2018: Best Albums (Staff’s Choice)

10 | MGMT – Little Dark Age

Como eu gosto de um grande retorno! E não há outra maneira de descrever Little Dark Age, a não ser dizendo que é o merecido e aguardado grande retorno do MGMT. Depois do aclamado álbum de estreia em 2007, é inegável dizer que a discografia do MGMT foi ladeira a baixo. Apesar de alguns singles interessantes ao longo dos anos, vide “Your Life Is A Lie” e “Congratulations”, os discos soaram bastante irregulares e pareciam ter sido feitos propositalmente inacessíveis. Esse jogo começou a virar quando a banda liberou o primeiro single dessa nova safra, o homônimo “Little Dark Age”, revelando letra inspiradíssima e estrutura mais pop, no melhor e mais precioso sentido dessa palavra por vezes tão mal interpretada. Essas características se repetem em maior ou menor grau em todas as demais faixas do disco, com destaque para o segundo single “When You Die”, a pegajosa “Me And Michael” e a psicodélica “Hand It Over”. No entanto, apesar de bem mais acessível, ainda há uma estranheza cativante que misturada a refrãos grudentos faz de Little Dark Age o melhor disco do MGMT desde seu debut. Quem foi paciente e não se dispersou ao longo dos anos, foi recompensado com um álbum bastante inspirado e digno de figurar na nossa lista de melhores. MGMT, sejam bem-vindos de volta!

por Angelo Fadini

OUÇA: “Little Dark Age”, “When You Die”, “Me And Michael” e “Hand It Over”


09 | CARNE DOCE – Tônus

No cerrado, o Sol não dá trégua, o calor e o clima seco aumentam a temperatura de cidades como Goiânia, que apesar do sertanejo, é referencia como berço de vários grupos de indie nacional, como Boogarins, Black Drawing Chalks e Carne Doce. Tônus é o terceiro o disco do Carne Doce, uma ode ao corpo e ao prazer e, por que não, a todo esse calor. Salma Jô e sua voz, grave, muitas vezes calma, canta ao longo de longos riffs de guitarra e percussão, as suas letras mais íntimas, repletas de sensibilidade e amor. Se na faixa “Comida Amarga”, o envelhecimento é um empecilho, é em “Amor Distrai (Durin)” onde o sexo e o tesão ganham força em um lirismo sutil e livre de amarras, auge lírico do disco, onde todas as bads que permeiam faixas como “Ossos” e “Golpista” se perdem e dão ao eu lírico um momento de prazer. 2018 foi marcado por vários lançamentos nacionais de qualidade, e Tônus se destaca não só pelas suas letras e produção, mas também por fortalecer a carreira do Carne Doce, aumentando o seu reconhecimento para além das playlists mais moderninhas. O trabalho é lembrado também pela grande mídia e, ao contrário dos que dizem que o rock morreu, mostra que é possível se reinventar e enfrentar temas tão atuais e, ao mesmo tempo, íntimos de todos nós.

por Alexandre Leopoldino

OUÇA: “Tônus”


08 | SNAIL MAIL – Lush

2018 se despede, mas não antes de estabelecer as fundações para uma nova era no jeito como o rock é feito. A pesquisa de mercado produzida nos EUA e no Reino Unido pela gigante Fender em outubro deste ano mostra que metade dos aspirantes a guitarristas são mulheres; há também mais LGBTQs e negros interessados na compra e aprendizagem do instrumento. O estudo arrebata: quase metade desse público vê a guitarra como parte de sua identidade. E se essa ótima notícia não é o suficiente para convencer e propor uma visão otimista sobre o futuro desse gênero musical, talvez pela quietude das palavras, deixe que as primeiras melodias de Lush façam o trabalho. De “Pristine” à já clássica “Heat Wave” ao fechamento em “Anytime”, o debut de Lindsay Jordan (que assina seu projeto como Snail Mail), a jovem garota de 19 anos, é absolutamente irresistível. Com uma produção límpida, o disco desfila 38 minutos em alta performance, com destaques para o vocal agridoce, extremamente potente, e, claro, arranjos de guitarras magnéticos advindos da Fender carmesim da própria Lindsey. O colorido e pujante Lush, enfim, demonstra que o rock e a guitarra estão mais vivos do que nunca e (re)florescerão com novo frescor nas mãos de Lindsey Jordan e de outras jovens mulheres.

por Jorge Fofano Junior

OUÇA: “Heat Wave”, “Full Control” e “Stick”


07 | COURTNEY BARNETT – Tell Me How You Really Feel

Tem sido muito bom ser Courtney Barnett. Depois do bom disco de estréia Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit, de 2015, a guitarrista e vocalista australiana, que é um dos principais nomes do rock alternativo embarcou, no ano passado, num projeto conjunto com o também elogiado Kurt Ville e lançou Lotta Sea Lice, que combinava o talento de composição e o contraste vocal dos dois guitarristas com os temas bucólicos mais presentes na carreira de Ville. O sucesso da parceria deixava claro: Barnett não era um piano de uma nota só. Se é que restava dúvida após os dois discos, hoje em dia elas provavelmente foram implodidas com o excelente Tell Me How You Really Feel, segundo disco solo da guitarrista e uma franca evolução em relação ao seu primeiro trabalho autoral. Se Sometimes I Sit And Think… exibiu o talento da artista para a composição de riffs e melodias e apresentou performance vocal cínica que combinava bem com as letras auto-depreciativas e irônicas das suas músicas, Tell Me How You Really Feel evoluiu naquilo que foi uma das principais críticas ao debut: a unidimensionalidade. Como o nome já diz, o segundo disco de Courtney Barnett, enquanto mantém o tom irônico e as guitarras distorcidas com pitadas de garage rock do primeiro, se permite expor a própria vulnerabilidade e tocar em pontos bastante sensíveis e pessoais, como a dificuldade em lidar consigo mesmo, na faixa “Need A Little Time” (melhor do disco), ou a insegurança urbana a que a mulher está sujeita em “Nameless, Faceless”. Além disso, se esse disco apresenta uma maior profundidade emocional de Barnett, ele o faz sem perder o sarcasmo que era uma das maiores forças do disco de estreia. Três discos entre bons e excelentes em quatro anos é uma bela conquista. A vontade era elogiar o trabalho de Courtney, mas ela avisou que se a colocarmos num pedestal, ela vai decepcionar…

