2018: Best Albums (People’s Choice)

10 | THE CARTERS – Everything Is Love

Beyoncé e Jay-Z lançaram um álbum juntos. São tantos plot twists vindos desses dois que eu os considero o M. Night Shyamalan do mundo da música. Um show melhor que o outro, álbuns fascinantes e projetos audiovisuais que nem sei por onde começar a descrever – o que foi o clipe no Louvre?! Após Lemonade e 4:44, o lançamento de EVERYTHING IS LOVE consagra o casal como o mais poderoso do mundo da música. LEIA O TEXTO COMPLETO AQUI.

OUÇA: “LOVEHAPPY”, “BLACK EFFECT”, “SUMMER” e “NICE”


09 | FLORENCE AND THE MACHINE – High As Hope

Depois do insosso e quase furioso How Big How Blue How Beautiful de 2015, Florence Welch retorna, quase como uma surpresa e sem muito alarde, com seu quarto disco de estúdio agora em 2018. High As Hope apareceu repentinamente, sem muito furdunço e sem muitas promessas a serem cumpridas depois do balde de água fria que foi o disco anterior. De qualquer maneira, mesmo sem expectativas e, ainda pior, com o curto intervalo de tempo entre o anúncio oficial e o lançamento, a internet sempre vai à polvorosa quando um álbum da cantora é anunciado – a esperança vai lá pro alto. Não foi diferente com High As Hope. LEIA O TEXTO COMPLETO AQUI.

OUÇA: “Hunger”, “Patricia” e “100 Years”


08 | BLOOD ORANGE – Negro Swan

Existe até uma página na Wikipedia intitulada homofobia na cultura hip hop. Em seu 10° álbum de carreira, lançado no final de agosto, Eminem usa um insulto homofóbica para se referir ao rapper Tyler The Creator. A homofobia ainda persiste no rap, ainda é velada no rap, ainda perdoamos comportamentos homofóbicos no rap. De Beastie Boys, Kid Rock, 50 cent, Kanye West, Travis Scott, Migos… Nesse histórico de masculinidade tóxica e homofobia, Blood Orange ao lado de Tyler The Creator e seguindo a linhagem do Frank Ocean integra uma nova versão. Homens queers que citam David Bowie que se inspiram em Prince. E Negro Swan, quarto álbum de carreira do Blood Orange, é um ótimo expoente dessa nova possibilidade de futuro mais inclusiva e livre para r&b e o rap. LEIA O TEXTO COMPLETO AQUI.

OUÇA: “Orlando”, “Jewelry”, “Saint” e “Charcoal Baby”


07 | BACO EXU DO BLUES – Bluesman

Se em Esú (2017) Baco Exu do Blues transpôs a barreira entre deuses e homens e encurtou a distância entre os céus e a terra, em Bluesman o rapper baiano contempla sua própria fragilidade enquanto jovem negro vivendo em uma sociedade hostil aos corpos e mentes negras e reflete de forma honesta sobre sua saúde mental. Depressão e ansiedade estão no coração de Bluesman, mas Baco também fala sobre autoestima, sobretudo a autoestima do homem e da mulher negra, sobre estar vivo e prosperar em um mundo racista que não se conforma com o sucesso, a criatividade e beleza daqueles cuja humanidade era negada há pouco mais de 100 anos. Ser bluesman, afinal, é celebrar a arte negra que propõe um exercício de re-imaginação do papel dos negros na sociedade e rejeitar a imagem do negro submisso, desprovido de talento e fadado à invisibilidade em meio a um mundo branco. Bluesman é certamente um dos melhores álbuns brasileiros de 2018, pois abre novas portas criativas para o rap brasileiro e toca em assuntos urgentes em nosso país como o cuidado com a saúde mental e os efeitos do racismo em nosso cotidiano.

OUÇA:  “Kanye West Da Bahia”, “Me Desculpa Jay-Z” e “Girassóis De Van Gogh”


06 | BEACH HOUSE – 7

O sétimo álbum do duo de Baltimore Beach House, intitulado 7, foi lançado no dia 11 de maio de 2018. Era o quarto dia de lua minguante, na metade da transição para a lua nova, e se via menos da lua clara, bem menos, do que da lua escura. Eu julgaria irrelevante essa informação no contexto de qualquer outro álbum que não o 7. Envolto por simbolismos desde o título, que remete a ciclos encerrados, recomeços, tomada de consciência e completude, Victoria Legrand e Alex Scally criaram uma atmosfera de mistérios e incertezas em torno do álbum: agora a banda tem 77 músicas, o primeiro single foi lançado em 14/2. Victoria, em entrevista ao Pitchfork, disse que o número 7 “aponta para uma direção”, como o número 1, mas, diferentemente do primeiro, é uma direção desconhecida. Cultivando ainda mais a atmosfera nebulosa, Victoria encerrou a entrevista dizendo: “Somos todos controlados pela lua”. LEIA O TEXTO COMPLETO AQUI.

