El Toro Fuerte – Nossos Amigos E Os Lugares Que Visitamos


Afeto em primeiro lugar. Amizade transbordando. Os mineiros da El Toro Fuerte entregaram, logo no fim de janeiro para o público, o segundo trabalho da banda, nomeado Nossos Amigos E Os Lugares Que Visitamos. O álbum possui 13 faixas, três a mais que o álbum de estreia da banda, Um Tempo Lindo Pra Estar Vivo.

O grupo oriundo de Belo Horizonte é formado por João Carvalho (vocais, guitarra e baixo), Gabriel Martins (bateria), Fábio de Carvalho (guitarra, baixo, vocais) e Diego Soares (baixo, guitarra e vocais). O novo projeto da banda soa como algo mais experimental e ousado. O NALV é a caminhada em direção ao que a banda projeta, onde o disco é a forma material consolidada desta transição. Mesclando math rock, rock alternativo e emo, o álbum reflete a personalidade de sua capa. Colagens, montagens, ideias e resoluções poéticas e instrumentais, objetos singulares formando um conjunto diverso.

Abrindo com “Aniversários São Difíceis”, o álbum já demonstra seu viés sentimental, melancólico e analítico. Nostalgia sonora e narrada. Além dos arranjos instrumentais, a El Toro Fuerte conta com narrativas líricas dignas dos mais próximos amigos. É como se os ouvintes fossem amigos próximos e, junto com a banda, todos estivessem em um bar contando casos da vida. Histórias de amigos e lugares, aventuras contemporâneas.

Há, no álbum, várias contribuições de amigos próximos para compor e gravar o material. Fazem parte do disco Nicole Patrício (Alambradas), Laura Vilela e Raquel Batista. “Nos Seus Movimentos”, faixa com participação de Vilela nos vocais é um dos destaques do NALV. A melodia trabalha a favor da letras, falando sobre amizade, pertencimento e amadurecimento. É uma canção com momentos de calmaria e explosão muito bem utilizados. “Fim do Inverno”, lançada ainda em 2018, explora a sensibilidade e apresenta uma atmosfera que parece rememorar o disco anterior.

“Hidra”, sétima faixa, possui uma das melodias que flerta com algo psicodélico — algo meio triste, chapado, flutuando. É uma das músicas mais curtas do projeto e parece soar como uma continuação melódica da deliciosa faixa “Aquários”. A pluralidade sonora, entretanto, pode não agradar aos que esperam certa concisão.

Hidra, na mitologia grega, era uma espécie de monstro com um corpo de dragão e várias cabeças de serpente. Nossos Amigos e os Lugares que Visitamos segue uma lógica semelhante ao monstro mitológico. É um projeto com uma ideia central bem definida, mas que é amplificada em diversas figuras sonoras ao longo do álbum, um projeto coletivo e interessante.

OUÇA: “Aquários”, “Fim Do Inverno”, “Nos Seus Movimentos” e “Corações Tranquilos Dormem Cedo”