por Guilherme Vasconcellos

OUÇA: “Need A Little Time”, “Nameless, Faceless”, “Charity”, “Walkin’ On Eggshells” e “Sunday Roast”


06 | ROSALÍA – El Mal Querer

Diferentemente do seu primeiro álbum Los Ángeles (2017), em que a artista presta uma homenagem ao flamenco, em El Mal Querer ela buscou fazer algo diferente, mas sem abandonar suas raízes. Baseado em um manuscrito de autoria desconhecida do século 13, O Romance De Flamenca, seu último disco conta a história de uma mulher cujo amante está preso em uma torre. Quase como em uma inversão de papéis de Rapunzel, o romance satiriza os costumes e instituições da época. Narrativa também presente no álbum, que dividido em capítulos, narra os diferentes estágios de uma relação amorosa tóxica. Da provocativa imagem de capa, do fotógrafo e artista visual Flip Custic – o formato de uma vagina em meio a símbolos religiosos — ao refinamento melódico e lírico que se destaca em cada composição, El Mal Querer (2018, Sony Music) é um trabalho político cultural mais do que essencial em 2018. Em períodos de intolerância, xenofobia, homogeneização e extinção de patrimônios culturais, ROSALÍA resgata o flamenco, um dos principais símbolos da cultura espanhola, e lhe dá uma nova roupagem, usando-o para falar sobre algo estrutural, que, infelizmente, todas as mulheres enfrentam – o machismo.

por Giovanna Querido

OUÇA: “MALAMENTE (Cap.1: Augurio)”, “PIENSO EN TU MIRÁ (Cap.3: Celos)”, “BAGDAD (Cap.7: Liturgia)” e “DI MI NOMBRE (Cap.8: Éxtasis)”


05 | BACO EXU DO BLUES – Bluesman

Se em Esú (2017) Baco Exu do Blues transpôs a barreira entre deuses e homens e encurtou a distância entre os céus e a terra, em Bluesman o rapper baiano contempla sua própria fragilidade enquanto jovem negro vivendo em uma sociedade hostil aos corpos e mentes negras e reflete de forma honesta sobre sua saúde mental. Depressão e ansiedade estão no coração de Bluesman, mas Baco também fala sobre autoestima, sobretudo a autoestima do homem e da mulher negra, sobre estar vivo e prosperar em um mundo racista que não se conforma com o sucesso, a criatividade e beleza daqueles cuja humanidade era negada há pouco mais de 100 anos. Ser bluesman, afinal, é celebrar a arte negra que propõe um exercício de re-imaginação do papel dos negros na sociedade e rejeitar a imagem do negro submisso, desprovido de talento e fadado à invisibilidade em meio a um mundo branco. Bluesman é certamente um dos melhores álbuns brasileiros de 2018, pois abre novas portas criativas para o rap brasileiro e toca em assuntos urgentes em nosso país como o cuidado com a saúde mental e os efeitos do racismo em nosso cotidiano.

por Felipe Adão

OUÇA: “Kanye West Da Bahia”, “Me Desculpa Jay-Z” e “Girassóis De Van Gogh”


04 | KALI UCHIS – Isolation

O que se destaca em Isolation além da produção impecável e da naturalidade com que a jovem colombiana transita entre estilos musicais é a verdade que ela imprime em suas letras e performances vocais. Tudo ali vibra uma vulnerabilidade sincera de se colocar no mundo como é sem pedir desculpas e por isso se torna tão cativante. As participações de artistas já consagrados tanto na produção como nas performances aparecem de tal forma que fica claro toda a autoconsciência e controle que Kali Uchis tem sobre o seu trabalho pois todas elas servem apenas para reforçar o potencial que a suavidade e a cadência de sua voz podem trazer. Isolation merece ser visitado porque é um retrato claro do momento musical que vivemos com a diversidade de influências que agrega sem se prender a um estilo ou gênero específico e tão bem executado que com certeza será um referencial pra quem busca fazer música pop hoje em dia.

por Diego Bonadiman

OUÇA: “Just A Stranger”, “Tyrant”, “Nuestro Planeta” e “After The Storm”


03 | ELZA SOARES – Deus É Mulher

Não é à toa que o melhor álbum brasileiro de 2018 seja da Elza Soares. Diante da consagração política da imbecilidade, ignorância e preconceito, cabe a uma mulher negra de mais de 80 anos dar um grito que representa Marielle Franco, Môa do Katendê e tantas outras pessoas que fazem parte de minorias cada vez mais ameaçadas. Depois do aclamado A Mulher Do Fim Do Mundo (2015), Elza apostou em uma levada mais rock com Deus É Mulher, em que aborda racismo, intolerância religiosa, machismo e tantas outras complexidades da nossa sociedade, de um jeito cru e corajoso, sem nunca soar como lição de moral. Sua voz continua feroz, ecoando a resistência que o Brasil tanto precisa. Artistas que evitam se posicionar, seja em sua música ou em declarações, deveriam seguir o exemplo dessa deusa.

por Ronaldo Trancoso Junior

OUÇA: Todas. Aproveite para ouvir o álbum anterior. E tudo o que ela já fez antes.


