Deerhunter – Why Hasn’t Everything Already Disappeared?


Why Hasn’t Everything Already Disappeared?, novo álbum do grupo Deerhunter, é uma ótima demonstração de como construir a atmosfera doce e melancólica que diversas bandas indies almejam sem soar pedestre ou repetitivo. Com dez canções e tocando por menos de 40 minutos no total, o disco é consistente ao criar melodias evocativas e agradáveis ao ouvido.

O Deerhunter consegue fluir entre climas mais grandiosos (como em “Détournement” e seus imponentes sintetizadores) e canções mais mais modestas (como a introdutória “Death In Midsummer”) graças a uma sensibilidade nos arranjos que confere ao disco uma sonoridade idílica e meditativa. O álbum como um todo tem uma inegável beleza que parece sempre flertar com a tristeza.

As composições de Bradford Cox são inteligentes ao ligar com uma variada gama de tópicos como o pessimismo a um cenário político extremista ou o lado tóxico da nostalgia, mas sempre usando uma abordagem coerente à natureza do disco ao elaborar composições crípticas e simbólicas. Por diversas vezes, pode não ficar claro ao ouvinte sobre o que as canções de Why Hasn’t Everything Already Disappeared? se tratam, mas a performance do grupo não deixa dúvida de qual sentimento eles buscam retratar.

Todos esses acertos na concepção do álbum se sintetizam na escolha perfeita para encerrá-lo com “Nocturne”, uma faixa sensacional que faz jus a sua duração de mais de seis minutos. A canção é uma viagem de beleza distorcida, usando efeitos para fazer a voz do vocalista soar como uma fita K-7 antiga: um toque que simboliza a preocupação do Deerhunter em entregar intimismo dentro de seu estilo lírico.

OUÇA: “Nocturne”, “Futurism” e “Détournement”

Deerhunter – Fading Frontier

-deerhunter
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Monomania de 2013 foi um dos meus álbuns preferidos do ano, a música que leva o nome do álbum carrega tudo que o álbum quis mostrar de forma perfeita, letra descompromissada, sonoridade carregada de elementos noventistas, barulho e muito barulho e um dos solos mais divertidos de todos aquele final é algo que eu sempre vou lembrar como o ápice da carreira da banda que sempre foi muito alta.

Dez anos depois do seu álbum de estreia a sétima entrada no catálogo da banda é bem diferente do esperado, muitos falarão que a mudança veio para o bem e muitos vão aumentar até o talo tentando encontrar algum barulho. Sim, Fading Frontier está diferente, está bem mais calmo, bem mais limpo, bem mais pop e ainda assim muito bom. Algumas músicas de Monomania já tinham essa cara mais simples, mas aqui elevaram para um novo nível.

Então se você esperava algo no nível de Monomania, Halcyon Digest e etc pode esquecer, mas se você gosta da banda provavelmente não vai se decepcionar nem achar que eles precisam voltar a barulheira de costume.

O álbum é bem dançante, não dançante no estilo “chutinho” ou “mão no bolso balançando a cabeça”, aqui é mais aquelas músicas que é possível ver um casal de idosos dançando juntinhos de forma engraçada com passos de dança sincronizados e ao escutar o álbum é basicamente isso que dá vontade de fazer: sair dançando por ai num dia ensolarado de filtro de instagram.

Apesar de ser um álbum muito bom ele não tem grandes destaques, pelo menos não se comparado com outros álbuns da banda, mas boas músicas como “Living My Life”, calma e relaxante, gostosa de se escutar deitado na grama olhando para o nada. “Breaker”, a mais divertida do álbum, tem um tom de música do Mac DeMarco, já “Duplex Planet” e “Take Care” lembram muito MGMT (pelo menos sua fase boa), “Leather And Wood”, mais downtempo aproveitando bastante de efeitos diversos e uma repetição do teclado que para aqueles que adoram ~viajar~ ouvindo música é algo obrigatório para escutar e “Snakeskin” que poderia muito bem ser uma música do Blur.

Longe daquilo que Deerhunter é conhecida por, a banda mudou, para melhor ou para pior seu gosto irá definir, se procura os noises e barulheira de costume aqui irá se decepcionar, mas se você gosta de Deerhunter e não liga deles terem mudado o estilo do som provavelmente irá gostar muito desse novo álbum e por que não até abraçar e querer mais músicas dançantes, calminhas e brisantes.

OUÇA: “Breaker”, “Take Care” e “Snakeskin”.

Deerhunter – Monomania

2013deerhunter

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Antes que algum sujeito declare coisas do tipo “olha, tem o mesmo nome do disco da Clarice Falcão!”, qualquer semelhança é mera babaquice: Monomania é o sexto álbum da banda estadunidense Deerhunter, lançado em maio deste ano. Após diversas saídas de integrantes, além de um hiato indefinido em 2009, Bradford Cox & Cia. – agora, com o baixista Josh McKay e o guitarrista Frankie Broyles – continuam com seu ambient punk, viajandão de costume e, dessa vez, mais barulhento.

Em comparação ao disco anterior, intitulado Halcyon Digest (2010), as doze faixas de Monomania soam mais caóticas; as guitarras agudas no início de “Leather Jacket II” e a soma de ruídos aleatórios dos instrumentos ao final da faixa-título são provas concretas. As exceções podem aparecer em músicas como “The Missing”, a única composta pelo também guitarrista Lockett Pundt, e “T.H.M.”, com vocais duplos e um ritmo mais sutil.

A linha tênue entre a quase leveza e o barulho descritos até então tem duas explicações: as influências da banda durante as gravações transitaram por entre artistas como Steve Reich, Ramones e Bo Diddley, além do disco ter sido produzido por Nicolas Vernhes, que também trabalhou com a banda no álbum Microcastle (2008) e no EP Rainwater Cassete Exchange (2009).

Expectativas, surpresas ou baldes de água fria: é mais ou menos dessa maneira que cada um de nós reage a um novo disco, seja ele qual for. Mas tenha certeza, Monomania certamente mostrou a que veio. Não por ser o tão cobiçado “melhor disco de 2013”, mas por trazer o Deerhunter tal como ele é: viajandão, barulhento e sempre fugindo da mania de uma ideia só.

OUÇA: “Pensacola”, “Sleepwalking” e “Back To The Middle”