se você quer algo bom, completo e divertido sendo perfeito para quem procura bandas razoavelmente novas e quem sabe até uma banda pra ser sua nova queridinha que poucos conhecem (contribuindo para seu lado hipster de butique aflorar).

OUÇA: “I Love You”, “Safe To Say” e “The Weight Of The Season”