02 | JANELLE MONÁE – Dirty Computer

Dirty Computer, terceiro álbum da americana Janelle Monáe, com sua capa repleta de referências imagéticas que vão desde representações arcaizantes de religiões africanas, passando pela iconografia religiosa russa, às máscaras de cavaleiros da Idade Média, e também à ciência e à tecnologia (a representação da auréola em uma corola repleta de erupções solares), é exatamente isto: um corpo estético atemporal se deslocando pelas camadas de sonoridades, que flertam com o R&B, o chill out, o funk, o hip-hop, o pop e a música de vanguarda. Janelle soube fusionar tais referências em um álbum coeso, feminino, mas feminino de uma maneira muito queer, andrógina, ambígua. A heterogeneidade das faixas, ainda que enfeixadas por uma abordagem sonora primariamente calcada na black music, opera na construção de pequenas fissuras por meio das quais se pode vislumbrar a seriedade, o comprometimento e a força política da alegria e do auto-respeito. Um álbum cuja tapeçaria discursiva em prol da mulher, dos negros e das ditas minorias sexuais estalam como tapas na alienação política da sociedade americana da era Trump. Ao lado de Broken Politics, da sueca Neneh Cherry, também negra e consciente de seu papel como mulher e artista, Dirty Computer se justifica como um dos álbuns mais interessantes desse terrível 2018.

por Claudimar da Silva

OUÇA: “Dirty Computer”, “Crazy, Classic, Life”, “Take A Byte”, “Django Jane” e “Americans”


01 | BEACH HOUSE – 7

Embora todos os discos anteriores do Beach House sejam marcados pela atmosfera de sonhos, 7 se diferencia pelo peso que essa construção toma: infinitamente mais planejado que os últimos, um dedicado a b-sides e Thank You Lucky Stars, significantemente mais fraco até do que o apanhado de sobrinhas, anuncia a chegada do duo de Baltimore a um novo patamar. As guitarras ficam mais pesadas, os vocais ficam mais claros e a construção de uma narrativa, tanto internamente nas letras e arranjos, quanto externamente na tentativa de traduzir essa atmosfera de nebulosidade para a promoção do álbum: a vocalista Victoria deu entrevistas enigmáticas nas quais ela discorria sobre as influências da Lua no disco, intensificando a relação da banda com a criação de uma ambientação enquanto elemento essencial da música deles. Depois de discos iniciais sólidos e um meio de carreira um pouco menos consistente, parece apontar para uma nova direção, como a vocalista mesma disse, não tão certa quanto o número 1, mas ainda assim, uma direção.

por Bárbara Blum

OUÇA: “L’Inconnue”, “Dark Spring” e “Black Car”

Courtney Barnett – Tell Me How You Really Feel


É meio estranho começar falando numa resenha sobre um álbum da Courtney Barnett de como ela amadureceu. Ela nunca fez a pose de garotinha talentosa (até porque tem seus bem trinta anos), mas pra quem acompanha a carreira da moça desde que ela era uma senhora-ninguém nos confins da Austrália e fazia shows para 10 pessoas em cidades minúsculas da Inglaterra e que agora vê uma Courtney Barnett, não muito tempo depois, num segundo álbum concreto, depois de colher inúmeros frutos e turnês bem sucedidas em sua corrida para o estrelado e queridismo (sic), é assim que a gente fala mesmo: a moça cresceu e amadureceu.

Se o primeiro disco continuou o caminho trilhado pelos dois EPs anteriores e que foram reunidos na compilação que começou a jogar os holofotes em cima de Barnett, aqui em Tell Me How You Really Fell vemos um cenário bastante diferente refletido, fatalmente, pelo momento em que a artista se encontra. Barnett se transformou em uma referência e uma querida da cena mundial, tanto que é fácil notar e ouvir a influência direta desse peso que ela leva atualmente, o de ser um nome fortíssimo para o grande público nesse estilo e apenas em seu segundo álbum (aí você entende melhor o ‘amadureceu’).

Além disso, é claro, a influência do seu projeto bem sucedido com o Kurt Vile, lançado no ano passado, parece fazer um pouco de sol aqui em cima de Tell Me How You Really Feel e, quiçá, até apagando um pouco o estilo mais característico de Barnett. Esse segundo disco vê uma artista mais tímida, introspectiva e reprimida do que as suas alçadas anteriores e é um pouco estranho enxergar Barnett sob essa luz e se prestando a esse papel não tão corajoso.

Courtney continua uma letrista impecável, fazendo músicas maravilhosas e casando-as com melodias interessantes e que não mudaram muito em relação ao resto de sua carreira – a guitarra está ali e seu jeito mais falando-do-que-cantando, também. Mesmo assim, Tell Me How You Really Feel não impressiona e não tem tantos momentos brilhantes e sacadas geniais quanto o que se esperava dela (talvez aqui seja o exato ponto de pressão para a musicista e que ela reflete tanto nesse álbum?); e a ausência de músicas que carreguem o peso do nome da australiana e levantem e levem o álbum pra frente é gritante. Não adianta o quanto eu ouça algumas faixas e tente encaixar ela em algo como a Barnett faria, a tentativa é mal sucedida. A própria Barnett chegou a comentar que o álbum (e o seu título) reflete uma situação que veio à tona com a fama e as angústias que esse peso da responsabilidade tão repentina causou.

