Panda Bear – Buoys


É difícil pensar em alguma banda cujos integrantes produzam na escala que o Animal Collective produz e que conservem qualidade e integridade com a proposta inicial. Sem precisar fazer grandes malabarismos estilísticos, o Animal Collective (em todas as suas variações de composição) fez, desde o estreante Spirit They’re Gone, Spirit They’ve Vanished, de 2000, outros 10 discos enquanto conjunto, além de 9 EPs de qualidade tão boa quanto os discos e mais 3 álbuns ao vivo.

Um dos membros mais “ativos” da banda, Noah Lennox, que atende pelo nome artístico de Panda Bear, não fica atrás em sua produção solo: são pelo menos 6 álbuns atribuídos a ele enquanto performer solo. Assim como no Animal Collective, Noah manteve, ao longo desses 20 anos de atividade, uma linha produtiva extremamente coerente. Coerentes a ponto de beirarem o autoplágio. Se não fosse a capacidade de inovação e posição de vanguarda impressionante de suas produções (tanto solo quanto coletivas), cada um dos muitos lançamentos seria um tédio.

Mas esse não é o caso. Nunca é o caso. E não é o caso para Buoys (leia “bóias”, segundo o próprio Lennox em entrevista para O Globo), novo disco a ser lançado em fevereiro. Com 9 faixas de duração moderada (a mais longa mal chega aos 5 minutos), Buoys foi composto durante o período de preparação e turnê do aclamado Sung Tongs, que passou pelo Brasil no segundo semestre de 2018.

Apostando novamente no combo voz-violão, o álbum não é marcado pela complexidade das composições e nem dos arranjos, mas pela criação de uma atmosfera: vemos muito o uso dos ecos e efeitos na voz, pontuações eletrônicas e um uso ritmado do violão como marcador de percussão, assim como no Sung Tongs, mas em menor escala, deixando espaços menos preenchidos e mais reflexivos.

Assim como no coletivo Tangerine Reef, que, embora seja o primeiro trabalho do Animal Collective sem a participação de Panda Bear, Buoys coloca, em algum grau, a temática marítima — e enfrenta o mesmo problema de similaridade entre as faixas, como se cada uma fosse uma explicação da anterior e tornando difícil a distinção entre eleas, que Tangerine Reef. Claro que pode ser um risco associar esses dois trabalhos, especialmente porque um deles sequer conta com a participação de Lennox, mas, para mim, é impossível dissociar os trabalhos solo e coletivos nos quais Noah se envolve.

Se para o Tangerine Reef a NME falou em tediosos “tons de cinza” em contraposição à “bagunça colorida” de Merriweather Post Pavillion, podemos evocar a figura das cores para garantir para Buoys um lugar ao sol: os vocais são interessantes, pronunciados e, mesmo sem a sensação de “coletividade” que marca os vocais do Animal Collective, e do próprio trabalho solo do Panda Bear em outros momentos, evoca uma espécie de solidão compartilhada, como se estivéssemos à deriva (em bóias, que seja) sabendo que existem outras pessoas naquela situação.

Diferentemente dos tímidos 60% que Tangerine Reef marcou segundo o Metacritic, com opiniões ferozmente negativas, como a da NME, vejo Buoys no espectro da maturidade de Lennox: depois de um sucesso estrondoso do solo Panda Bear Meets The Grim Reaper, de 2015, avaliado acima dos 80% no Metacritic, e de uma excelente turnê com o Sung Tongs, Panda Bear nos mostra que ele é capaz de revisitar os próprios trabalhos e criar algo especial. Não propriamente novo, mas não menos especial por isso.

OUÇA: “Dolphin”, “Cranked”, “Master” e “Home Free”

Panda Bear – Panda Bear Meets The Grim Reaper

pandabear

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Panda Bear ou Noah Benjamin Lennox é novo – apenas 34 anos – mas já tem uma carreira tremenda. Você pode não o conhecer de nome, mas ele fez contribuição para um dos grandes álbuns da música internacional, o retorno dos robôs do Daft Punk. Ou ainda lembrar que ele fez parte de uma das maiores bandas da última década, o Animal Collective.

Agora você para e pensa: Panda Bear Meets The Grim Reaper deve ser um ótimo álbum, um dos melhores do ano, um puta disco, né? A resposta é: não.

O álbum não é nada mais que pretensioso. O disco transita do ruim para o aceitável, pois às vezes os versos chicletes até conseguem entrar na sua cabeça. Mas as melodias são fracas; e dão agonia. Tanto que para ouvir o disco inteiro você precisa estar preparado. A voz de Noah entra no seu ouvido como se fosse uma agulha com soro, ardendo a cada milimetro que penetra dentro da sua pele. É irritante.

Panda Bear consegue nesse início de 2015 entrar para a lista de piores álbuns do ano, num ano que só tem 1 mês e meio e entrou para ficar.

Tem a pretensão de ser profundo, tem a pretensão de ser grandioso, tem a pretensão de ser inventivo, mas o máximo que consegue é ser ruído, grunhido, e coisa assim. E muita coisa consegue ser boa sendo ruído e grunhido. Mas Panda Bear não. Nem chega perto. Não é de se espantar que eles, os pandas, estão perto da extinção com alguém destruindo o nome assim…

OUÇA: “Mr Noah”, “Boys Latin” e “Crosswords”