Kaiser Chiefs – Duck



O Kaiser Chiefs tem uma trajetória interessante. Despontou com força com seu debut, Employment, em 2005 no auge do post punk revival. Manteve o sucesso comercial com o disco seguinte, Yours Truly, Angy Mob, e viu as vendas diminuírem gradativamente com os discos seguintes. Ressurgiru com Education, Education, Education & War, o disco mais coeso desde o debut. Stay Together, o disco seguinte, foi o pior trabalho que a banda já fez: forçadamente pop, eletrônico, genérico e esquecível. Assim, a notícia de um novo trabalho, o sétimo, veio com uma dúvida: qual direção a banda seguiria? Seria um retorno aos bons trabalhos ou eles manteriam a mediocridade de Stay Together?

Com o primeiro single dessa nova empreitada, “Record Collection”, a dúvida ainda permaneceu, pois a faixa está justamente no meio do caminho entre o eletrônico e o analógico. Foi somente com o segundo single que o Kaiser Chiefs mostrou realmente qual seria o tom de Duck. “People Know How To Love One Another” é o Kaiser Chiefs fazendo o que sabe fazer de melhor: um rock pegajoso, cheio de energia e com um refrão que já nasce clássico com a repetição constante do nome da faixa, mesmo truque que eles já utilizaram com êxito em “Ruby” e “Never Miss A Beat”.

É justamente essa energia que se destaca no restante do disco. Faixas como “Golden Oldies” e “Don’t Just Stand There, Do Something” poderiam facilmente estar em Yours Truly, Angy Mob ou Employment, apesar de que a sonoridade do disco como um todo está muito mais próxima de Off With Their Heads, o não tão bem-sucedido terceiro disco. As conhecidas características da música do Kaiser Chiefs estão todas presentes em Duck: as guitarras, a bateria bem marcada, alguma intervenção eletrônica, os refrãos e a empolgação dos vocais de Ricky Wilson estão todos lá.

Mas não pense que a banda apenas repetiu truques que deram certo no passado. Há uma série de sutis novidades que podem ser citadas: os metais de sopro da terceira faixa, “Wait”, enriquecem muito seu arranjo e a tornam um dos pontos altos do disco; “The Only Ones” se aproxima bastante do rock de arena com o qual o Kaiser Chiefs já havia flertado, mas nunca executado; “Electric Heart” tem nova preocupação e maior cuidado com as harmonias vocais. No fim das contas, esses detalhes fazem com que Duck soe fresco.

Portanto, pode-se dizer que Duck é essa obra que sabe mesclar o que de melhor a banda sempre fez com sutis e boas novidades em sua música. Quem diria que depois do estrago que foi Stay Together, o Kaiser Chiefs voltaria com um bom disco? Pois foi exatamente o que eles fizeram: um bom disco. E a essa altura da carreira não dá para esperar que eles revolucionem a música, mas depois de Duck podemos continuar esperando por bons, divertidos e bem produzidos discos do Kaiser Chiefs.

OUÇA: “Wait”, “Target Market”, “People Know How To Love One Another” e “The Only Ones”

Kaiser Chiefs – Stay Together

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Sempre que o Kaiser Chiefs lança um álbum novo a primeira coisa que me passa pela cabeça é “como é que isso vai soar ao vivo?”, já que normalmente a característica principal dos caras são músicas enérgicas e uma presença de palco contagiante. Mas desde que o primeiro single do sucessor de Education, Education, Education & War saiu, “Parachute”, já tinha ficado claro que as coisas haviam mudado de direção… bruscamente.

Seguindo o synthpop chiclete já manjado por N bandas do cenário atual, Stay Together parece alguém que chegou tarde demais para a festa em que o Coldplay chegou na frente lá em 2010 . Soa como algo que deveria ser empolgante há alguns anos atrás, e que agora já está mais do que saturado. Tudo parece um remix qualquer, mas é a versão de estúdio mesmo.

E aí eu me perguntava “como essas músicas vão ficar num setlist junto com as antigas?”, então resolvi checar uns vídeos para conferir como está sendo ao vivo. E então me deparei versões bem mais dignas do “Kaiser Chiefs de sempre”. A guitarra estava lá e não sufocada debaixo de produções excessivas e enfeitadas da versão de estúdio, assim como a vontade de dançar e pular com as mesmas também.

Alguns falam que o Nick Hodgson faz falta (ex-baixista e compositor), mas se esse fosse o principal problemas acredito que o baque maior teria sido no primeiro álbum pós sua partida lá em 2014 e não agora. Education, Education, Education & War ainda tinha um quê de Kaiser Chiefs vivo, mas em Stay Together a essência se perdeu por completo. Seguir o caminho do pop é rentável, mas apenas se você fizer isso certo.

A mais certeira definitivamente é “Press Rewind” em que finalmente a banda acerta num pop oitentista bem sincero ,  justamente  a faixa que começa com Wilson afirmando “this is pop music, we’re writing a recording of pop music”.

O resultado final de Stay Together foi um pop que não cumpriu sua função de contagiar e acabou entediante, desnecessário e sem identidade. Porém, ao vivo sempre pode ser melhor, né?

OUÇA: “We Stay Together” e “Press Rewind”.

Kaiser Chiefs – Education, Education, Education & War

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Querendo ou não, o primeiro álbum do Kaiser Chiefs, Employment, é um dos pilares do so-called ‘indie rock moderno’ e a banda, uma das mais bem sucedidas do rock pós-Strokes dos anos 2000. Mas muita coisa aconteceu desde que os rapazes de Leeds previram um tumulto em 2004. Com uma carreira cheia de acertos e deslizes, o Kaiser Chiefs lança seu quinto álbum de estúdio, Education, Education, Education & War e ele é bem o que é: um álbum do Kaiser Chiefs.

Education é uma contradição: A capa do álbum imita (novamente) algo desgastado e velho, como a capa do seu clássico Employment e, no entanto, a música que os meninos escolheram para ser o lead single do álbum foi “Coming Home”, uma das mais sérias e maduras que eles já gravaram. Essa discrepância é uma boa forma de descrever Education, na verdade. Eles mostram aqui um Kaiser Chiefs novo, maduro e competente mas que ainda está em contato com suas raízes divertidas, irreverentes e, principalmente, que não se levam tão a sério.

O primeiro álbum deles desde que o baterista e co-fundador Nick Hodgson saiu da banda encontra os meninos em uma nova fase. Os arranjos estão mais maduros, as letras mais politizadas, não há tantos ‘na na na’s; Education, Education, Education & War é quase um recomeço para o Kaiser Chiefs. O que é algo ótimo, pois Employment foi lançado há quase dez anos atrás, seria triste vê-los fazendo as mesmas coisas até hoje.

Evoluir e amadurecer faz bem, especialmente quando você consegue manter as coisas divertidas e leves. Nem de longe um álbum como Education terá, em dez anos, o mesmo impacto que Employment teve na sua época, mas só fato de que o Kaiser Chiefs prova aqui que soube crescer despretenciosamente já tem seu mérito. E é exatamente isso que você encontra em Education, Education, Education & War, e nada mais.

OUÇA: “The Factory Gates”, “Misery Company” e “My Life”