O disco é parelho, sem muitos altos, com alguns baixos e bem linear – quase apagado. Courtney passa aquele sentimento de que fez um trabalho mediano e entregou só pra se manter aí na ativa, numa coceira insistente de se fazer presente que não parece a deixar sossegar. A entoada workaholic em sua carreira parece ter culminado em um ponto chave: talvez seja a hora de Barnett dar uma descansada de sua imagem e parar de desgastá-la tanto assim em tão pouco tempo. Tell Me How You Really Feel, no final das contas, serviu para mostrar que Barnett não é a deusa que todos pensam e colocam lá em cima: ela também tem suas fraquezas e vulnerabilidades, precisa respirar e precisa descansar.

OUÇA: “Charity”, “Nameless, Faceless” e “Crippling Self Doubt And A General Lack Of Self Confidence”

2015: Best Albums (Audiência)

10 | OF MONSTERS AND MEN – Beneath The Skin

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Depois de ouvir My Head Is An Animal me apaixonei pelo Of Monsters and Men. Para mim, eles eram a banda mais fofa do mundo. Então, é claro, estava super ansiosa para ouvir Beneath The Skin, esperando mais um álbum cheio de fofura. Quando eu finalmente ouvi o tão esperado álbum, havia algo diferente nele e eu não conseguia dizer se era algo bom ou não. Passada a estranheza inicial ouvi o álbum de novo… E de novo, e de novo, e de novo! Quanto mais você ouve, melhor ele fica. Hoje posso dizer com certeza que ele é diferente, de uma forma muito positiva. É mais melancólico, mais elaborado e mais pessoal e inspirado. A banda evoluiu, mas não perdeu seu caráter. Os vocais de Nanna e Raggi ainda são o grande destaque das músicas e toda a fofura ainda está lá, mas em meio a um instrumental mais forte e envolvente. Posso afirmar que estou muito feliz com o caminho que a banda está seguindo e ansiosa por ver o que virá a seguir.

por Júlia Zomignani

OUÇA: “Hunger”

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09 | FOALS – What Went Down

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Ao meu ver, sempre admirei o Foals por sempre estarem se inovando, e mudando a cada álbum. Porém no What Went Down não vi muita diferença pro anterior Holy Fire, apenas uma reciclagem ou até um auto plágio. Para não dizer que é um álbum mediano, para o poder que a banda possui, a execução foi muito bem mixada e produzida, mascarando a falta de inovação com músicas diferentes e pegajosas como “What Went Down”, “Mountain At My Gates”, “Snake Oil”, “London Thunder” e “A Knife In The Ocean”.

por Renan Lousada

OUÇA: “London Thunder”

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08 | COURTNEY BARNETT – Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit

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A australiana Courtney Barnett basicamente já chegou chegando no mundo da música em 2015: com seu primeiro CD ela já está concorrendo ao Grammy em duas categorias: Best New Artist eBest Alternative Album. Quando eu olhei para o nome do disco da Courtney Barnett é impossível de não se relacionar com ele, fora a arte do álbum que é incrível. A cantora consegue expressar todas as crises que um jovem de 20 anos pode estar passando na vida. Cheia de emoções, fortes ideias, a escorpiana veio para falar as verdades através de suas letras. O que mais me encanta neste álbum, é principalmente a diferença de uma música para a outra, você nunca sente que está ouvindo a mesma música por 40 minutos, sempre te faz dançar na cadeira de um jeito diferente. A sua voz bem ritmada junto às melodias as guitarras e violões, fazem você fechar seus olhos e viajar, cantarolar junto. Obrigada Courtney Barnett, por ter feito o meu 2015 muito melhor!

por Brunna Tolentino (@leslyeknope)

OUÇA: “Nobody Really Cares If You Don’t Go To The Party”, “Pedestrian At Best”, “Small Poppies” e “An Illustration Of Loneliness (Sleepless In New York)”

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07 | CHVRCHES – Every Open Eye

Cover

Há casos em que evoluir não consiste em deixar as coisas mais complexas e sim em torná-las mais simples. Every Open Eye é um desses. O disco não traz grandes novidades perante o álbum de estreia da banda escocesa, The Bones Of What You Believe (2013). Os marcantes sintetizadores estão lá, os doces e inusitados vocais de Lauren Mayberry também. Mas os escoceses souberam analisar o que não deu tão certo em seu primeiro trabalho, entregando um disco, dentro do possível no gênero musical no qual se enquadra, mais analógico, mais simples, mais orgânico, mais despretensioso, mais redondinho e por isso mais fácil de gostar na primeira audição.

por Édipo Barreto (@QDNG)

OUÇA: “Clearest Blue”

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06 | JAMIE XX – In Colour

JAMIEXX2015

Com uma narrativa bem amarrada, músicas coloridas e vibrantes, graves que oscilam do marcante ao sutil, rico em influências de diversos estilos como house, UK garage e dancehall (mas sem perder a identidade) e participações dos companheiros do The xx (Romy e Oliver), após cinco anos no forno, Jamie xx lança seu álbum de estréia que o consagra como um talentosíssimo produtor e nome promissor na música eletrônica contemporânea.

