Oh Land – Family Tree



Qual é o caminho depois de se provar como uma das cantoras mais interessantes da Dinamarca? Para alguns artistas, o rumo da próximo etapa é milimetricamente calculado. Para outros, as circunstâncias da vida são mais fortes que qualquer planejamento. No caso de Oh Land, seu divórcio foi o que alterou os planos após Earth Sick (2014), em que ela manteve o estilo palatável cheio de synths e ainda deu outro passo rumo ao experimentalismo.

Devido ao fim de seu casamento, a dinamarquesa acabou se entregando a novas composições para exorcizar os demônios da separação. Como ocorre com muitos outros cantores e compositores, o trabalho logo após uma situação como essa costuma ser uma espécie de transição e é justamente o que acontece em Family Tree.

O quinto álbum solo da carreira de Oh Land, cujo nome eh Nanna Øland Fabricius, funciona como uma sessão de terapia para a cantora virar a página. Com serenidade, a artista se entrega ao conceito de árvore genealógica, que permeia o disco inteiro, como em “Coma”, “Sunlight” e na canção-título, usando folhas e galhos para fazer analogias.

Apesar de não mirar no pop desta vez, falta a Family Tree refrões mais consistentes. Piano e harpas são a base das melodias, que funcionariam bem como trilha de uma fábula medieval. Porém, poucos momentos geram algum impacto e o que começa como algo suave e calmante logo se torna enfadonho e repetitivo.

O que salva Family Tree de ser um sonífero esquecivel são as composições maduras de Oh Land. Trechos como ‘After the storm We’re starting over Even the rain knows that I am different now’ exemplificam a beleza das letras do álbum. Pena que logo que chegamos a esse ponto inspirador, ele acaba.

OUÇA: “Human Error”, “Brief Moment” e “After The Storm”