OUÇA: “L’Inconnue”, “Dark Spring” e “Black Car”


05 | DUDA BEAT – Sinto Muito

Eu fui muito relutante para começar a ouvir a Duda Beat de fato. Ouvi e re-ouvi o Sinto Muito algumas vezes antes de pensar no quão bonito e bem feito era o som da cantora de Recife. Isso tudo porque Duda aparece um pouco fora das caixinhas de gênero que tenho ouvido muito recentemente, mas Sinto Muito é extremamente arrebatador e apaixonante. Duda Beat consegue cativar em diversas frentes e de diversas maneiras, seja com o seu sotaque carregado mesmo na cantoria ou seja em sua melodia que casa perfeitamente com sua voz doce, Duda mostra um primeiro trabalho eficaz e certeiro. mostrando que está mais do que pronta para conquistar o Brasil e o mundo.

OUÇA: “Bédi Beat”, “Bixinho” e “Bolo De Rolo”


04 | CARNE DOCE – Tônus

Eu optei por aguardar ao escrever sobre o novo álbum de Carne Doce, Tônus, terceiro disco de estúdio da banda goiana. Composições menos políticas, vocais menos gritados, instrumental menos afobado. A primeira impressão, um estranhamento saudosista. Inclusive, quem vai aos shows da banda com frequência, já havia experimentado algumas das inéditas ao vivo, e o sentimento que pairava era de curiosidade sobre o que viria no novo trabalho. LEIA O TEXTO COMPLETO AQUI.

OUÇA: “Comida Amarga”, “Nova Nova” e “Golpista”


03 | ROBYN – Honey

O que fazer quando a tão esperada volta (solo) de uma de suas artistas preferidas, que realmente teve um impacto significativo na sua vida em seu gosto musical, é levemente decepcionante e não o que você esperava? Esse é o motivo do atraso dessa resenha. Tenho ouvido Honey com bastante frequência mas ainda não sei o que pensar dele nem pro bom e nem pro ruim. Só sei que não sei muito bem ainda. LEIA O TEXTO COMPLETO AQUI.

OUÇA: “Missing U”, “Honey” e “Because It’s In The Music”


02 | JANELLE MONÁE – Dirty Computer

Pirulitos, roupa de couro, homens, mulheres, vaginas, Tessa Thompson, trono. Insuficientes são as palavras capazes de descrever o álbum visual de Janelle Monáe, Dirty Computer (2018). No terceiro de sua carreira, Janelle faz um tributo à liberdade. Liberdade como mulher, negra e queer. Liberdade que exige luta, vulnerabilidade e esperança. LEIA O TEXTO COMPLETO AQUI.

OUÇA: “Django Jane”, “So Afraid” e “Pynk”


01 | KALI UCHIS – Isolation

(…) Isolation, apesar de ser o primeiro álbum de Kali Uchis, consolida a cantora entre os principais artistas em ascensão no cenário musical atual, pois conta com uma produção impecável e multifacetada, faixas com letras interessantes e muito bem escritas e participações de peso como Tyler, The Creator, Jorja Smith e Reykon. A primeira impressão que se tem de Isolation é que este é um álbum recheado de influências. Kali Uchis apresenta grande versatilidade ao navegar por um conjunto diversificado de estilos e influências espalhado pelas faixas. LEIA O TEXTO COMPLETO AQUI.

OUÇA: “Nuestro Planeta”, “After The Storm” e “Tyrant”

Florence and The Machine – High As Hope


Depois do insosso e quase furioso How Big How Blue How Beautiful de 2015, Florence Welch retorna, quase como uma surpresa e sem muito alarde, com seu quarto disco de estúdio agora em 2018. High As Hope apareceu repentinamente, sem muito furdunço e sem muitas promessas a serem cumpridas depois do balde de água fria que foi o disco anterior. De qualquer maneira, mesmo sem expectativas e, ainda pior, com o curto intervalo de tempo entre o anúncio oficial e o lançamento, a internet sempre vai à polvorosa quando um álbum da cantora é anunciado – a esperança vai lá pro alto. Não foi diferente com High As Hope.

Não tem como não admitir e não perceber que High As Hope é um álbum cheio de infinitos muito particulares. Esse disco é o qual a Florence mais se separa e distancia de sua Machine, projetando muito de seus desejos e, dessa vez, escancarando muito suas angústias e frustrações. Ela é o centro das atenções, mas sem soar egocêntrica, e não parece se envergonhar disso, soltando-se de uma maneira exemplar. Welch sempre teve um pezinho no quase gospel, com uma voz poderosa fazendo uma presença muito forte em tudo. Dentro desse panorama, High As Hope parece entrar ainda mais nesse mérito, aonde a voz de Florence é, praticamente, o único instrumento necessário para fazer uma música.