por Rodolfo Yuzo (@rodolfoyuzo)

OUÇA: “Girl” 

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05 | FLORENCE AND THE MACHINE – How Big How Blue How Beautiful

FLORENCE2015

Lançado em maio de 2015, How Big How Blue How Beautiful, o novo disco da artista Florence Welch chega ao mercado marcado de melodias já conhecidas do público, mas com letras detalhando sentimentos mais reais. Destaca-se pela forma grandiosa de suas interpretações, como por exemplo a emocional “Ship To Wreck”. Com algumas músicas mais dançantes e outras mais melódicas, podemos dar destaque especial para “Caught”, uma faixa que, como a maioria das outras, gruda no nosso ouvido e não dá vontade de parar. Um outro grande acerto vai para “Long & Lost”, que nos faz lembrar que o álbum que estamos ouvindo é realmente da Florence. Minimalista. Simples. Melancólica.

por Bruno Capelato

OUÇA: “Ship To Wreck”, “Caught” e “What Kind Of Man”

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04 | SUFJAN STEVENS – Carrie & Lowell

SUFJAN2015

Dizem que perder alguém que se ama é como perder um membro do próprio corpo. Eu vejo de outra maneira. Acho que a maior dor em se perder alguém importante é fechar os olhos, sentir o pulsar de cada extremidade da sua anatomia e se dar conta de que, apesar de tudo, você ainda está ali, estilhaçadamente inteiro. Esse é o sentimento que perpassa Carrie & Lowell, do brilhante Sufjan Stevens. Abalado com a perda de sua mãe, ele coloca em cada canção um pouquinho do que é seguir em frente depois de um evento como esse. “Fourth Of July” não é somente uma das músicas do ano, mas uma canção pra ficar na história. Stevens conseguiu transformar música em um olhar triste. Eu te desafio a resistir encará-lo.

por João Vitor Medeiros (@indiedadepre)

OUÇA: “All Of Me Wants All Of You”, “Should Have Known Better”, “The Only Thing” e “Fourth Of July”

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03 | KENDRICK LAMAR – To Pimp A Butterfly

KENDRICK2015

É difícil achar uma lista de melhores do ano que não tenha o To Pimp A Butterfly de Kendrick Lamar. O americano deu um passo além esse ano. Se o Good Kid, M.A.A.D City nos tinha apresentado alguns hinos contemporâneos, tô claramente falando de “Bitch, Don’t Kill My Vibe”, o trabalho de 2015 do rapper americano é mais uniforme. A beleza desse maravilhoso disquinho de Kendrick está no fato dele ser uniforme, único, uma coisa só. Ouví-lo do início ao fim é uma viagem feita por depressão, culpa e tristeza, além, é claro, sobre o racismo sofrido pelos negros. Com misturas clássicas de jazz, funk, soul e interludes tão fantásticos quanto os singles do disco, Kendrick é o cara que pensou em fazer uma música pra que todo mundo cante e se sinta bem consigo mesmo, enquanto você canta, é como se tivesse se convencendo de que realmente se ama e que tudo vai ficar bem. “I Love Myself” e o To Pimp A Butterfly.

por Lucas Schutz (@suc4s)

OUÇA: “King Kunta”, “Alright” e “u”

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02 | GRIMES – Art Angels

GRIMES2015

Depois do hypado – e incrível – Visions (2012) existia aquela dúvida sobre como seria o álbum sucessor de uma das obras mais bem criticadas dos últimos cinco anos. Poucos apostavam que o LP4, Art Angels, seria de um som bem mais acessível, e até algumas vezes mais chiclete, e mais viciante que o anterior, mesmo com temas mais profundos como morte e empoderamento feminino presentes. Desta vez o grande mérito de Claire Boucher é conseguir soar menos experimental do que os álbuns anteriores e ao mesmo tempo rico em detalhes e diferentes influências musicais e culturais. A mudança brusca gerou uma espécie de “ame-a ou deixe-a” entre os fãs, algo que foi até fortalecido, de maneira moderada, pela própria Claire – que está rindo e não sendo normal como nunca antes.

por Rodrigo Takenouchi (@diguete)

OUÇA: “Flesh Without Blood” e “Kill V. Maim”

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01 | TAME IMPALA – Currents

TAME2015

Se em 2012 Kevin Parker buscou inspiração nos trabalhos de Britney Spears para produzir as canções de Lonerism, segundo álbum de estúdio do Tame Impala, em Currents (2015), terceiro registro de inéditas da banda australiana, grande parte das referências apontam para a boa fase de Michael Jackson. Entre batidas lentas, solos de guitarras sedutores e vozes delicadamente posicionadas, Parker e os parceiros de banda deixam de lado a psicodelia empoeirada dos anos 1970 para investir em elementos típicos do R&B. São pouco mais de 50 minutos em que vozes sobrepostas e sintetizadores parecem cercar o ouvinte, detalhando uma seleção de faixas essencialmente acessíveis como “The Less I Know The Better”, “Eventually” e “Cause I’m A Man”. Uma coleção de acertos que tem início ainda na capa do registro – trabalho do artista gráfico Robert Beatty -, e segue até o último suspiro de “New Person, Same Old Mistakes”, faixa de encerramento da obra. Um disco que já nasceu clássico.

por Cleber Facchi (@MiojoIndie)

OUÇA: “Let It Happen” e “The Less I Know The Better”

2015: Best Albums (André)

10 | BEST COAST – California Nights

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Após uma escorregada feia e grave em seu segundo disco, o Best Coast retorna em sua melhor forma. E tudo funciona como sempre deveria: bem. Letras que parecem ter vindas de um diário, riffs monstruosos em sua simplicidade.  O Best Coast mais do que compensou pela insipidez de The Only Place e nos presenteou com o melhor álbum que eles poderiam ter lançado. O melhor verso de California Nights é o seu mais simples: ‘I know it’s love that’s got me feeling ok‘. E ninguém nunca precisou de mais nada. O amor pode e deve te deixar se sentindo ok, mas ‘ok’ não é nem de longe a melhor palavra para California Nights. Iremos com ‘ótimo’, ‘supreendente’ e ‘incrível’.

