Peter Bjorn and John – Darker Days


Lendo a resenha do Pitchfork do Darker Days, lançado em Outubro passados dois anos do eletrônico Breakin’ Point, percebi que Peter Bjorn and John é um grupo passível do rótulo de banda de um hit só. Embora a dançante e incansável trilha sonora “Young Folks” seja o trabalho mais conhecido da banda, está longe de ser o mais profundo e complexo, estando bem atrás inclusive de faixas menos chiclete do mesmo disco, Writer’s Block.

Os três álbuns seguintes da banda foram de alguns hits e experimentações com música eletrônica (principalmente o anterior ao Darker Days, Breakin’ Point), mas seguem à sombra tanto do hit “Young Folks” quanto do disco Writer’s Block. Com um intervalo de cerca de 5 anos entre Gimme Some (2011), do qual sou muito fã, e Breakin’ Point (2016), Darker Days veio, em algum sentido, como uma surpresa pelo intervalo menor, de 2 anos. A identidade visual segue a mesma desde o Gimme Some: enquanto o disco de 2011 contou com a marcante mão azul de três polegares, Breakin’ Point trouxe a luva do Mickey e o martelo de três cabeças, Darker Days explora a temática da tríade com um triângulo feito de ossos, que remonta a identidade das mãos do Gimme Some.

Levando em conta essa relação das capas entre si, esperei escutar algo mais próximo do Gimme Some do que do Breakin’ Point e, nesse sentido, minhas expectativas foram atendidas. Como fã da banda, senti um conforto no coração nesse movimento. Depois de ouvir o álbum uma vez, pouco atenta, apenas um faixa me chamou atenção a ponto de pegar o celular e olhar o nome: “Wrapped Around The Axle”. Embora pouco impressionada, não me senti decepcionada. Insisti em ouvir mais algumas vezes e, embora o instrumental mais “de volta às raízes” não seja instigante, as letras passaram a chamar atenção.

Darker Days é uma mistura de comentário político-social com reflexões e anseios afetivos e algo de auto reflexão. Com um Bolsonaro recém-eleito, existe algum conforto em perceber que bandas da minha adolescência trazem assuntos atuais do tipo vigilância e big data (ver “Silicon Valley Blues”), embora de uma forma excessivamente explícita.

De modo geral, o retorno ao clima de Gimme Some traz algum conforto e alguma esperança de uma experimentação maior que não passe pela forçação de barra eletropop do Breakin’ Point, mas pelo reencontro com estruturas que ainda podem ser muito bem exploradas. Darker Days pode ser o prenúncio de um novo caminho bastante positivo.

OUÇA: “Heaven And Hell”, “Wrapped Around The Axle” e “Silicon Valley Blues”

Peter Bjorn and John – Breakin’ Point

pbj

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Peter Bjorn and John se estabeleceram bem cedo em suas carreiras como uma banda que podemos contar sempre que quisermos ouvir algo para nos divertir. O trio sueco, tradicional por seu som indie que flerta com o mainstream, sempre foi muito bom em criar refrões que ficam tão firmes na cabeça que é difícil não ter vontade de cantar junto e dançar… principalmente, dançar.

No Breakin’ Point, os suecos receberam ajuda para refinar ainda mais sua clássica sonoridade indie, com os produtores Paul Epworth, Emile Haynie e Greg Kurstin. Para qualquer banda com esta linha de som, este pode ser considerado um line-up dos sonhos. Mas algo no meio de todos os ajustes, equalizações perfeitas e correção de erros investida neste álbum abriu o questionamento: e se todos os erros e defeitos, na verdade, eram parte fundamental da sonoridade da banda?

Explicando melhor, o álbum inegavelmente soa excelente. “Dominos” abre o álbum com sintetizadores que impressionam, enquanto “What You Talking About?” aposta em falsetes claramente inspirados em obras de Michael Jackson, com linhas de baixo muito identificáveis. Estas duas músicas, em particular, tem uma produção impecável, sem uma nota perdida sequer, o que deixa nítida a possibilidade de explodirem em suas versões ao vivo.

Mas com isso, chegamos ao grande problema. Ao fim das 12 faixas, o álbum simplesmente parece ser feito de plástico. A forma como seus produtores poliram o som tirou uma grande parte da sensação de diversão tradicional dos álbuns de Peter Bjorn and John, dando, desta vez, uma identidade de uma banda indie forçando a barra do pop ao limite.  Um único momento, porém, onde essa fórmula foi usada de modo correto é em “In This Town”, que mais parece ter saído de uma playlist anos 80 feita para viajar de carro.

A parte dos refrões repetitivos, superprodução exagerada e uma estranha sensação perto do que estávamos acostumados em seus álbuns, Breakin’ Point pode agradar um público que ainda não foi familiarizado com as tradições destes suecos. Ele não deixa de ser um álbum interessante, mas mostra um lado menos divertido de uma banda com um trabalho muito variado.

OUÇA: “Dominos”, “What You Talking About?” e “Breakin’ Point”.