Esse quarto disco é muito límpido, muito cristalino e sem muitas camadas e nuances como os outros anteriores – talvez “Hunger” seja a única exceção aqui – e esse é mais um dos motivos pelo qual High As Hope parece bem distante do resto da discografia – um disco muito pessoal e muito intimista e com uma única premissa: colocar a voz de Welch no maior pedestal possível dentro de tudo isso. Num rápido panorama e pente fino pelos discos já lançados, High As Hope parece ser o disco mais sereno e centrado dela. E isso soa como um leve sopro de que podemos ter toda a grandiosidade da Florence retornando muito em breve. O disco tem seus momentos, mas ainda é muito morno e sem muitos instantes memoráveis. A coesão da obra é incrível, mas ainda assim o produto final parece ter algo inexplicavelmente faltando quando se trata de Florence and The Machine.

Em resumo, High As Hope é um leve escombro do que foram os primeiros álbuns, mas é um enorme avanço e sopro de esperança de bons caminhos a serem trilhados daqui pra frente. O disco ressuscita um pouco da sonoridade da voz poderosa da britânica, esquecida e escondida na densidade de camadas de How Big How Blue How Beautiful, dando uma boa renovada para toda sua potência. São em faixas simples como “The End Of Love” que relembramos todo o brilhantismo da cantora, por exemplo, mas ao mesmo tempo temos faixas muito estranhas como “Big God” aonde ela não parece se enclausurar de uma maneira quase claustrofóbica, ou chatinhas como “Grace”, com sua abertura exagerada para o religioso.

Eu sempre fui muito crítico com a Florence porque sei que ela sempre pode mais do que entrega – temos exemplos disso de sobra. High As Hope pode não ser tão grandioso como Lungs ou até mesmo Ceremonials, mas acaba dando uma ponta de esperança de que Florence está voltando para o caminho mais certo para ela: dando mais local para sua voz e centrando mais em uma coisa mais íntima, serena; e menos popular  e mastigada de uma maneira estranha. High As Hope é muito mais facilmente digerido e apresenta uma coesão mais interessante, funcionando muito melhor como disco do que seu antecessor, mas ainda assim precisa melhorar em alguns pontos para que seja um disco genuinamente da Florence, mostrando melhor ainda o seu potencial do que mostra.

OUÇA: “Hunger”, “Patricia” e “100 Years”

2015: Best Albums (Audiência)

10 | OF MONSTERS AND MEN – Beneath The Skin

MELHORESmons

Depois de ouvir My Head Is An Animal me apaixonei pelo Of Monsters and Men. Para mim, eles eram a banda mais fofa do mundo. Então, é claro, estava super ansiosa para ouvir Beneath The Skin, esperando mais um álbum cheio de fofura. Quando eu finalmente ouvi o tão esperado álbum, havia algo diferente nele e eu não conseguia dizer se era algo bom ou não. Passada a estranheza inicial ouvi o álbum de novo… E de novo, e de novo, e de novo! Quanto mais você ouve, melhor ele fica. Hoje posso dizer com certeza que ele é diferente, de uma forma muito positiva. É mais melancólico, mais elaborado e mais pessoal e inspirado. A banda evoluiu, mas não perdeu seu caráter. Os vocais de Nanna e Raggi ainda são o grande destaque das músicas e toda a fofura ainda está lá, mas em meio a um instrumental mais forte e envolvente. Posso afirmar que estou muito feliz com o caminho que a banda está seguindo e ansiosa por ver o que virá a seguir.

por Júlia Zomignani

OUÇA: “Hunger”

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09 | FOALS – What Went Down

MELHORESfoals

Ao meu ver, sempre admirei o Foals por sempre estarem se inovando, e mudando a cada álbum. Porém no What Went Down não vi muita diferença pro anterior Holy Fire, apenas uma reciclagem ou até um auto plágio. Para não dizer que é um álbum mediano, para o poder que a banda possui, a execução foi muito bem mixada e produzida, mascarando a falta de inovação com músicas diferentes e pegajosas como “What Went Down”, “Mountain At My Gates”, “Snake Oil”, “London Thunder” e “A Knife In The Ocean”.

por Renan Lousada

OUÇA: “London Thunder”

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08 | COURTNEY BARNETT – Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit

