Lewis Capaldi – Divinely Uninspired To A Hellish Extent



A primeira vez que Lewis Capaldi apareceu na minha timeline não foi nada relacionado a música. Um tweet dele comemorando, em tons de ironia, o fato de que seu nome saiu errado no line-up de algum festival que ele tocaria. Na mesma semana, um vídeo com ele andando em Hollywood procurando um desentupidor de vasos foi o suficiente para eu pensar “uma pessoa capaz de zombar tanto de si mesma publicamente merece minha atenção”.

O cantor glaswegian de 22 anos tomou o carisma dos fãs com uma velocidade que eu não via desde quando a Adele surgiu lá em 2008 (e fazia cada concerto dela parecer um espetáculo de stand-up). No entanto, em contraponto com essa postura easy-to-go, britânicamente sarcástica e auto-depreciativa, Lewis projeta uma aura músical sombria e melancólica que eu particularmente gosto de definir como um neo-emocore-soul.

Lá em 2017, ainda sem gravadora, Lewis lançou o Bloom EP, e foi a junção de sua personalidade na internet com sua música, sempre baseada na sua força vocal única, que lentamente criou uma projeção internacional. Em 2018 ele lançou “Someone You Loved”, seu primeiro single oficial, e o fato de a música ter chegado ao topo da parada britânica mostra que ele já é a mais nova powerhouse escocesa dos últimos anos.

Divinely Uninspired To A Hellish Extent, seu álbum de estreia, nada tem de inovador ou progressivo, mas em nenhum momento deixa de parecer autoral. Produzido em conjunto por um batalhão de músicos de alto-escalão (dentre eles TMS e Malay), o produto final é um álbum pop em seu sentido mais puro, sustentados pela voz de Capaldi e pelas várias narrativas de decepção amorosa e vulnerabilidade.

Desde a primeira frase “I’m not ready to be just another of your mistakes”, em Grace, até a última faixa do álbum, Headscape, e o incrível one-liner “I never thought a lie could sound so sweet until you opened your mouth and you said you loved me”, o álbum está recheado de narrativas sobre frustração amorosa preparadas para o fazer se envergonhar no karaokê da firma na próxima sexta depois da terceira dose de tequila.

Sonoramente, Capaldi segue um caminho confortável, já percorrido anteriormente por James Morisson, George Ezra, Sam Smith e Tom Greenan. Canções construídas em torno de piano ballads com uma pitada de folk alternativo, como em Hollywood, que possivelmente é a faixa mais atraente do conjunto. Parece sensato para um álbum de estreia, mas no fundo deixa o público com uma vontade de vê-lo se arriscar um pouco mais.

Lewis Capaldi não falha em entregar um álbum redondo. Bem produzido, são 40 minutos de um pop formulaico, seguro, que não falha em se conectar com seu público devido. Aqui está um novo provável nome de peso para o cenário musical que certamente não esqueceremos tão rápido.

OUÇA: “Grace”, “Someone You Loved” e “Hollywood”