Ra Ra Riot – Superbloom



Em seu quinto álbum de estúdio o Ra Ra Riot não foge da fórmula pré-estabelecida do indie pop good vibes com melodias suaves e letras igualmente suaves, sem abordagem de temas complexos e que evocam calma e tranquilidade.

A banda não arrisca muito e acaba presa em uma forma, que embora seja agradável de ouvir, não traz novidade e é facilmente confundida com trabalhos antigos tanto do Ra Ra Riot como do Vampire Weekend, Phoenix e MGMT.

A melhor e mais chiclete faixa do novo disco é “A Check For Daniel”, que em alguns momentos lembra “aquela do Vampire Weekend” (“A Punk”). É a música mais agitada e dançante do álbum e a única que não economiza tanto nas guitarras.

Outro destaque do álbum é a faixa “Belladonna”, que tem um refrão contagiante, e um arranjo musical construído de forma excelente. Os instrumentos são perfeitamente encaixados com um coro de fundo e um interlúdio com diálogos em japonês.

Não há muito o que comentar sobre a composição das letras de Superbloom, todas são genéricas e parecem terem sido feitas somente para preencher os arranjos já construídos, que são muito bons e a principal qualidade da nova obra.

O trabalho novo do Ra Ra Riot não fugiu da zona de conforto. Às vezes isso é bom, outras vezes isso é ruim. Nesse caso o resultado é mais positivo que negativo, mas se tivessem buscado arriscar poderia ter saído um trabalho melhor.

A fórmula indie pop ainda não está totalmente esgotada e permite o surgimento de álbuns de boa qualidade, mas é preciso que se procure alternativas para reinventar.

Sem fugir muito do formato, o Phoenix tentou fazer algo original com o Bankrupt! em 2014 e o Vampire Weekend fez neste ano com Father Of The Bride. Talvez no próximo trabalho o Ra Ra Riot possa trazer sua contribuição para reinventar o indie pop.

OUÇA: “Belladonna”, “A Check For Daniel”, “War & Famine” e “This Time Of Year”

Ra Ra Riot – Need Your Light

rara

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Ao escutar os primeiros segundos de “Water”, o primeiro single do álbum novo do Ra Ra Riot, Need Your Light, podemos perceber duas coisas: os eletrônicos de Beta Love que substituíram as até então predominantes cordas não foram uma fase e estão de volta permeando seu novo trabalho; e isso é algo ótimo. A segunda coisa bastante nítida é a produção de Rostam Batmanglij, ex-Vampire Weekend, que se mostra bem presente principalmente na batida. E isso também é algo ótimo.

O Ra Ra Riot surgiu em 2007 com o excelente EP auto-etitulado e no ano seguinte provaram que não vieram pra brincadeira, com o magnífico The Rhumb Line. Sua capacidade de misturar o indie rock à Death Cab for Cutie com constantes violinos e violoncelos era memorável. Mas as coisas mudaram um pouco quando a cellista Alexandra Lawn saiu da banda; no lugar de procurar um(a) outro(a) responsável pelo instrumento, o Ra Ra Riot reestruturou todo o seu som para seu terceiro álbum, Beta Love, e introduziu sintetizadores marcantes e batidas mais dançantes. Beta Love, contra todas e quaisquer chances, foi álbum ótimo e pode até ser considerado quase um segundo debut para a banda. E é a continuação dele, três anos depois, que vemos em Need Your Light.

Se Beta Love foi um experimento, Need Your Light é o definitivo. Os eletrônicos ainda estão bastante presentes, mas eles agora são mais fluidos e não tão pesados como antes, e aqui também vemos uma volta do violino como instrumento presente em quase todas as faixas. Need Your Light é o casamento do Ra Ra Riot antigo com o Ra Ra Riot novo, e ele é maravilhoso. Músicas como “Absolutely” e “Foreign Lovers” são perfeitos exemplos de Ra Ra Riot em sua essência, e poderiam muito bem ser b-sides ou outtakes de seu primeiro álbum. E também vemos “Every Time I’m Ready To Hug” e “Instant Breakup” que exalam um senso de novidade e frescor não muito explorados antes pela banda.

A voz do lindo do Wes Miles continua sendo o instrumento mais interessante da banda, com seus quase falsettes e timbre extremamente agradável. Rostam pode não ter assinado toda a produção de Need Your Light mas sua influência é facilmente percebida até nas faixas sob as quais não foi responsável diretamente. E o resultado é maravilhoso.