Cover

A australiana Courtney Barnett basicamente já chegou chegando no mundo da música em 2015: com seu primeiro CD ela já está concorrendo ao Grammy em duas categorias: Best New Artist eBest Alternative Album. Quando eu olhei para o nome do disco da Courtney Barnett é impossível de não se relacionar com ele, fora a arte do álbum que é incrível. A cantora consegue expressar todas as crises que um jovem de 20 anos pode estar passando na vida. Cheia de emoções, fortes ideias, a escorpiana veio para falar as verdades através de suas letras. O que mais me encanta neste álbum, é principalmente a diferença de uma música para a outra, você nunca sente que está ouvindo a mesma música por 40 minutos, sempre te faz dançar na cadeira de um jeito diferente. A sua voz bem ritmada junto às melodias as guitarras e violões, fazem você fechar seus olhos e viajar, cantarolar junto. Obrigada Courtney Barnett, por ter feito o meu 2015 muito melhor!

por Brunna Tolentino (@leslyeknope)

OUÇA: “Nobody Really Cares If You Don’t Go To The Party”, “Pedestrian At Best”, “Small Poppies” e “An Illustration Of Loneliness (Sleepless In New York)”

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07 | CHVRCHES – Every Open Eye

Cover

Há casos em que evoluir não consiste em deixar as coisas mais complexas e sim em torná-las mais simples. Every Open Eye é um desses. O disco não traz grandes novidades perante o álbum de estreia da banda escocesa, The Bones Of What You Believe (2013). Os marcantes sintetizadores estão lá, os doces e inusitados vocais de Lauren Mayberry também. Mas os escoceses souberam analisar o que não deu tão certo em seu primeiro trabalho, entregando um disco, dentro do possível no gênero musical no qual se enquadra, mais analógico, mais simples, mais orgânico, mais despretensioso, mais redondinho e por isso mais fácil de gostar na primeira audição.

por Édipo Barreto (@QDNG)

OUÇA: “Clearest Blue”

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06 | JAMIE XX – In Colour

JAMIEXX2015

Com uma narrativa bem amarrada, músicas coloridas e vibrantes, graves que oscilam do marcante ao sutil, rico em influências de diversos estilos como house, UK garage e dancehall (mas sem perder a identidade) e participações dos companheiros do The xx (Romy e Oliver), após cinco anos no forno, Jamie xx lança seu álbum de estréia que o consagra como um talentosíssimo produtor e nome promissor na música eletrônica contemporânea.

por Rodolfo Yuzo (@rodolfoyuzo)

OUÇA: “Girl” 

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05 | FLORENCE AND THE MACHINE – How Big How Blue How Beautiful

FLORENCE2015

Lançado em maio de 2015, How Big How Blue How Beautiful, o novo disco da artista Florence Welch chega ao mercado marcado de melodias já conhecidas do público, mas com letras detalhando sentimentos mais reais. Destaca-se pela forma grandiosa de suas interpretações, como por exemplo a emocional “Ship To Wreck”. Com algumas músicas mais dançantes e outras mais melódicas, podemos dar destaque especial para “Caught”, uma faixa que, como a maioria das outras, gruda no nosso ouvido e não dá vontade de parar. Um outro grande acerto vai para “Long & Lost”, que nos faz lembrar que o álbum que estamos ouvindo é realmente da Florence. Minimalista. Simples. Melancólica.

por Bruno Capelato

OUÇA: “Ship To Wreck”, “Caught” e “What Kind Of Man”

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04 | SUFJAN STEVENS – Carrie & Lowell

SUFJAN2015

Dizem que perder alguém que se ama é como perder um membro do próprio corpo. Eu vejo de outra maneira. Acho que a maior dor em se perder alguém importante é fechar os olhos, sentir o pulsar de cada extremidade da sua anatomia e se dar conta de que, apesar de tudo, você ainda está ali, estilhaçadamente inteiro. Esse é o sentimento que perpassa Carrie & Lowell, do brilhante Sufjan Stevens. Abalado com a perda de sua mãe, ele coloca em cada canção um pouquinho do que é seguir em frente depois de um evento como esse. “Fourth Of July” não é somente uma das músicas do ano, mas uma canção pra ficar na história. Stevens conseguiu transformar música em um olhar triste. Eu te desafio a resistir encará-lo.

por João Vitor Medeiros (@indiedadepre)

OUÇA: “All Of Me Wants All Of You”, “Should Have Known Better”, “The Only Thing” e “Fourth Of July”

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03 | KENDRICK LAMAR – To Pimp A Butterfly