OUÇA: “Feeling Ok”, “Jealousy”, “So Unaware”, “Run Through My Head” e “Heaven Sent”

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09 | CHVRCHES – Every Open Eye

Cover

Otimismo é uma coisa que não parecia combinar muito bem com o Chvrches apenas dois anos atrás, mas é o que encontramos em Every Open Eye. Um instrumental mais ensolarado flertando forte com os anos 80 mas ainda gótico suave. Todas as músicas são épicas como hinos e grudentas como o hit do verão, em seu segundo disco o Chvrches altera um pouco a fórmula mas faz um álbum ótimo. A melhor metáfora para o novo trabalho do Chvrches foi uma que eles mesmos fizeram no clipe de “Empty Threat”: adolescentes góticos bêbados se divertindo em um parque aquático.

OUÇA: “Clearest Blue”, “Empty Threat”, “Never Ending Circles”, “Bury It” e “Playing Dead”

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08 | OF MONSTERS AND MEN – Beneath The Skin

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O Of Monsters and Men tinha um trabalho bem difícil pela frente, e ele era conseguir superar seu excelente primeiro álbum My Head Is An Animal. E eles conseguiram. Beneath The Skin mostra uma banda mais em contato consigo mesma, mais séria, melódica e (por falta de outra palavra) sombria e sóbria. Sua música continua trazendo um sentimento de pura esperança mais do que nunca, e isso já pode ser percebido desde “Crystals”. My Head Is An Animal foi um começo excelente, mas Beneath The Skin consegue ser melhor ainda. Versos como ‘Cover your crystal eyes and let your colours bleed and blend with mine‘ traduzem perfeitamente coisas que muitas vezes não conseguimos falar apenas com palavras para quem mais precisamos. É exatamente pra isso que a música de forma geral existe, e Beneath The Skin faz isso o tempo todo – é uma catarse a cada verso.

OUÇA: “Crystals”, “Empire”, “Thousand Eyes”, “I Of The Storm” e “Wolves Without Teeth”

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07 | TULIPA RUIZ – Dancê

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Tulipa Ruiz volta em seu terceiro álbum com um único objetivo: te fazer dançar. E ela consegue, navegando com maestria as diferentes influências e ritmos e se mostrando uma das mais competentes cantoras da nova MPB. As composições assinadas por Tulipa e seu irmão Gustavo estão em sua melhor forma, assim como os vocais da moça. Tudo em Dancê funciona perfeitamente, é um álbum que te faz esquecer por alguns minutos de todas as incertezas da vida e dançar sem preocupações. Podia não ter dado em nada, então como é que virou?

OUÇA: “Virou”, “Prumo”, “Proporcional”, “Expirou” e “Algo Maior”

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06 | TEREZA – Pra Onde A Gente Vai

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Ah, o Tereza. Pra Onde A Gente Vai é seu segundo disco, e definitivamente o álbum mais divertido e engraçado do ano. Mas isso não quer dizer que trata-se de um álbum de comédia. O Tereza consegue, pela segunda vez, caminhar na linha tênue entre a irreverência e a maturidade, se levando a sério o suficiente para poder fazer piada – e não o contrário. Em termos de composição instrumental, Pra Onde A Gente Vai mostra um Tereza muito mais competente e profissional do que o de seu álbum anterior. As letras continuam geniais, no melhor estilo Outubro Ou Nada! do Bidê ou Balde – e, claro, sem contar que Pra Onde A Gente Vai é o lar do indiscutível melhor verso do ano; ‘Um dia com você na praia tem gosto de mamão papaya‘. Essas coisas não têm preço, e não podem ser fabricadas.

OUÇA: “Tara De Bicho”, “Intrusa”, “Eu Não Vou Mais Ligar”, “Não Sei” e “DJ”

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05 | JOHN GRANT – Grey Tickles, Black Pressure

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Grey Tickles, Black Pressure é um dos álbuns mais peculiares do ano. Em seu terceiro registro, John Grant continua misturando suas influências folk com eletrônicos de formas inusitadas e aparentemente desordenadas. Um álbum cujo tema principal, de uma forma ou de outra, é o amor – a si mesmo, aos amantes, à vida – e que abusa de referências a toda e qualquer coisa, transborda senso de humor e é mais do que tudo uma obra de arte. É um álbum que definitivamente nunca apareceu antes e não poderia ter sido feito por nenhuma outra pessoa. Grey Tickles, Black Pressure é o tipo de álbum que usa clichês de um jeito novo e original, que casa o folk e o eletrônico, que sempre vai ser interessante mesmo daqui a dez ou quinze anos.

