2018: Best Albums (Editor’s Choice – Henrique)

10 | LE CORPS MINCE DE FRANÇOISE – Sad Bangers

Apesar de nunca terem oficialmente parado de lançar coisas novas, a dupla da Finlândia não lança algo em duração completa desde 2011. São por volta de sete anos de diferença entre o primeiro álbum e esse segundo, mas a animação e a música boa continuam vivas aqui como eram lá – Love & Nature com sua icônica capa de ovo frito apareceu em minha lista de melhores do ano, inclusive. Sad Bangers não é exatamente algo que soe tão fresco e interessante quanto o Love & Nature, mas tem sintetizadores bem colocados com letras feministas, pessoais e muito necessárias para o momento em que vivemos, deixando o disco temporal e propício, mesmo que lançado no susto.

OUÇA: “Another Sucker”, “Thank God I Didn’t Get To Know You At All” e “Glitter”


09 | DUDA BEAT – Sinto Muito

Eu fui muito relutante para começar a ouvir a Duda Beat de fato. Ouvi e re-ouvi o Sinto Muito algumas vezes antes de pensar no quão bonito e bem feito era o som da cantora de Recife. Isso tudo porque Duda aparece um pouco fora das caixinhas de gênero que tenho ouvido muito recentemente, mas Sinto Muito é extremamente arrebatador e apaixonante. Duda Beat consegue cativar em diversas frentes e de diversas maneiras, seja com o seu sotaque carregado mesmo na cantoria ou seja em sua melodia que casa perfeitamente com sua voz doce, Duda mostra um primeiro trabalho eficaz e certeiro. mostrando que está mais do que pronta para conquistar o Brasil e o mundo.

OUÇA: “Bédi Beat”, “Bixinho” e “Bolo De Rolo”


08 | VANCE JOY – Nation Of Two

O Vance Joy tem tudo para ser ídolo de 8 em cada 10 garotinhas indies fofas. E isso não é ruim. Vance Joy faz parte de uma entoada de artistas que está usando o folk de maneira a se aproximar do pop. Nation Of Two chega para desprender o australiano do seu maior hit até agora – “Riptide”, do primeiro disco lá de 2014 – e traz uma nova coleção de hits bastante chicletes para você cantarolar junto. Nation Of Two tem melodias fortes e cativantes e, no fim das contas, é um álbum bastante gostoso de ouvir e nada muito além disso, nada muito genial, nada com letras inteligentes, apenas um álbum de folk que tem os elementos certos para fazer do disco algo concreto e interessante.

OUÇA: “Call If You Need Me”, “We’re Going Home”, “Saturday Sun” e “One Of These Days”


07 | CONFIDENCE MAN – Confident Music For Confident People

Eu adoro descobrir bandas do nada. Confidence Man é um exemplo disso. A banda é desconhecida do grande público, mas esse primeiro álbum é uma coletânea de pérolas da melhor estirpe. Primos longínquos do Cansei de Ser Sexy e do Natalie Portman’s Shaved Head, o Confidence Man faz música séria com cara de escrachada (ou seria o contrário?) e consegue cativar com batidas simples e letras toscas.

OUÇA: “Try Your Luck”, “Don’t You Know I’m In A Band” e “Boyfriend (Repeat)”


06 | CHVRCHES – Love Is Dead

Perdi um pouco a vontade de Chvrches depois de não ter apreciado tanto assim o segundo disco do trio, o Every Open Eye e cheguei a pensar que eles provavelmente não lançariam outra coisa tão boa ou melhor que o The Bones Of What You Believe. Ainda bem que eu estava enganado e o Chvrches entrega pra gente agora em 2018 o Love Is Dead, terceiro disco da carreira e com músicas que figuram, facilmente, entre as melhores do trio. Com uma entoada mais puxada para o pop e com uma presença de sintetizadores não tão marcantes, o Chvrches se apoia muito mais na voz de Lauren do que em todo o resto, criando um som bem distante do anterior e um pouco próximo do primeiro álbum.

OUÇA: “Graffiti”, “Get Out”, “Forever” e “Heaven/Hell”


05 | NATALIE PRASS – The Future And The Past

Foi quase que o homônimo disco de estreia da Natalie Prass apareceu na minha lista de melhores do ano lá em 2015. Com sua voz pitoresca no maior estilo musical da Disney, Natalie abandona um pouco essa persona fofinha e segue como um mulherão poderoso em The Future And The Past, revelando músicas que figuram, facilmente, nas melhores do ano. O que faltou para o primeiro disco aparecer numa lista de melhores do ano aparece de sobra aqui. Prass apara com folga e leveza as pontas soltas e faz um som com um ar menos etéreo e mais focado no indie pop cativante que ela chegou a fazer em músicas como “Bird Of Prey”, colocando a cantora num patamar próximo de contemporâneas como Courtney Barnett, Lianne La Havas e NAO.