KENDRICK2015

É difícil achar uma lista de melhores do ano que não tenha o To Pimp A Butterfly de Kendrick Lamar. O americano deu um passo além esse ano. Se o Good Kid, M.A.A.D City nos tinha apresentado alguns hinos contemporâneos, tô claramente falando de “Bitch, Don’t Kill My Vibe”, o trabalho de 2015 do rapper americano é mais uniforme. A beleza desse maravilhoso disquinho de Kendrick está no fato dele ser uniforme, único, uma coisa só. Ouví-lo do início ao fim é uma viagem feita por depressão, culpa e tristeza, além, é claro, sobre o racismo sofrido pelos negros. Com misturas clássicas de jazz, funk, soul e interludes tão fantásticos quanto os singles do disco, Kendrick é o cara que pensou em fazer uma música pra que todo mundo cante e se sinta bem consigo mesmo, enquanto você canta, é como se tivesse se convencendo de que realmente se ama e que tudo vai ficar bem. “I Love Myself” e o To Pimp A Butterfly.

por Lucas Schutz (@suc4s)

OUÇA: “King Kunta”, “Alright” e “u”

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02 | GRIMES – Art Angels

GRIMES2015

Depois do hypado – e incrível – Visions (2012) existia aquela dúvida sobre como seria o álbum sucessor de uma das obras mais bem criticadas dos últimos cinco anos. Poucos apostavam que o LP4, Art Angels, seria de um som bem mais acessível, e até algumas vezes mais chiclete, e mais viciante que o anterior, mesmo com temas mais profundos como morte e empoderamento feminino presentes. Desta vez o grande mérito de Claire Boucher é conseguir soar menos experimental do que os álbuns anteriores e ao mesmo tempo rico em detalhes e diferentes influências musicais e culturais. A mudança brusca gerou uma espécie de “ame-a ou deixe-a” entre os fãs, algo que foi até fortalecido, de maneira moderada, pela própria Claire – que está rindo e não sendo normal como nunca antes.

por Rodrigo Takenouchi (@diguete)

OUÇA: “Flesh Without Blood” e “Kill V. Maim”

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01 | TAME IMPALA – Currents

TAME2015

Se em 2012 Kevin Parker buscou inspiração nos trabalhos de Britney Spears para produzir as canções de Lonerism, segundo álbum de estúdio do Tame Impala, em Currents (2015), terceiro registro de inéditas da banda australiana, grande parte das referências apontam para a boa fase de Michael Jackson. Entre batidas lentas, solos de guitarras sedutores e vozes delicadamente posicionadas, Parker e os parceiros de banda deixam de lado a psicodelia empoeirada dos anos 1970 para investir em elementos típicos do R&B. São pouco mais de 50 minutos em que vozes sobrepostas e sintetizadores parecem cercar o ouvinte, detalhando uma seleção de faixas essencialmente acessíveis como “The Less I Know The Better”, “Eventually” e “Cause I’m A Man”. Uma coleção de acertos que tem início ainda na capa do registro – trabalho do artista gráfico Robert Beatty -, e segue até o último suspiro de “New Person, Same Old Mistakes”, faixa de encerramento da obra. Um disco que já nasceu clássico.

por Cleber Facchi (@MiojoIndie)

OUÇA: “Let It Happen” e “The Less I Know The Better”

2015: Best Albums (Staff)

10 | JAMIE XX – In Colour

JAMIEXX2015

Depois de se aventurar remixando um disco de Gil-Scot Heron e dos dois discos do The xx, banda da qual Jamie faz parte, In Colour é o que pode ser chamado de primeiro trabalho solo, de fato, do rapaz. E não há decepção (mesmo que duvide de que alguém apostava que esse seria um disco ruim). A euforia não se mostra de maneira nenhuma rasa: o registro é totalmente introspectivo. Mesmo em músicas como “I Know There’s Gonna Be (Good Times)”, um dancehall que pode até parece Major Lazer ao ouvido mais desavisado, o gesto de dançar aqui quase convoca a quem ouve a se examinar. A paisagem sonora é densa, com sussurros e distorções, demandando atenção de quem ouve para apreender cada mínimo detalhe: cheio de vocais indefiníveis, ruídos e uma produção cíclica, uma das grandes sacadas é a mixagem do orgânico com os sons sintetizados, como a guitarra sempre afiada de Romy Croft, além dos seus vocais adocicados e sussurrados, como uma confissão. Excelente disco que pode até ser tocado em alguma festa, mas possui, como toda grande obra, força o bastante para permanecer relevante em qualquer outra situação da vida.

por Daniel de Matos

OUÇA: “I Know There’s Gonna Be (Good Times)” e “Loud Places”

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09 | DEATH CAB FOR CUTIE – Kintsugi