O Ra Ra Riot soube crescer e mudar de forma incrível sem nunca deixar de ser o que sempre foi. Eu sempre sou o primeiro a dizer que sim sinto falta do violoncelo, por causa do meu amor quase incondicional ao instrumento em si, mas não tem muito motivo pra falar realmente mal desse novo Ra Ra Riot. Poucas bandas são capazes dessa mudança drástica no som como vimos do The Orchard para o Beta Love, e é ainda menor o número de bandas que conseguem resgatar um pouco de suas raízes depois dessa mudança brusca. E o Ra Ra Riot conseguiu, ponto.

OUÇA: “Every Time I’m Ready To Hug”, “Absolutely”, “Instant Breakup”, “Water” e “Suckers”

Ra Ra Riot – Beta Love

2013rrr

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Beta é a denominação mais comum para algo que ainda está em fase de teste, mesmo que já liberado para o mercado, usado para refletir a opinião de consumidores ávidos pela novidade. Esta fase final de produção e inicial de teste de apelo público é a mais importante para refletir em melhorias do produto final e consertar eventuais falhas. Nessa pegada, de experimentação e testes de opinião é que o Ra Ra Riot parece levar seu terceiro álbum de estúdio, Beta Love.

Depois de esbanjar instrumentos de corda bem colocados, atípicos e pitorescos em uma banda do gênero, em suas duas primeiras obras-primas e agraciar o mundo com um lirismo impecável, o Ra Ra Riot parece dar um passo muito longo para frente, pulando etapas essenciais de transição para um som totalmente sintético como observado nesse novo álbum. Esse longo pulo parece ter prejudicado os rapazes de Syracuse em diversos momentos do álbum, deixando o que poderia ser algo bastante fluído – como observado na trinca inicial de músicas – com diversas pedras no meio do caminho.

Passado o choque de observar que o Ra Ra Riot não é mais aquela banda que se apóia fortemente em um violino doce ao fundo e uma voz bem inserida nesse contexto, totalmente construída numa harmonia mais calma e incessantemente barroca, Beta Love até que se torna um álbum simpático e talvez não cumpra o que a banda procurava fazer: a experimentação com todos esses sintetizadores e auto-tunes desnecessários certamente devia ter algum significado mais profundo para a banda do que o que nos chega. Beta Love é apenas o terceiro álbum do Ra Ra Riot, apenas mais um álbum e nada além disso.

Recolhido à sua, praticamente, insignificância, Beta Love tem seus momentos de glória, onde as cordas doces de Rebecca Zeller parecem casar perfeitamente com os sintetizadores propostos para essa nova fase e complementando a voz interessante e sagaz de Wes Miles. Nesses acertos, como observa-se facilmente em “Is It Too Much” e “Beta Love” é que o álbum tem uma leveza que parece nos fazer acreditar que sintetizadores conseguem, sim, casar perfeitamente com um violino, sem problema algum. Mas a glória logo vai por água abaixo e a segunda metade do álbum aparece para nos fazer ver que o Ra Ra Riot parece uma banda totalmente fora do seu contexto ao abusar do poder que lhes foi dado.

Veja bem, não estou achando ruim o uso dos sintetizadores e todas as digitalizações que observamos em Beta Love, muito pelo contrário, a proposta é muito interessante e pareceu ter seus momentos felizes, mas, infelizmente, a distribuição bastante precária das faixas e a mão pesada em alguns momentos pareceu ter tirado todo o brilhantismo que algum dia já foi próprio do Ra Ra Riot. Toda a criatividade próprias do The Rhumb Line e do The Orchard, primeiros registros da banda, parecem ter esvaecido de maneira estranha.

O álbum é, basicamente, mesmo que curto, cansativo. Tudo está alegre demais para o Ra Ra Riot, que tinha uma felicidade sutil inserida em seu contexto melancólico (em faixas como “Boy” e “Too Fast”, dos outros discos, por exemplo, isso fica escancarado); tudo está alegre demais, e isso talvez possa soar um tanto quanto falso em alguns momentos, como em “Angel Please” e sua letra escrota e o abuso da boa vontade em “What I Do For U” e “That Much”, esta última que percorre todos os synths possíveis do mundo em seus minutos finais, estragando tudo que o jogo perfeito entre cordas e eletronices poderia ter ocasionado. O casamento das primeiras faixas parece ter acabado em um divórcio traumático lá pelo final do disco. Um álbum antitético em sua plenitude é o que Beta Love é, no fim das contas; abrindo espaço para um futuro misterioso para o Ra Ra Riot.

OUÇA: “Binary Mind”, “Beta Love”, “Dance With Me” e “I Shut Off”