OUÇA: “Oh My”, “Shourt Court Style”, “The Fire” e “Sisters”


04 | CAROLINE ROSE – LONER

LONER tem uma cara de primeiro disco, mas não é a primeira empreitada da interessante Caroline Rose. Depois de não ter muita atenção lançando álbuns que beiravam o country, a moça dos EUA decidiu inovar e repaginou sua carreira. LONER tem músicas escrachadas, no estilo historinha, rápidas e certeiras. É um com um humor ácido que Rose cativa uma certa audiência com seu disco, mas ainda não está fadada a ser descoberta pelo grande público, infelizmente. A pérola desse terceiro álbum da cantora parece inaugurar uma nova chance de uma carreira interessante e empolgante.

OUÇA: “More Of The Same”, “Jeannie Becomes A Mom” e “Soul No.5”


03 | GEORGE EZRA – Staying At Tamara’s

Depois de “Budapest” ficou díficil pensar que o George Ezra conseguiria se afastar de uma música tão popular. O resultado e a guinada para outra direção demoraram menos do que a gente esperava. Staying At Tamara’s é o segundo disco do jovem da Inglaterra e é muito mais bem preparado, certeiro e interessante do que o primeiro álbum que revelou o hit, mas ainda assim dentro do seu folk original. Há aqui algo muito mais sólido e bem feito do que o debut, que elevam a atmosfera do álbum em patamares que não pareciam ser conquistáveis por alguém da estirpe de Ezra. Com um disco desses, é fácil falar que agora o rapaz tem cadeira cativa no hall de grandes vozes da música britânica.

OUÇA: “Pretty Shining People”, “Get Away”, “Shotgun” e “Paradise”


02 | THE VACCINES – Combat Sports

Assim como o primeiro lugar, o Vaccines demorou para lançar algo tão interessante quanto o primeiro disco, mas dessa vez acertou a mão em cheio. De banda querida da NME em 2010 e 2011 a um desastre de 2012 em diante, a banda do Reino Unido acaba mostrando um som mais rápido e inteligente em seu quarto álbum, o digno Combat Sports de 2018. Justin e seus parceiros aparecem de cara mais limpa, renovados e com um hiato mais considerável entre discos – o último tinha sido em 2015 – o que deixa as coisas mais frescas e bacanas para a banda. Talvez o mundo não aprecie bandas nesse estilo tanto mais quanto apreciava lá em 2010, mas o Vaccines está voltando a fazer algo interessante e merece retomar sua coroa de volta de guitar band mais interessante da década.

OUÇA: “Put It On A T-Shirt”, “I Can’t Quit”, “Your Love Is My Favourite Band”, “Out On The Street” e “Take It Easy”


01 | MGMT – Little Dark Age

O MGMT demorou três álbuns para fazer outra coisa interessante. Demorou, demorou, mas fez com gosto. Little Dark Age não tem quase nenhum defeito e aponta o duo novamente para uma estrada cheia de oportunidades e de esperança. A banda voltou a figurar em espaços importantes em grandes festivais, fez uma turnê exaustiva ao redor do globo com as músicas novas, apareceu em programas de TV com uma roupagem mais interessante e cativou logo no primeiro single. Órfãos do Oracular Spectacular que esperavam algo tão bom quanto esse primeiro álbum podem ficar mais sossegados agora e torcer para que eles não percam a mão, novamente.

OUÇA: “Little Dark Age”, “When You Die” e “Me And Michael”

George Ezra – Staying At Tamara’s


Quando penso sobre Staying At Tamara’s, não consigo me lembrar bem de todas as faixas. Também não consigo explicar qual é a minha opinião sobre ele. Talvez isso já diga alguma coisa sobre ele. Mas não me entenda mal. O segundo disco de George Ezra é perfeitamente aceitável. Para mim, no entanto, não passou disso.

O cantor britânico explodiu em todo o mundo em 2014, quando lançou seu disco de estreia, Wanted On Voyage – que foi, inclusive, o terceiro mais vendido no Reino Unido naquele ano. Mas a fórmula do sucesso do álbum anterior (a voz característica de Ezra combinada a letras leves, porém cativantes, perfeitas para o rádio) parece chegar cansada em Staying At Tamara’s. A proposta principal, desta vez, era se distanciar da realidade caótica em que vivemos e contar histórias sobre as coisas boas – o começo de um relacionamento, viagens de carro com os amigos, dias de sol. Para isso, Ezra de fato se distanciou de seu cotidiano e passou algum tempo na Espanha, em um Airbnb de uma mulher chamada Tamara (daí o título) para trabalhar no disco.