DEATCHBA2015

Estar em constante mudança por praticamente doze anos é uma qualidade para poucas bandas: Ben Gibbard e seus garotos do Death Cab for Cutie parecem conseguir em cada novo trabalho. Com Kintsugi, seu oitavo álbum de estúdio, esse desejo de recriar-se é maior ainda. Com a saída de Chris Walla, guitarrista e um dos principais responsáveis pelo lado criativo da banda, houve essa urgência aparente de mostrar um novo lado, e que ainda assim, conseguisse criar laços ao passado. Cheio de melancolia e canções sobre amores amargos, em suas onze faixas, o disco representa justamente o que seria o significado de seu nome. Kintsugi é o nome de uma técnica japonesa para consertar cerâmicas, e o álbum soa com sua proposta de renovação em meio as perdas que passamos pela vida. Com toda delicadeza lírica de Gibbard e melodias que embalam este novo momento da banda, Kintsugi é o caminho mais certo e seguro entre a ligação da nostalgia do que o Death Cab sempre representou em seu cenário, e o frescor encontrado na maturidade ao longo de todos esses anos.

por Tatiana Kolenczuk

OUÇA: “Little Wanderer”, “You’ve Haunted Me All My Life” e “Hold No Guns”

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07 | CHVRCHES – Every Open Eye 

Cover

Sob os temores que rondam o segundo álbum, os escoceses do Chvrches lançaram em 2015 o Every Open Eye. O sucesso do debut ficara para trás por uns instantes e agora eles não são mais uma banda com um grande disco. Conseguiram a façanha de repetir o sucesso com o segundo também, para o nosso alivio. Um álbum maduro para um projeto tão novo. Um disco completo, intenso, consistente, com boas referências e que dá orgulho ao escutar. Orgulho em saber que o gênero que eles carregam está tão bem representado. Nos faz crer que a banda que está apenas no começo, tem um ótimo futuro pela frente. Em seus segundos iniciais, Lauren, Iain e Martin nos entregam, sem nenhum aviso, uma enxurrada de synth pop de qualidade e que decresce levemente até seu fim. No susto, somos surpreendidos por um álbum capaz de nos deixar sem fôlego e com uma única vontade: de deixa-lo tocar solto e dançar.

por Carolina Amorim

OUÇA: “Leave A Trace” e “Never Ending Circles”

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07 | BELLE AND SEBASTIAN – Girls In Peacetime Want To Dance

BELLE2015

Que massagem nos ouvidos e na alma que é o álbum Girls In Peacetime Want To Dance… O Belle and Sebastian, que já foi folk, já foi twee pop, já foi soft pop e até indie experimental, surge em 2015 com o pé afundado no pop. Isso mesmo, o cachorro velho aprendeu os truques novos e lançou um disco cheio de sons eletrônicos, sintetizadores e vozes com efeitos de estúdio. Nunca se viu um Belle and Sebastian tão produzido e dançante. Isso não significa que não se encontre a raiz freaky folk do grupo ou que a altíssima qualidade das letras tenha caído. Está tudo lá, bem fácil de encontrar debaixo desse novo traje que a banda adotou.

por João Victor Krieger

OUÇA: “Play For Today”, “Ever Had A Little Faith” e “Nobody’s Empire”

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06 | TAME IMPALA – Currents

TAME2015

Foram inúmeras as acusações ao Currents, discursos saudosistas ou comparativos que reivindicavam o antigo Tame Impala de volta. Por que nosso referencial daquilo que é bom está sempre no passado e nunca no vir a ser? Em clima mais introspectivo que de costume, é verdade, a lisergia, as outras dimensões e os relacionamentos conflituosos estão presentes: movimentamo-nos por tais temáticas e por entre nossas próprias reflexões. O resultado final são melodias bem trabalhadas que parecem não ter fim, não pelo tempo de duração, mas pelos caminhos que são capazes nos levar. Para aqueles que os sentimentos vividos foram de encontro com a proposta do Currents, o disco não poderia ser melhor, tanto para compor a discografia da banda quanto a playlist dos ouvintes. Ouvir, inclusive, não é nossa única função diante do disco, que conta com uma capa inspirada e três videoclipes de canções que ilustram e compõe sua narrativa. As mudanças nesse ano não se deram só para a musicalidade do Tame Impala, mas para todos os seres inseridos nessa dinâmica do tempo que passa sem avisar.

por Marta Barbieri

OUÇA: “The Less I Know The Better”, “New Person, Same Old Mistakes” e “Let It Happen”

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05 | FOALS – What Went Down

MELHORESfoals

Com som mais pesado e cheio de atitude, a banda britânica Foals concebeu seu quarto álbum de estúdio, sendo este um legítimo álbum de indie rock da melhor qualidade. É fato que desde seu último registro Holy Fire, a banda vem percorrendo caminhos que se distanciam do leve math rock do começo de sua carreira, entretanto, arquitetam aqui um som que transforma a identidade do Foals em algo singular e característico do grupo. Se há uma palavra para definir este álbum é o “equilibrio”, que fomenta um trajeto que vai desdes os reverbs de guitarra mais violentos aos calmos vocais do vocalista Yannis Philippakis. Com melodias e clímax muito bem construídos, o álbum apresenta a virtude de promover uma verdadeira imersão ao som intenso do grupo. Do caos a calmaria, o What Went Down é um marco importante para a carreira de uma banda que consegue se renovar constantemente.

