Palace – Life After


Palace sempre soou grande em minha mente. As músicas parecem sempre ter um ar de grandiosidade, seja pelos instrumentais, seja pelos vocais ecoantes. Suas músicas de ritmo sereno e impactantes marcaram tanto meu ano de 2016 (quando descobri seu primeiro álbum) que até hoje tenho escrito na parede branca do meu quarto So Long Forever. Então, 3 anos depois, lançaram Life After.

Temas pesados de perda, significado e superação são reabordados nesse novo álbum, embalados por um ar mais aconchegante e positivo em comparação ao primeiro projeto da banda. O indie atmosférico super bem construído nas 11 faixas faz você ser transportado para algum lugar onde tudo tem um tom de azul, ora anil e bem iluminado, ora marinho e nublado. Em “Bones”, quase dá pra sentir no rosto o vento frio evocado pelas cordas tristes de violinos e violoncelos ao fundo, enquanto os vocais de Leo Wyndham e os arranjos de guitarra de Rupert Turner abraçam os ouvidos, como um bom agasalho.

A última faixa de 7 minutos é um fim de obra lindo que ressoa na alma, combinando perfeitamente com a mensagem que a banda parece querer passar. Não sei se intencional para causar uma reflexão, mas se você ouvir o álbum em loop, “Life After” toca logo em seguida de “Heaven Up There”.

Porém, nada novo debaixo do Sol. As letras podem fazer olhar pra cima, e a positividade pode tomar conta na maior parte do álbum, mas em questão de estilo, a banda não traz nada de novo. 3 anos, mesmo para artistas que marcaram seus fãs como Palace me marcou, pode ser o tempo para as músicas caírem no esquecimento dentro das playlists menos usadas de outra época. O desafio de apetecer fãs antigos sem perder o som que os fez se apaixonar, e ao mesmo tempo procurar se inovar e se manter original sempre é um desafio. Em minha opinião, desejava mais de Life After. Mais emoção, mais impacto, mais alguma coisa. As músicas são boas, mas não se destacam muito, nem entre si, nem entre as bandas indies atuais.

Talvez os lançamentos das músicas coincidam com momentos pessoais, marcando individualmente algumas pessoas e não aparecendo no radar de outras. Billboard e outros charts de popularidade talvez sirvam para ajudar as pessoas a chegar no som das bandas ou só mesmo para que o círculo de dinheiro das gravadoras continue girando. De qualquer forma, não deixe de fazer esporadicamente a curadoria de suas músicas e playlists. Somos seres em constante transformação, e assim deveriam ser nossas músicas. Palace, tudo bem. Ainda guardo você no coração.

OUÇA: “Life After”, “No Other”, “Running WIld”, “Bones” e “Heaven Up There”