OUÇA: “You And Him”, “Disappointing”, “Down Here”, “Grey Tickles, Black Pressure” e “Geraldine”

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04 | QUARTO NEGRO – Amor Violento

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É até difícil falar de Amor Violento, segundo trabalho dos paulistanos do Quarto Negro. Ele é um álbum que não se encaixa em definições pré-concebidas de gêneros musicais, o mais próximo é ‘shoegaze intenso ocasionalmente leve’. Mas mesmo isso parece não ser o suficiente. Amor Violento é um álbum que precisa ser vivenciado, talvez mais do que qualquer outro nessa lista. A única forma de entendê-lo é dar o play e se entregar completamente sem tentar entender o que está acontecendo, é deixar a atmosfera de guitarras, pianos e teclados te envolver por inteiro. É prestar atenção nas ótimas letras, quando elas estão claras o suficiente para serem compreendidas, e deixar que as composições falem quando não estão. Amor Violento é uma experiência sensorial única.

OUÇA: “3012”, “Julien”, “Orlando”, “Há Um Oceano Entre Nós” e “Amor Violento”

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03 | SCREAMING FEMALES – Rose Mountain

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Rock. Puro, cru e simples. Guitarra, baixo, bateria e uma voz marcante. Isso é tudo que o Screaming Females sempre precisou pra fazer um álbum maravilhoso, e é isso que temos aqui pela sexta vez. Marissa Paternoster encontrou seu estilo de vez em Rose Mountain. Seus vocais estão cada vez mais vindos diretamente da Escola Corin Tucker de Vibrato Entre Riffs Pesados, com músicas que vão do punk ao metal com a mesma fluidez de uma respiração. Rose Mountain é um passo certeiro na consolidação do Screaming Females como uma das melhores bandas de rock da atualidade. O conceito de ‘banda de rock’, assim como o de ‘rock’ em geral, está cada vez mais diluido, mas é só ouvir uma música como “Criminal Image” ou “Ripe” que tudo cai em seu lugar certo. Um álbum como Rose Mountain não aparece sempre, e deve ser celebrado quando chega.

OUÇA: “Criminal Image”, “Hopeless”, “Wishing Well”, “It’s Not Fair” e “Ripe”

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02 | GRIMES – Art Angels

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Praticamente três anos desde o pop experimental de “Oblivion”, Grimes retorna ainda mais pop e ainda mais experimental. Com uma produção muito mais radiofônica do que qualquer outra coisa que ela já fez, Art Angels é instantaneamente uma das coisas mais interessantes que você já ouviu. Pra cada batida pop acessível, existe algum algo completamente oposto – seja um grito, grunhido, sussurro ou instrumento estranho. Com uma mistura bem peculiar de influências que podem ir do punk ao country, Grimes em Art Angels está muito mais parecida com Kathleen Hanna do que com qualquer outra coisa. No começo dos anos 90, o movimento Riot Grrrl reinventou o punk aliando-o a temas feministas e podemos perceber que há algo parecido acontecendo no mundo pop hoje em dia. Não dá pra saber se ele tomará a mesma forma que o Riot Grrrl teve, mas sua necessidade continua gritante. E a Grimes é com certeza um dos principais nomes dessa nova Revolution Girl Style Now!

OUÇA: “Kill V. Maim”, “Flesh Without Blood”, “Artangels”, “Pin” e “Venus Fly”

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01 | COURTNEY BARNETT – Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit

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Quando ouvi “Pedestrian At Best” lá em Fevereiro, eu sabia que o até-então não lançado primeiro álbum da Courtney Barnett estaria nessa lista. Após ouvi-lo repetidas vezes durante o ano, a certeza era só uma: ele estaria nessa lista, e nessa posição. Não há outro álbum esse ano que mereça mais esse lugar do que Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit. Courtney Barnett entregou um álbum anacrônico, cheio de composições e letras que ultrapassam o ‘genial’ por quilometros. Mas mais importante, todos os versos cantados por Courtney, seja em formato confessional ou narrativo, fazem parte da vida de todos. Músicas como “Small Poppies” e “An Illustration Of Loneliness” são extremamente universais em sua simplicidade. Courtney Barnett faz música com o mundano em forma de fluxo de consciência, e canta histórias que acontecem com todas as pessoas, músicas sobre comprar vegetais orgânicos, nadar ou sobre procurar casas para morar. E tudo isso com uma boa dose de humor e auto-depreciação, pra contrabalancear a seriedade presente em cada música. Isso tudo, e o fato de que Courtney canta a palavra ‘funny’ por longos cinco segundos no refrão de “Pedestrian At Best”, depois de restaurar sua fé na versatilidade das guitarras. Não tem pra mais ninguém.

We either think we are invincible or that we are invisible, when realistically we’re somewhere in between.

OUÇA: “Depreston”, “Pedestrian At Best”, “An Illustration Of Loneliness (Sleepless In NY)”, “Small Poppies”, “Nobody Really Cares If You Don’t Go To The Party” e “Debbie Downer”

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00 | SLEATER-KINNEY – No Cities To Love

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Ready to climb out from under concrete.

Seria injusto com qualquer outra banda ou artista considerar No Cities To Love para uma lista de melhores desse ano. A importância e significância de No Cities To Love, principalmente depois de ler o maravilhoso livro de memórias Hunger Makes Me A Modern Girl da Carrie Brownstein, é imensurável tanto para a banda quanto para seus fãs. O Sleater-Kinney voltou depois de quase dez anos longe dos palcos, revigorado e com ainda mais força do que tinha antes. Um dos melhores aspectos de No Cities To Love é o fato de ser quase metalinguístico; elas justificam e explicam os dez anos separadas da melhor forma que sabem como, com palavras e guitarra (“Hey Darling”), e mostram que estava na hora certa de voltar também da mesma forma (“Bury Our Friends” e “Surface Envy”). A urgência vista em “Surface Envy” é algo que nunca esteve em nenhum outro lançamento delas, a voz rasgada de Corin Tucker junto com a bateira de Janet Weiss é o suficiente pra te deixar sem fôlego por dias.