por Flávia Denise

OUÇA: “Give It All”, “What Went Down” e “Mountain At My Gates”

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04 | GRIMES – Art Angels

GRIMES2015

Depois de seduzir os amantes de músicas alternativas, Grimes fez o mesmo com quem não fica sem canções pegajosas. O diferencial da artista foi criar um tipo de música chiclete que, além de ter melodias grudentas, possui conteúdo de sobra, graças a letras que ressoam não apenas com o público da cantora, acostumado à peculiaridade da canadense. Aliás, o fato de ser pop até a medula não faz de Art Angels uma obra que destoa da discografia da Grimes, afinal, trata-se apenas de um passo arriscado e certeiro, capaz de proporcionar um pop ao mesmo tempo acessível, estranho e experimental. Se o álbum se chamasse Catarse, ele estaria representado adequadamente, pois é exatamente isso que ele provoca.

por Ronaldo Trancoso

OUÇA: “Kill V. Maim”, “Flesh Without Blood” e “REALiTi”

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03 | FLORENCE AND THE MACHINE – How Big How Blue How Beatiful

FLORENCE2015

Depois de quase quatro anos sem material inédito – com exceção de algumas faixas para soundtracks – Florence and The Machine volta ao spotlight melhor do que nunca. Equalizando o melhor de seus dois ábuns anteriores, Lungs e Ceremonials, How Big How Blue How Beautiful é uma obra cíclica, lírica e coesa. Não passa a imagem sacra de Ceremonials, nem rebelde de Lungs, e observamos uma Florence mais à vontade consigo mesma, com composições ainda mais pessoais. How Big How Blue How Beautiful tem uma produção impecável, que também pode ser observada na “The Odyssey”, sequência de clipes que contam uma bonita e sensível história repleta de danças e simbolismos, do jeitinho que Flo adora. Não por menos, o novo material recebeu cinco indicações ao Grammy e a banda está excursionando mundo afora com sua nova turnê.

por Luca Serrachioli

OUÇA: “What Kind Of Man”, “Queen Of Peace” e “Delilah”

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02 | SUFJAN STEVENS – Carrie & Lowell

SUFJAN2015

Talvez este seja o álbum mais delicado do ano. Sufjan Stevens compôs Carrie & Lowell como tentativa de exorcizar os demônios da relação com sua mãe e que foram revigorados com a recente morte dela. Não há dúvidas de que o destaque fica por conta das letras. O poder e a sinceridade da poesia de Stevens é de cortar o coração. É impossível ouvir o disco e não compartilhar de sua dor. Como música, o disco funciona bem como um todo e tem uma estrutura bastante linear. As canções se caracterizam pelo violão suavemente dedilhado, a voz doce quase sussurrada e ausência de percussão. Nenhum minuto é supérfluo e as canções se encaixam em perfeita harmonia. Descrever Carrie & Lowell em uma palavra: tocante. Em duas palavras: tocante e imperdível.

por Angelo Fadini

OUÇA: “Should Have Known Beter”, “Fourth Of July”, “The Only Thing” e “Death With Dignity”

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01 | KENDRICK LAMAR – To Pimp A Butterfly

KENDRICK2015

Kendrick Lamar é o homem do ano. To Pimp A Butterfly é com a absoluta certeza a obra mais bem pensada e arquitetada desse 2015. Tudo se encaixa, as músicas são feitas para seguirem umas com a outras, todo o significado por trás está lá. E tudo isso depois da esnobada tremenda do Grammy há 3 anos atrás. Kendrick pode surgir como um expoente de uma geração, alguém que marque uma era (ou não, mas sabemos que esse ano foi marcado por ele). Tudo que envolve o disco carrega uma mensagem por trás (os protestos de Ferguson com as pessoas cantando “Alright” é uma prova do hino que Lamar canta). Não sabemos o futuro, nem deveremos saber, mas podemos afirmar que 2015 será lembrado como o ano de Kendrick.

por Heitor Facini

OUÇA: “Alright”, “King Kunta” e “i”

Florence and The Machine – How Big How Blue How Beautiful

1FLORENCE
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Começo esse texto dizendo que eu gostaria de conhecer pessoalmente a Florence Welch. Não em um sentido ‘fã conhecendo uma das artistas que mais admira’, mas no sentido ‘amigo pessoal que escuta suas músicas antes de todo mundo e dá opiniões’. Única e exclusivamente para ser mais socialmente aceitável dar um tapa na cara dela e dizer ‘Gata, pare de deixar suas melhores músicas como faixas bônus. Fazer isso pela terceira vez seguida já é quase burrice, amiga, vamo pensar direitinho nessa tracklist com mais cuidado??’