Mas o descolamento da realidade pode ter ido um pouco longe demais. É difícil ouvir as faixas e não questionar se Ezra não estaria sendo apenas cínico, e não otimista. Logo na música que abre o álbum, “Pretty Shining People”, ele apresenta a problemática ‘What a terrible time to be alive when you’re prone to overthinking‘. O que vem depois? Algum desdobramento disso, eu imaginaria. Mas não. O que segue é o refrão feito sob medida para nunca mais sair da cabeça de ninguém: ‘Hey pretty shining people, we’re alright together‘.

E Staying At Tamara’s continua dessa forma, em um composto indefinido de faixas com letras pouco profundas, refrões chiclete e melodias alegres que, depois de um tempo, lembram até músicas de animações infantis. Além disso, não há quase nada de sincero, pessoal sobre elas. A impressão que fica é que as a grande maioria das músicas poderiam ser de qualquer outro artista que não Ezra e o efeito seria exatamente o mesmo.

Mas existem algumas canções que se destacam, é claro. “Paradise”, o primeiro single, é perfeita para o que se propõe e, confesso, fez com que eu tivesse expectativas mais altas do que deveria para o disco. É animada do jeito certo e contagia logo de cara – que é, percebo agora, o que todas as outras faixas também tentam fazer mas não são tão bem-sucedidas assim. “Saviour”, a colaboração com as suecas do First Aid Kit, foge bastante do que o restante do trabalho apresenta, mas de um jeito bom. Ela tem, talvez, as letras mais realistas do conjunto e as vozes de George e das irmãs Söderberg funcionam muito bem juntas.

Assim como seu antecessor, Staying At Tamara’s vai tocar em todos os lugares em 2018 – nas rádios, nos carros durante viagens com os amigos durante o verão, nos corredores dos supermercados. Mas provavelmente não vai marcar a vida de ninguém – se as pessoas conseguirem diferenciar uma faixa da outra depois de ouvi-las pela primeira vez já será um avanço.

OUÇA: “Paradise”, “Saviour” e “Only Human”

George Ezra – Wanted On Voyage

ezra

_______________________________________

O inglês George Ezra, de apenas 21 anos, estreou nos palcos, antes de ter sequer um EP gravado, no Glastonbury de 2013. Ainda antes do primeiro EP, a música “Benjamin Twine” foi trilha sonora do desfile da grife inglesa Burberry, em setembro. Finalmente, em outubro, George Ezra lançou Did You Hear The Rain?, com o hit “Budapest”, mais tarde single do seu primeiro álbum, Wanted On Voyage.

O álbum não tem muitas surpresas para quem aguardava com base nos EPs. A voz de Ezra é grave e dá um tom de blues às faixas, todas bem simples, garantindo uma estreia charmosa e promissora. Os fãs do instrumental de Jake Bugg podem se interessar por George Ezra, que vem das mesmas influências de folk e blues americanos. O próprio Ezra deixa claro que busca em Bob Dylan e Wood Guthrie, evidências presentes principalmente em seu estilo vocal.

Porém, apesar de ser um álbum agradável e fácil de ouvir, algumas letras são mais pesadas – tom que não é acompanhado pela música -, como “Leaving It Up To You”, sobre o encontro com uma ex-namorada que agora está com outra pessoa, na qual Ezra deixa escapar ‘It’s a damn good job he isn’t here/Or I may have wind up harming your darling’ (em tradução, algo como: ainda bem que ele não está aqui ou eu acabaria machucando seu queridinho).

Os singles do álbum até agora (“Did You Hear The Rain?”, “Budapest”, “Blame It On Me” e “Cassy O'”) são agradáveis, leves e grudam na cabeça – especialmente “Budapest” e “Cassy O'”, que já estavam nos dois EPs lançados por Ezra antes do Wanted On Voyage. A música mais interessante do álbum, “Spectacular Rival”, mereceria um papel de destaque pelo tom menos saturado que dá à voz de George Ezra, fazendo com que o cantor quase uive à la Justin Vernon [Bon Iver].

Porém, apesar de ser um álbum gostoso, não tem seu maior atrativo explorado como poderia: a voz grave e única de George Ezra. A simplicidade das músicas garante que ela fique sempre em evidência, mas não tira o cantor da zona de conforto do que Ed Sheeran, Jake Bugg e Paolo Nutini já fizeram pelo folk-pop. Para um primeiro álbum, é um bom trabalho, cheio de hits e facilmente digerível, mas se Ezra quiser se firmar no cenário musical como algo novo, vai precisar de instrumentais mais inovadores para dar todo o valor que um vocal tão único merece. Mais “Spectacular Rival” e menos “Budapest”, talvez funcionasse para que Ezra ofereça tudo que pode como cantor e músico.

OUÇA: “Listen To The Man”, “Leaving It Up To You”, “Cassy O’” e “Spectacular Rival”