I’m breaking the surface, tasting the air, reaching for things that I could never before.

No Cities To Love era inevitável. Sleater-Kinney é inevitável. Uma banda como Sleater-Kinney precisa existir, por que nunca existiu nada igual antes e nem depois. Somente elas mesmas podem continuar o trabalho que começaram, e é o que fazem aqui em seu oitavo álbum. Continuam exatamente de onde pararam, mas dessa vez mais maduras e responsáveis. O hiato também foi necessário para que houvesse esse distanciamento, para que fosse possível esse retorno com essa intensidade. E agora voltaram, e o mundo está muito melhor por isso. Não existe outra coisa a ser dita sobre No Cities To Love e nem para o Sleater-Kinney a não ser Muito Obrigado.

It’s not a new wave, it’s just you and me.

OUÇA: It’s not the cities, it’s the weather we love! It’s not the weather, it’s the nothing we love! It’s not the weather, it’s the people we love!

Courtney Barnett – Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit

barnett

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A australiana Courtney Barnett conquistou a crítica (e quem mais estivesse prestando atenção) já no finalzinho de 2013 com seu EP duplo A Sea Of Split Peas. O EP-quase-álbum possui doze faixas e, entre elas, as incríveis “Avant Gardener” e “History Eraser”. A Sea Of Split Peas já mostrava o dom de Courtney para fazer músicas sobre fatos mundanos do cotidiano e transformá-los em obras de arte de uma forma que muitos tentam, mas poucos conseguem. A espera por seu “primeiro” álbum oficial foi uma de bastante expectativa, pois o que Courtney mostrou no EP era algo que não aparece com frequência; músicas que oscilam entre a narrativa e o confissional e sempre fazem com que o ouvinte se sinta parte das histórias ali contadas.

A australiana Courtney Barnett conquistou a crítica no finalzinho de 2013, e o resto do mundo no comecinho de 2015 com “Pedestrian At Best”. O primeiro single do aguardado Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit mostrou uma Courtney muito mais visceral e intensa do que aquela do EP, cheia de guitarras distorcidas e riffs que deixariam Kim Deal orgulhosa, e uma letra na qual Barnett apresenta uma lista de motivos e tenta nos convencer de que, basicamente, ela não é uma boa pessoa. “Pedestrian At Best” foi, sonicamente, o oposto de tudo o que ela fez em A Sea Of Split Peas, e foi maravilhoso. Courtney, já em seu primeiro single do trabalho novo, mostrou uma versatilidade impressionante dentro de sua própria (até então) pequena discografia.

A australiana Courtney Barnett conquistou a crítica no finalzinho de 2013 e o resto do mundo no comecinho de 2015 com “Pedestrian At Best”. E aí veio “Depreston”, e não existe outra palavra para descrever esses quase cinco minutos do que perfeição. A música já era conhecida ao vivo desde fevereiro do ano passado, mas sua versão final em estúdio conseguiu ser ainda mais emocional e interessante do que suas apresentações, e isso não é pouca coisa. Em “Depreston” Courtney conta a história de um casal procurando uma casa para morar e descreve as suas experiências e impressões sobre a casa e o bairro. O que é mais impressionante em “Depreston” são os sentimentos que a música consegue te passar; algo entre ‘total e completa esperança/felicidade’ e ‘ansiedade/depressão profunda’. Talvez os dois juntos ao mesmo tempo, se isso fizer sentido.

A australiana Courtney Barnett conquistou a crítica no finalzinho de 2013, o resto do mundo no comecinho de 2015 com “Pedestrian At Best” e aí veio “Depreston”. Com essas duas músicas Courtney já tem o mundo aos seus pés, mas Sometimes I Sit And Think… não para por aí. As restantes nove faixas do álbum passeiam livremente entre a Courtney visceral e a Courtney introspectiva, com letras em sua maioria simples que contam histórias que podem ou não terem acontecido com a própria Courtney (ou com você mesmo). Isso vai desde o refrão ‘I wanna go out but I wanna stay home‘ de “Nobody Really Cares If You Don’t Go To The Party” até a poderosa “Small Poppies” com os versos ‘I don’t know quite who I am, oh but man, I am trying‘ e ‘I used to hate myself but now I think I’m alright‘.

A australiana Courtney Barnett conquistou a crítica no finalzinho de 2013, o resto do mundo no comecinho de 2015 com “Pedestrian At Best”, e aí veio “Depreston” e todo o resto do Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit. Em um mundo cada vez mais tomado por eletrônicos e sintetizadores, Courtney Barnett veio para restaurar sua fé na música feita com guitarras distorcidas e nos presenteou com um álbum (por falta de outra palavra) lindo do começo ao fim que não estaria fora de lugar ao lado de Last Splash do Breeders ou Grand Prix do Teenage Fanclub.

OUÇA: “Depreston”, “Pedestrian At Best”, “Small Poppies”, “An Illustration Of Loneliness (Sleepless In NY)”, “Aqua Profunda!”, “Debbie Downer” e “Dead Fox”.