As melhores músicas que surgirão de qualquer sessão de gravações da Florence serão aquelas fadadas ao esquecimento, que são faixas bônus ou b-sides que (com sorte) aparecerão em alguma compilação de raridades no futuro. E isso, sinceramente, é algo que está me cansando no que se trata de um trabalho da Florence. Temos “Swimming” e “Hardest Of Hearts” do Lungs; “Remain Nameless” e “Landscape” do Ceremonials; e agora “Hiding”, “Which Witch” e “Make Up Your Mind” do How Big How Blue How Beautiful. “Which Witch”, a música que melhor ilustra a evolução da cantora como compositora, liricista e vocalista; como artista completa. É a música que mais tinha potencial para ser o lead single de seu trabalho novo, aquela que aglutina tudo o que a Florence já fez antes e adiciona elementos novos e cria algo que é completamente deslumbrante. E ela está reduzida para sempre a uma demo na versão deluxe de seu álbum. Vai entender.

Desabafos à parte, vamos ao álbum em si. How Big How Blue How Beautiful é o terceiro álbum da banda depois de um intervalo de três anos e meio do seu anterior, marcando o maior tempo entre trabalhos até agora. E nele é possível perceber, principalmente em relação ao Ceremonials, uma evolução clara nos vocais de Florence. Há menos coros e exageros do que ela fez em seu segundo disco, como se tivesse aprendido a controlar sua voz. E isso é algo maravilhoso, pois reduz um pouco aquela coisa sacra que transbordou em Ceremonials. Dessa vez Florence toma cuidado para não encher demais o copo, e o resultado é bem mais coeso e é possível perceber as diferenças na produção de cada faixa, coisa que Ceremonials não soube fazer e é seu único ponto negativo até hoje.

Big Blue Beautiful em momento algum atinge o potencial que seu primeiro single, “What Kind Of Man”, demonstrava. Nele, Florence voltava à sua vibe Lungs de mudanças bruscas de ritmo, riffs de guitarra e uma batida que é algo mais do que ‘só’ percussão. Podemos não encontrar isso em nenhuma outra música do disco, mas isso não quer dizer que ele é algo dispensável; pelo contrário. Em seu terceiro álbum, Florence está mais à vontade do que nunca e isso transparece em cada faixa. Ela nunca teve medo de soltar a voz, e dessa vez também não tem medo de prendê-la um pouco em faixas mais simples, calmas e comedidas. O resultado, de forma geral, é lindíssimo – mas não poderia ser diferente com a produção assinada por Markus Dravs, responsável por nada menos do que Homogenic da Björk e Neon Bible do Arcade Fire, entre outros.

Entre os detalhes que merecem destaque em Big Blue Beautiful está a influência ainda mais presente de soul e blues, principalmente nas faixas “Mother” e “Various Storms & Saints”, que funcionam muito bem na voz de Florence. Na verdade, a justaposição de elementos nos instrumentais aqui é algo que pode parecer desordeiro e aleatório, e até seria se não fosse a voz de Florence amarrando tudo e servindo de âncora para que Big Blue Beautiful não se perca em si mesmo.

É um fato que How Big How Blue How Beautiful é o álbum mais perfeito em termos de produção já feito por Florence and The Machine, e também o mais pessoal no que se trata de suas letras (‘Maybe I’ve always been more comfortable in chaos‘ é provavelmente o verso que melhor define Florence quanto artista/pessoa). Mas também é um fato que apesar de toda a perfeição técnica, é o álbum em que mais falta a liberdade que a Florence apresentou em seus dois anteriores. Seja para fazer o que bem entender e ir do punk “Kiss With A Fist” ao desespero compartilhado-a-dois de “Cosmic Love” em Lungs, seja nos infinitos coros e corais de Ceremonials. A Florence de Big Blue Beautiful parece menos livre e mais presa do que já foi antes, e um pouco mais triste também.

How Big How Blue How Beautiful é um álbum que faz jus ao seu título. É um álbum grandioso, triste e bonito. Definitivamente o mais sério que Florence já gravou, e ele mostra uma clara evolução como artista. Mas nele faltou um pouco da espontaneidade que fez com que o mundo se apaixonasse pela Florence lá em 2008. Quer dizer, tudo isso o que eu falei está presente e abundante nas três faixas bônus que, tecnicamente, não fazem parte do álbum. VAI. ENTENDER.

OUÇA: “Which Witch”, “Hiding”, “Make Up Your Mind”, “What Kind Of Man”, “Ship To Wreck”, “Queen Of Peace”, “Mother”, “Third Eye” e “Delilah”